Juan sentiu como se o chão tivesse sido puxado de debaixo de seus pés assim que ele ouviu aquelas palavras saírem da boca dela.
Ele não esperava por aquilo, não estava preparado para a ideia de Ayla partir. Não quando ela já havia se tornado indispensável ali, na mansão, com ele.
—Por quê?— foi tudo o que Juan conseguiu dizer, sua voz saindo em um sussurro rouco.
Ayla olhou para ele com uma expressão de dor e tristeza.
—Eu preciso ir embora, preciso voltar para casa. Pelo menos por um tempo.
As palavras dela o atingiram como um soco no estômago. Ele não queria que ela partisse, não podia imaginá-la longe dele.
—Mas... e nós?— perguntou, lutando para manter a compostura.
Ayla desviou o olhar, incapaz de encará-lo diretamente.
—Nós... Nós também precisamos de um tempo— disse ela, sua voz falhando um pouco. —Eu preciso resolver algumas coisas por conta própria, e você... você precisa lidar com o que está acontecendo em sua vida.
Juan sentiu seu coração se apertar com as palavras dela. Ele sabia que ela estava certa, que ambos precisavam de tempo para lidar com seus próprios demônios. Que a sua confusão, insegurança e covardia iriam arrancar tudo dele.
—Eu entendo— disse ele, lutando para manter a voz firme. —Mas eu não quero que você vá.
Ayla olhou para ele, seus olhos cheios de dor e tristeza.
—Eu também não quero ir— disse ela, sua voz tremendo um pouco. —Mas eu não tenho escolha.
Juan queria dizer mais alguma coisa, queria implorar para que ela ficasse, mas as palavras simplesmente não saíram. Ele teve um vislumbre da dor do seu passado, a sensação de ver tudo que você mais queria, correndo de você. Indo para um lugar em que você não podia trazê-lo de volta.
—Eu preciso ir— disse ela, finalmente. —Eu... espero que você fique bem, Juan. E quanto a Emma, eu não consegui me despedir dela. Mas por favor, a diga que eu amo e que jamais a esquecerei. Nenhum de vocês.
E antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, ela pegou sua mala e saiu pela porta, deixando Juan sozinho na sala, com o coração pesado e uma sensação de perda avassaladora
A verdade era que Juan queria correr atrás dela, queria impedi-la de partir, mas sabia que não podia. Ela precisava fazer isso por si mesma, e ele precisava respeitar isso.
Ryan observava a cena com uma expressão sombria. Ele sabia que a partida de Ayla afetaria profundamente seu irmão, e não sabia se ele seria capaz de lidar com isso. Não outra vez.
Com um suspiro cansado, Ryan se levantou da mesa e saiu da sala, sabendo que precisava deixar Juan sozinho com suas emoções tumultuadas.
E assim, naquele ponto da história, Juan e Ayla passaram a seguir caminhos separados, cada um lutando para encontrar seu próprio caminho em meio ao caos de suas vidas.
E apenas o tempo diria se seus destinos se cruzariam novamente.
Quando Ryan se afasta e respeita o espaço do seu irmão, ele segue até o quarto de hóspedes. Ele ainda não tem nenhuma palavra certa que possa dizer a Juan, e nem acreditava que teria pelas próximas horas. Porque a verdade era que Ryan também estava preso demais em seus próprios demônios interiores naquele momento para poder aliviar Juan dos dele.
Ao entrar no quarto, Ryan sente um peso ainda maior sobre seus ombros. O silêncio lá dentro é quase ensurdecedor, como se cada respiração fosse um lembrete doloroso da situação em que se encontra.
Ele olha em volta, observando os detalhes do ambiente que antes pareciam tão familiares, mas que agora adquiriram uma aura de despedida.
Amanda está sentada na beira da cama, enquanto ela dobra cuidadosamente algumas peças de roupa e as coloca na mala.
Ela levanta o olhar quando Ryan entra, e então diz sorrindo:
—Acabaram de me ligar da clínica; eles precisam que estejamos lá amanhã no final da manhã.
Ryan observa Amanda por um momento, vendo a luta travada por trás daquele sorriso frágil. Ele quer dizer algo reconfortante, algo que possa aliviar a dor que ambos estão para enfrentar, mas as palavras parecem fugir dele.
—Tem alguma coisa que precisamos pegar em casa, Ryan? Ou tudo que precisamos já está aqui? Porque estava pensando, se tudo estiver certo, já podemos ir daqui mesmo— diz Amanda, voltando a se concentrar na mala.
Ryan balança a cabeça lentamente, sentindo um nó se formar em sua garganta. Ele sabe que não há nada que possam pegar em casa que possa mudar a situação em que se encontram. Eles estão presos em um pesadelo do qual não podem escapar, não importa o quanto desejem.
—Não, acho que está tudo aqui— responde ele, sua voz falhando ligeiramente. —Acho melhor nos prepararmos para amanhã.
Ryan observa Amanda por um momento, vendo a determinação em seus olhos apesar do medo que os enche. Ele sabe que ela está lutando para manter-se forte, para ser o apoio de que ele precisa neste momento difícil. E ele se pergunta se algum dia será capaz de retribuir tudo o que ela fez por ele.
—Amanda...— começa Ryan, mas as palavras morrem em sua garganta antes que ele possa terminar.
Amanda olha para ele, seus olhos cheios de preocupação. Ela sabe que há algo que ele quer dizer, algo que está pesando em seu coração, mas ela não sabe como ajudá-lo a expressar isso.

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