Ryan estava ajoelhado no chão da sala, o rosto úmido, os olhos inchados, a respiração descompassada. Tremia. Não apenas de choro — mas de vergonha, de impotência, de uma culpa que o corroía há anos. Os dedos agarravam o tapete, como se o mundo estivesse girando rápido demais para ele suportar.
Juan permanecia em pé, rígido. Os braços cruzados sobre o peito como uma muralha, como se quisesse impedir o próprio corpo de desabar. A raiva o mantinha de pé. Só ela. Os olhos fixos em Ryan ardiam, mas sua expressão permanecia estática — uma máscara feita de dor e controle.
Amanda e Ayla estavam próximas, imóveis, como estátuas moldadas pela dor e pela incredulidade. As respirações presas. As lágrimas contidas. Nenhuma delas ousava quebrar o momento.
— Me escuta, por favor... — Ryan sussurrou, a voz falhando entre soluços. — Eu não aguento mais carregar isso. Eu nunca fui capaz de esquecer o que fiz... o que escondi...
Juan não disse nada. Nem um músculo se moveu. O silêncio dele era ensurdecedor.
— Ela... a Alison... — Ryan engoliu em seco. — Ela quis contar. Muitas vezes. Dizia que você merecia saber a verdade. Que não aguentava mais viver assim. Mas eu...
Ele engasgou com as próprias palavras. Engoliu a culpa como veneno.
— Eu jurei que, se ela abrisse a boca, eu contaria tudo à polícia. Eu disse que ela nunca mais veria a Emma. Que eu... — a voz embargou, a garganta falhou — que eu mataria ela se fosse preciso.
O silêncio que se seguiu parecia tornar o ar impossível de respirar.
Ayla engasgou com a própria saliva, os olhos arregalados, como se o mundo tivesse se partido ao meio sob seus pés.
Amanda tapou a boca com a mão. As lágrimas começaram a escorrer, mas não eram suaves — eram pesadas, densas, carregadas de desgosto.
Juan avançou um passo. O chão parecia tremer sob ele. Seu olhar era como fogo prestes a consumir tudo à volta.
— Você ameaçou ela de morte? — A voz saiu baixa. Baixíssima. Mas carregada de um ódio frio, controlado, perigoso. — Você ameaçou a mãe da minha filha... mesmo depois de trair a minha confiança?
Ryan abriu os braços, impotente, desesperado.

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