Juan saiu da varanda com os punhos cerrados e o peito ardendo.
Ele atravessou o corredor largo da mansão de Ryan como um touro cego, a raiva reverberando nos ossos. Cada passo pesado fazia o chão ranger, ecoando sua decisão: ele não ia mais engolir nada calado.
A luz da manhã invadia os vitrais, lançando cores bonitas no chão. Juan não viu nada disso.
Quando chegou à porta do escritório de Ryan, empurrou-a sem bater.
Ryan estava lá dentro, sentado numa poltrona, enrolado num cobertor, o rosto mais pálido do que nunca. Tinha um copo de água tremendo entre os dedos.
Os dois se encaram em silêncio por alguns segundos.
Ryan arregalou os olhos ao ver o irmão.
— Juan...?
Juan avançou até a escrivaninha.
— A gente vai conversar agora.
Ryan engoliu seco.
— Sobre o quê?
Juan cerrou os dentes.
— Sobre a Alison.
Ryan fechou os olhos, um estremecimento passando pelo corpo inteiro.
— Não começa com isso de novo...
— Não começa? — Juan gritou. — Eu quero saber a verdade, Ryan! Toda a verdade!
Ryan tentou se levantar, mas as pernas falharam. Caiu de volta na poltrona.
— Juan, por favor.
— Para de me pedir por favor! — Juan se aproximou tanto que quase encostavam rosto com rosto. — Eu quero saber: você e ela. Desde quando?
Ryan respirava rápido, as mãos tremendo tanto que derramou a água.
— Juan...
— Responde!
Ryan passou a mão nos cabelos úmidos de suor.
— Eu... eu a conheço desde que éramos adolescentes.
O mundo pareceu congelar.
Juan piscou, atordoado.
— Adolescência? — A palavra saiu engasgada. — Você... você estava com ela antes de mim?
Ryan fechou os olhos, duas lágrimas escorrendo.
— Eu nunca consegui... nunca consegui esquecê-la.
Juan deu um passo atrás como se tivesse levado um soco.
— Você... amava ela?
Ryan não respondeu. As lágrimas agora molhavam a camisa dele.
— Responde!
— Sim! — Ryan gritou, a voz rachada. — Sim, porra! Eu a amava! Eu sempre a amei!
O silêncio caiu brutal.
Juan sentiu o estômago virar. Suas mãos tremiam.
— Então por que... por que me deixou casar com ela?
Ryan soluçou, a respiração falhando.
— Porque eu pensei... que poderia ser feliz por você. Porque ela disse que te amava também.
Juan passou as mãos no rosto, desorientado.
— Meu Deus do céu.
Ryan fungou.
— Eu tentei te odiar por isso, Juan. Tentei de verdade. Mas eu não conseguia. Você é meu irmão.
Juan olhou para ele com nojo, raiva e uma dor profunda.
— E Emma? — perguntou, com a voz quase sumindo.
Ryan engoliu em seco.
— Juan... por favor.
— Emma é minha filha?
Ryan quebrou. Chorou como uma criança, cobrindo o rosto com as mãos.
— Responde, porra! — Juan segurou o braço do irmão e o sacudiu.
Ryan chorava tão alto que mal conseguia falar.
— Eu... eu não sei.
Juan ficou paralisado.

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