Juan não podia acreditar no que estava vendo. Não podia, em multiverso algum, prever a grandiosa estupidez que Ayla acabara de fazer.
—O que você pensa que está fazendo?— Juan exclamou, desacreditado.
Ayla em sua frente não parecia temer, era como se ela tivesse a absoluta certeza do que estava fazendo. E por alguma razão, ela não se arrependia de nada. E Juan viu aquilo através dos seus olhos, viu sua teimosia e empatia ali.
—Estou declarando minha culpa.— Ayla fala por fim.
—Mas você não é culpada. Que diabos está fazendo aqui?— ele grita, parece exasperado ao enxergar mais uma confusão presente ali.
—Vou te contar como aconteceu, Juan.— Ayla começa a falar.
E então, ela conta. Horas antes, depois que tudo já havia sido resolvido, e ela ligara para Ryan que ainda estava na cidade e Emma já estava sob sua segurança, ela decidira ir até a delegacia.
De início, sua primeira reação foi perguntar sobre o Juan e informaram que ele estava na sala de interrogatórios. E então, ela pediu para chamar um dos detetives que na última vez em que ela estivera lá, a entregaram um cartão.
Vance estava ocupado com Juan, por isso quem a acompanhou até outra sala foi o detetive Gordon.
—O que você tem para nós hoje, senhorita Green?— o detetive pergunta. —Veio finalmente testemunhar contra o seu chefe?
—Na verdade, eu vim me entregar.— Ayla fala a primeira coisa que vem em sua mente. —Fui eu em quem matou a Alison.
Detetive Gordon encara Ayla no mesmo instante, completamente incrédulo no que ouvira.
—Isso é realmente incrível, senhorita Green. Porque passamos as últimas semanas buscando algum suspeito, e hoje, de repente, duas pessoas se entregam, alegando o mesmo crime.— Gordon comentou, com um tanto de ironia.
Ayla apenas encostou suas costas na cadeira e encarou o detetive. Ela tentava fortemente manter sua postura e coerência em toda aquela história.
—Cabe ao senhor então descobrir qual de nós está falando a verdade.— Ayla provoca.
—Então preciso resolver os seus enigmas agora.— Gordon rebate.
—O senhor é detetive, não é?— Ayla insiste.
Gordon a encara ao perceber a ousadia e provocação de Ayla. Mas ele então faz o que ela deseja, só para poder confirmar o que ela estava de fato planejando.
—Por que você está se apresentando e confessando o crime só agora?
—Como você sabe, estive fora da cidade e só voltei algumas semanas atrás, alegando que morava em outro lugar. Então, me aproximei ainda mais do Juan e de sua filha apenas para descobrir detalhes da investigação. E então, eu percebi que seria descoberta mais cedo ou mais tarde. E eu também me apeguei muito aos Barichello e eu não queria mais carregar esse fardo.
Gordon ouviu atentamente a resposta de Ayla, mas não anotara nada em seu bloco de notas.
—Qual foi o motivo por trás do seu ato então?— o detetive volta a perguntar.
—Eu a matei por ciúme. Estava apaixonada pelo Juan e eu não tinha mais escolha além de tirá-la do meu caminho.— Ayla responde simplesmente de um jeito tão frio quanto insensível.
Dessa vez, Gordon anota algo em seu caderninho e então volta a encarar a Ayla.
—Você tem alguma evidência que possa provar sua culpa ou inocência?
—Infelizmente, não tenho evidencias alguma. Eu soube apagar meus rastros muito bem.
Gordon quase sorri daquela resposta, mas então, volta a perguntar:
—Você então conhece algum detalhe específico sobre o crime que só o verdadeiro autor saberia?
—Sim.— Ayla se vê confirmando. —Vocês encontrarão infecções do trato respiratório inferior da Alison. O que quer dizer que Alison ingeriu ou foi forçada a certa substância horas antes que antecedeu sua morte.
Desde que chegara ali, aquela havia sido a primeira vez que o detetive Gordon havia, de fato, se intrigado. Porque a verdade era que a informação que Ayla havia detalhado não havia sido divulgada publicamente, e o modo como ela poderia saber de tudo aquilo, era de fato suspeito.
—Existe alguma testemunha ou prova que possa corroborar sua confissão?— Gordon retoma.
—Não tenho testemunhas. Creio que soube esquematizar bem todo o meu plano.— Ayla responde.
Gordon apenas se levanta e guarda seu bloco de notas no bolso do paletó.
—Tudo bem. Terminamos.— Ele avisa.
No mesmo instante, Ayla também se levanta. Confusa.
—O quê? É só isso?— ela quer saber.
Gordon então para e a encara e é quando diz:
—Na verdade, quero que me acompanhe.
E foi exatamente essa cena que levara Ayla até aquela sala, até estar de frente a Juan. E essa foi exatamente a história que ela contara a ele.
—Nunca ouvi uma história tão estúpida e cheia de buracos quanto essa.— Juan resmunga depois de ouvir tudo aquilo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Viúvo e a Babá