Juan entrou na sala com passos firmes, a testa ainda úmida de suor. Tinha saído apressado do carro ao ver as luzes da casa acesas em um horário incomum. Não esperava ninguém ali, não daquele jeito.
Quando seus olhos bateram na figura parada no centro da sala, seu corpo congelou.
Alison.
O nome quase escapou dos seus lábios, mas o grito ficou preso na garganta. Ela estava ali, impecável, com o cabelo platinado preso em um coque elegante e os olhos escuros reluzindo com veneno. Usava um vestido justo demais para alguém que acabara de invadir uma casa. Parecia uma sombra do passado, viva, fria e perigosamente no controle.
— O que você está fazendo aqui? — a voz de Juan saiu rouca, como se ele tivesse engolido vidro.
Alison virou o rosto devagar, sorrindo com uma calma perturbadora.
— Só vim dizer a verdade, Juan. É o mínimo que você me deve.
Juan deu dois passos à frente, como se o corpo o traísse, movido pelo impulso de arrancá-la dali à força.
— Você não tem o direito de aparecer assim! Depois de tudo que fez!
— Tudo que eu fiz? — ela gargalhou, mas o som não tinha alegria, só escárnio. — Ah, querido… eu só quero minha filha de volta.
— Emma não é sua filha! — ele gritou, os punhos cerrados. — Você abandonou tudo, desapareceu, destruiu vidas. Você não vai chegar agora e achar que pode levar ela como se nada tivesse acontecido!
Ela estreitou os olhos e caminhou em sua direção, parando a poucos centímetros do rosto dele.
— Engraçado você dizer isso… — sussurrou. — Porque biologicamente… ela nunca foi sua.
O chão pareceu sumir sob os pés de Juan.

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