O céu da tarde estava coberto por nuvens pesadas, como se pressentisse a tempestade que se aproximava — mas não uma tempestade comum. Era algo mais sombrio, como se o próprio tempo estivesse em suspenso.
A casa de Ryan, construída num bairro nobre e isolado, mantinha o silêncio de um túmulo. O portão eletrônico ainda estava semiaberto desde que ele saíra às pressas. O interior, com suas paredes de vidro e móveis de design minimalista, parecia uma cápsula onde o tempo não passava. Tudo estava imaculadamente limpo. até demais, como se escondesse pecados profundos sob sua superfície.
Emma brincava no tapete da sala com suas bonecas, distraída, enquanto o segurança de confiança de Juan, postado discretamente no corredor, mantinha os olhos atentos a qualquer movimento. Ayla estava no andar de cima, tentando manter a mente no lugar depois de tudo que havia descoberto sobre Sunny, ou melhor, sobre Alison. A revelação de sua irmã, escondida bem debaixo de seus olhos, ainda martelava dentro dela como um eco constante.
Então… a porta da frente se abriu.
Sem som. Sem campainha. Sem aviso.
Ayla desceu as escadas apressada, sentindo um calafrio subir pela espinha. Emma se virou, confusa, segurando a boneca com força.
Ali, parada na soleira da porta, com os cabelos escuros presos num coque frouxo, os olhos delineados em preto e os lábios pintados de vermelho sangue, estava Alison. Viva. Real. E com um olhar que misturava desprezo, dor, loucura e uma frieza impossível de descrever.
— Olá, irmã — disse ela, com um sorriso enviesado. — Sentiu minha falta?
O segurança puxou a arma. Mas Alison foi mais rápida: tirou algo do bolso — um controle pequeno, com um botão vermelho no centro.
— Eu apertaria? — ela ergueu o controle, os olhos faiscando. — Não acho que você queira descobrir.
— Sunny… — sussurrou Ayla, com a voz falhando. — O que você está fazendo?
— Recuperando o que é meu.
Ela caminhou até o centro da sala como se fosse dona do lugar. O segurança hesitou, engoliu seco e guardou a arma, atento.
Emma levantou lentamente. Os olhos grandes e confusos encararam a mulher à frente. Houve um instante de silêncio absoluto.
— Mamãe? — perguntou Emma, com voz baixa, hesitante.
O coração de Ayla desabou no peito.
Alison congelou por um segundo. Seus olhos brilharam, umedecidos por uma emoção mal contida. Ela se agachou na altura da menina.

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