Ayla assiste impassível enquanto sua vida está à mercê da vontade de outras pessoas.
Ela encara Juan e não vê nada nele além da áurea sombria e raivosa. Desde que ele chegara, sequer havia parado para encará-la, seus olhos seguiam mortais em Roni.
—Por que está fazendo isso?— Juan pergunta numa espécie de calmaria assustadora.
Roni o encara, parece confuso. Não esperava uma reação tão fria de Juan, se perguntou se ele era realmente tão insensível aquele modo.
—Eu faço, porque eu posso.— Roni diz, por fim. —Agora você tem alguma pergunta real ou podemos começar? Você está ansiosa para descobrir a verdade, querida?— Roni pergunta, desviando sua atenção para Ayla.
Por mais que o medo, a ansiedade e incerteza tivessem consumindo seus ossos, uma parte de Ayla desejava verdadeiramente descobrir toda aquela história de uma vez por todas. Ela odiava está jogando no escuro, e por causa disso, ela não fazia ideia do que estava se metendo naquele instante.
—Roni, você pode parar de tentar montar um show e só fala verdadeiramente o que você quer.— Juan parece rosnar. —O conheço o suficiente para saber que você apenas age em situações que são benéficas para você. Então, pela última vez, que diabos porra você quer de mim?
Roni soltou sua respiração logo em seguida, bufou alto, expressando seu intenso descontentamento, mas no fundo ele parecia se divertir.
—A questão é o seguinte, Juanito...— ele começa, se afastando de Ayla e guardando sua arma.
Naquele momento, Juan pensa em reagir, pensa em apenas atacar Roni e deixar que sua raiva o consuma ao ponto de destruí-lo. No entanto, Juan e Ayla estavam cercados. Naquele galpão, dezenas de homens ao redor estavam postos, com suas armas em punhos, apenas esperando qualquer movimento brusco.
Encurralados. Era essa a palavra sobre como se sentiam.
—Eu tenho contatos de dentro da polícia, e pelo que estou sabendo, toda essa situação da morte da Alison não está me cheirando bem.— Roni continua. —Tenho a leve e terrível impressão que essa merda vai acabar respigando em mim. O que não é justo, você não acha? Porque tudo que fiz, foi dar a Alison o que ela apenas precisava.
Juan cerra os punhos com força, o peso do ódio em seu coração se expandindo. O dá cólera saber que um dia foi tão amigo de Roni, o enche de ódio saber que havia dividido a vida com Alison. O matava lentamente, todos os dias, levantar e saber que os dois juntos haviam destruído a sua vida. E ainda seguiam.
—Do que você tem medo, Roni?— Juan pergunta em seguida, não deixando que Roni testemunhasse o caos dentro dele. —Que a verdade venha à tona e você acabe justamente onde é o seu lugar?
No mesmo momento que aquelas palavras saem da boca de Juan, Roni cai na gargalhada. Sua risada é tão maquiavélica quanto sua aparência, o que deixa Ayla atrás dele, ainda mais assustada.
As lágrimas seguem caindo do seu rosto, e ela tenta se desfazer do laço em suas mãos, mas ela não encontra forças ou habilidades o suficiente pra isso.
—Você acha que eu temo a verdade?— Roni pergunta, sorrindo. —A verdade é tudo que eu quero, Juan, porque não existe nada mais prazeroso do que contar e ouvir sobre toda sua desgraça e humilhação.
Roni então se abaixa para Ayla outra vez e sussurra:
—Você vai ver, querida. Essa é uma história hilária.
Juan fecha os olhos com força e implora mentalmente por qualquer sanidade que o deixe estável naquele momento, porque tudo que ele deseja é explodir.
—O ponto de tudo isso é, meu amigo, que eu tenho muitos negócios em andamento e eu não posso me permitir o luxo de você arruinar tudo apenas por rancores do passado.— Roni continua. —Por isso, essa investigação tem que ser encerrada antes de me chamarem para depor e eu acabar virando um suspeito.
Essa é a vez de Juan sorrir, e ele afasta os cabelos que caem na frente do seu rosto quando pergunta:
—E por que você acha que eu tenho algum poder de fazer isso? Ou melhor, por que eu faria isso por você?

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