Juan está esperando, encostado na porta do quarto, enquanto Alison termina de se vestir.
—O que você acha desse?— ela pergunta, agora vestindo um vestido branco florado, a décima peça de roupa que ela havia provado naquela noite.
—Querida, você está linda nesse. Assim como estava em todos os outros. Podemos ir?— Juan fala a mesma coisa, também pela décima vez.
E como todas as outras vezes também, Alison parece não ouvir e ela volta a se encarar no espelho.
O quarto deles era minúsculo. Eles haviam acabado de se mudar pra aquela casinha assim que saíram do ensino médio. O lugar era pequeno, a humildade residindo em todos os poucos móveis que eles tinham conseguido até aquele momento.
Aquele começo estava sendo difícil, mas toda vez que Juan olhava para Alison, ele só tinha certeza que tudo estava valendo a pena. Desde que ela se mantivesse com ele, igual havia sido desde os seus 8 anos de idade.
—Tudo bem, meu amor. Apenas escolha um desses vestidos e eu irei.— Alison volta a falar e se vira pra Juan.
Ele a observa e a conhece o suficientemente bem pra saber que se ele quisesse sair dali logo, ele teria que dizer que:
—Eu gostei mais do outro que você vestiu.— Ele diz, apontando pra qualquer peça que estava jogada na pequena cama de solteiro deles.
Alison observou os vestidos, observou Juan, se observou no espelho.
E exatamente como Juan previu o que aconteceria, ela falou:
—Eu acho que irei com esse mesmo.— Ela ignorou completamente a opinião de Juan e ele sorriu. —Vamos.
Juan segura a mão de Alison, e juntos atravessam a casa e seguem até o ponto de ônibus. A noite ainda estava chegando enquanto o pôr-do-sol se iniciava atrás deles. Naquela noite, Juan estaria levando Alison para jantar no restaurante que ela sempre desejou conhecer. Ele havia passado os últimos meses economizando para que pudesse entregar aquilo em seu aniversário.
—Daqui a pouco, o ônibus passa.— Alison comentou, olhando o relógio em seu pulso, em sua clássica falta de paciência.
Juan assentiu, mas parou para observá-la. Ele sabia que eles estavam saindo muito mais cedo do que o horário da reserva que havia feito, mas precisavam daquilo já que pegariam mais dois ônibus até chegar na parte mais burguesa da cidade.
—Alison.— Juan chamou de repente enquanto ela olhava pra rua, na direção que o ônibus surgiria.
—Sim.— Ela disse, mas ainda com seus olhos na rua. —O que foi?— pergunta.
Juan espera que ela o olhe para finalmente começar a falar:
—Você se incomoda?— ele começa. —Se incomoda por andar de ônibus comigo, depender de outras pessoas? Você desejaria que eu tivesse um carro?
Juan pergunta, a insegurança tomando conta do seu coração. Não havia um único dia que ele não pensasse que a sua incerteza financeira afetaria sua relação. Ele temia que Alison não se sentisse segura com ele, que achasse que ele não daria conta de tudo que estavam por construir.
Quando ouve aquela pergunta, Alison estranhamente sorri. Ela passa as mãos pelos ombros de Juan, agarrando seu pescoço e o obriga a encará-la.
—Querido, de que diabos você está falando?— ela quer saber, mesmo que sua voz esteja completamente doce. —Você sabe que tudo que eu desejo é, e sempre será você. E se um dia você eu acabarmos debaixo de uma ponte, será uma suíte presidencial pra mim. Porque será com você.
Quando diz aquilo, Juan sente seu coração se encher de alivio e de uma tranquilidade absurda. Aquilo era Alison na vida dele; a calmaria, a paz. Ele jamais poderia imaginar a possibilidade de viver uma vida sem aquela mulher ao seu lado.
—Eu te prometo que tudo vai melhorar.— Ele diz, a olhando profundamente nos olhos. —Apenas fique comigo, e um dia, eu te darei a lua, se assim você quiser.
—Depende. Você estará dentro da lua? Só quero se for assim.— Ela comenta rindo e então deposita um beijo rápido em seus lábios. —Olha, o ônibus está vindo!— ela anuncia e então os dois se afastam.
O ônibus havia chegado lotado e existia apenas um único assento livre. Juan pediu que Alison se sentasse, mas ela sugeriu algo melhor.
—Senta você. E eu sento em seu colo. Assim vamos os dois confortáveis e juntinhos.
Assim que Alison diz aquilo, um sorriso imenso cobre o rosto de Juan. Se fosse possível, todo o amor que ele sentia por ela, que já era infinito, naquele instante, se expandiu.
Quase duas horas depois, eles chegaram em frente ao restaurante. Alison passa as mãos pelos seus brilhantes cabelos castanhos claros e retoca o seu batom vermelho.
E então olha pra Juan e antes que ela possa perguntar como ela está, Juan diz:
—Perfeita. Você está perfeita.
Alison sorri, mesmo que tímida e então os dois entram naquele restaurante.

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