O som de vidro se partindo ecoou pela casa como uma explosão. Um vaso voou da estante e se espatifou contra a parede, espalhando cacos pelo chão. Amanda gritou ao fundo, mas Juan já não ouvia nada. Estava cego. Surdo. Tomado por uma fúria que fazia o mundo tremer ao seu redor.
Em segundos, ele agarrou Ryan pela gola da camisa e o empurrou com brutalidade contra a parede.
— Seu maldito! — Juan rosnou, os olhos em brasa, o rosto a milímetros do irmão. — Você destruiu minha família!
Ryan tentou se soltar, as mãos levantadas em defesa, mas Juan era mais rápido. Um empurrão violento o colou novamente contra a parede, fazendo um porta-retratos cair ao chão.
— Eu nunca quis machucar ninguém! — Ryan gritou, a voz embargada, o peito arfando, a culpa escancarada no olhar.
— Você teve um caso com a minha esposa! — Juan cuspiu as palavras como veneno. — Você deitou com ela! Traiu a mim, à Emma… Ficou vendo minha filha crescer como se fosse sua sobrinha, como se nada tivesse acontecido! Como você teve coragem?
Ryan mal teve tempo de reagir. O primeiro soco veio como um trovão, direto no rosto. Ele cambaleou para trás, mas revidou por instinto, acertando Juan no abdômen.
E então vieram os gritos abafados. Os dois rolaram pelo chão, trocando socos, empurrões, chutes. Era mais do que uma briga: era uma purgação. Anos de ressentimento, silêncio, culpa e dor explodindo em carne e osso.
— Você é um traidor, Ryan! Um verme disfarçado de irmão! — Juan cuspiu, o rosto vermelho, o lábio cortado.
— Ela me enganou! — Ryan gritou, ofegante, o olho começando a inchar. — Alison era manipuladora, você sabe disso! Ela me enredou, me prendeu naquela maldita teia!
— E mesmo assim você a ajudou a fugir! — Juan vociferou, parando por um segundo. — Você a ajudou a sumir do mapa. Por quê? DIZ!
Ryan congelou.
O silêncio que seguiu foi mais ensurdecedor que qualquer briga. Amanda, Ayla e até o relógio da sala pareciam ter parado.
Juan recuou um passo, sentindo um arrepio subir pela espinha.
— O quê?
Ryan hesitou. Os lábios entreabertos. O suor escorria pela testa. O peito subia e descia, ofegante.

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