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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 32

Ayla encara Juan. As palavras que saíram da boca dele e o tom sombrio por trás de toda sua expressão, entrega intensos arrepios em sua pele.

—Do que está falando?— Ayla sussurra, suas lágrimas agora pararam de descer, sendo substituída por sua incredulidade e medo.

—Como pode ter tanta certeza de que eu não matei a Alison?— Juan refaz sua pergunta do jeito tão enigmático quanto revelador.

Ayla engole em seco, e se pergunta se existe algo a mais por trás de suas palavras ou se são apenas palavras soltas e perdidas no meio da sua confusão presente.

Roni parece assistir tudo aquilo com uma diversão impagável, era como se realmente o desse prazer ver a tortura presente nos olhos dos dois.

—Ah, eu adoraria assistir todo o início, meio e fim dessa história. Mas eu realmente não tenho tempo.— Roni intervém e a arma na cabeça de Juan encontra uma mira certeira. —Pega o celular e liga. Agora.

Juan ainda tem seus olhos presos em Ayla enquanto puxa o celular do bolso numa espécie de paz assustadora. Naquele instante, parecia apenas que ele havia desligado toda sua humanidade e apenas seguia no automático. Não exibia reações, sentimentos.

Apático.

Isso contrastava com a situação de Ayla, que o encarava desesperada. Almejando que ele tivesse algum plano e que não se rendesse assim.

—Você sabe pra quem ligar.— Roni continua. —Coloque em viva voz. E se você tentar qualquer gracinha...— Roni ficou em silencio e apenas apontou com a cabeça para imagem de Emma em seu celular.

Aquilo foi mais que suficiente para que Juan apenas se rendesse. E então, ele realiza aquela ligação.

—Alô.— A voz da delegada Diana preenche aquele galpão através do celular de Juan. —Quem está falando?

Juan permanece em silêncio e Roni apenas pressiona a arma contra sua cabeça. A verdade era que Juan não temia a morte, porque na altura da sua vida, a morte seria realmente bem-vinda. A única coisa que movia todos os sentimentos de Juan, era Emma.

Ele não podia simplesmente se permitir dar o luxo de morrer e deixa-la sozinha. Ele precisava protege-la, Emma precisava saber que ela jamais estaria sozinha. Mesmo que agora, o seu pai seja condenado a viver por largos anos atrás das grades. E mesmo assim, aquilo não seria um sacrifício, tudo por seu amor a sua filha.

E por isso, Juan começa:

—Delegada Diana, é Juan Barichello. E eu tenho uma confissão a fazer.

Ayla morde seus lábios com força do outro lado enquanto assiste toda aquela cena. Ela está impotente enquanto Juan apenas arruína sua vida. Ela então sente-se culpada e se pergunta que se ela não tivesse saído de casa e sido pega, Emma a esta hora estaria em segurança e nada daquilo estaria acontecendo.

—Estou escutando, senhor Barichello.— Diana responde e sua voz demonstra sua curiosidade e atenção.

—Eu matei a Alison.— Ele diz simplesmente e não esbanja nenhuma reação. —E espero que confessar isso, reduza minha pena.

Juan fala como se já tivesse planejado toda aquela sentença há tempos.

Há um completo silencio do outro lado da linha. Há um completo silencio em todo aquele galpão.

—Senhor Barichello, não estou entendendo.— Diana fala, por fim. —Dois dias antes, o senhor alegava sua inocência e total ignorância sobre todo o caso da morte misteriosa de sua esposa. E agora simplesmente liga e confessa? Isso não me parece certo.

Roni volta a pressionar a arma contra a cabeça Juan ao perceber que ele não estava sendo convincente o suficiente e isso poderia arruinar tudo.

—Eu menti, é obvio.— Juan volta a falar. —Mas estava falando com meu advogado e percebi que em breve eu seria descoberto e ele me informou do benefício de me entregar antes.

—Senhor Barichello...— Diana tenta argumentar outra vez, não parece crente no que estava ouvindo.

—Eu odiava a Alison, delegada.— Juan começa a falar e aquelas palavras são assustadoramente as mais sinceras que ele já falara. —Ela arrancou tudo de mim e todo dia, eu morria um pouco ao acordar ao lado dela. Nada era mais justo do que fazer o mesmo com ela.

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