Naquela noite, no quarto, tentou escrever sobre o que sentia. A caneta arranhava o papel, mas nenhuma palavra parecia suficiente. Não era só ciúme. Era como se o mundo tivesse repetido a lição: Ayla sempre teria algo que ela nunca teria. Atenção. Até a atenção de quem Diana secretamente desejava.
Olhou para o espelho. O reflexo mostrava a postura ereta, o cabelo bem penteado, a expressão contida. Uma perfeição vazia. Pensou em desmanchar tudo, bagunçar o cabelo, rasgar o caderno. Mas não fez. Apenas chorou em silêncio, o rosto escondido no travesseiro.
Na manhã seguinte, os olhos ainda inchados, ouviu os pais brigando com Ayla por alguma bobagem. E, por dentro, um pensamento venenoso sussurrou: “Mesmo quando erra, ela é mais viva do que eu sendo perfeita”.
E foi ali, sem alarde, que nasceu a raiz amarga. Não do amor perdido por Erlon, mas da constatação dolorosa de que Ayla sempre brilhava, até sem tentar. Enquanto Diana mal sabia respirar sem pedir desculpas.
***
Os dias se passaram, e a pressão das expectativas continuava a crescer. Na escola, Diana se esforçava para manter suas notas altas, mas a sensação de estar sempre em segundo plano a consumia. As conversas entre os colegas giravam em torno de Ayla, e Diana se sentia cada vez mais invisível.
— Você viu o que a Ayla fez na festa? — uma amiga comentou durante o intervalo. — Ela dançou a noite toda! Todo mundo estava falando dela.
Diana forçou um sorriso, mas por dentro, a dor crescia. O que ela precisava fazer para ser notada? O que mais poderia fazer para ser vista?
Naquela tarde, enquanto estudava na biblioteca, Diana decidiu que precisava de um desvio. Olhou para o celular e hesitou. O que ela realmente queria? Um momento de atenção, um reconhecimento. E, de repente, a ideia surgiu.
— Vou me inscrever para o clube de teatro — murmurou para si mesma.
Era uma decisão ousada. O teatro sempre a fascinou, mas a ideia de se expor a deixava nervosa. E se falhasse? E se ninguém a notasse? Mas, ao mesmo tempo, a ideia de ser alguém diferente, de brilhar sob os holofotes, a atraía.
No dia seguinte, Diana se inscreveu. O coração disparava enquanto preenchia o formulário. Era um passo em direção à liberdade, uma tentativa de se libertar do peso das expectativas. E, ao mesmo tempo, uma maneira de se distanciar da sombra de Ayla.
— Você se inscreveu para o clube de teatro? — Riley perguntou, surpresa, quando Diana contou.

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