Ayla se recompõe e dando a volta, retorna ao seu quarto e ela observa a cama vazia. Juan já estava de pé, e completamente vestido, os cabelos negros em desordem e um sorriso tão magnifico que fizera o coração de Ayla errar uma batida.
—Bom dia!— ele diz, olhando para ela e para o relógio em seu pulso. —Sabe quanto tempo eu não dormia assim?
Ayla sorri enquanto dá voltas no quarto, retirando as bagunças jogadas no meio do quarto. Ela não quer encarar Juan, tem medo de fazê-lo. De encarar todos seus medos personificados ali.
—Nunca o vi acordando depois das sete da manhã. E já são quase meio-dia.— Ela comenta.
—Estava finalmente em paz.— Ele diz. —Onde você estava?
Ayla morde o próprio lábio com força quando ouve aquela pergunta e só tem certeza que não quer explicar ou começar mais nenhum conflito. Não além do que está dentro dela.
—Ah, eu fui apenas ver se tínhamos serviço de quarto; café da manhã ou almoço.— Ela fala a primeira coisa que vem a sua mente. —E não temos.
Juan sorri, apesar que ele já esperava algo assim.
—Não tem problema. Apenas se troque e a gente sai para comer em qualquer lugar.— Juan diz.
Ayla apenas assente e concorda sem pestanejar, porque sabe que se contestasse e começasse a falar qualquer coisa, não pararia até tudo que estava a incomodando saísse.
Assim que Ayla termina de se arrumar, ela e Juan saem daquela pousada e ela fala as opções de lugares em que eles podem ir. Eles escolhem e então os dois seguem a um pequeno restaurante que se localizava nas proximidades da casa dos pais de Ayla.
Quando chegam ao restaurante, Juan puxa a cadeira e ajuda Ayla a sentar-se. Ayla sorri consigo mesma, ao notar o quanto aquilo era gentil e doce. Era a versão de Juan que ela sempre desejou conhecer.
Naquele dia, o céu estava cinza. O nublado manchando o céu. E Ayla notara tudo isso quando olhou através das janelas do restaurante.
—Qual o problema?— Juan perguntou de repente, chamando atenção de Ayla.
—O quê?— ela pisca rapidamente e tenta dissimular quando olha pra Juan.
—Ayla, eu já a conheço o suficiente. Vamos pular essa parte.— Juan diz simplesmente, direto e cortante. Ele pôde ver a fúria no olhar de Ayla. Algo como um veneno letal.
No mesmo instante, um garçom se aproxima para anotar os pedidos e isso dá um tempo de Ayla organizar todos seus pensamentos antes de expressá-los.
Ayla sabia que Juan havia deixado óbvio que também a queria. Isso havia sido claro pelo todo o espaço que havia sido removido entre eles na última noite. Juan parecia compreender bem as motivações dela e isso se provou no modo em que ele a amou durante a noite toda. Realizando tudo que queriam, tudo que precisavam.
Então aquela era situação; Ayla já tinha vivido o suficiente e nada e nem ninguém nunca a fizera sentir-se do jeito que Juan fizera. Mas a pergunta é: Juan se sentiu do mesmo modo que ela?
—Então...— Juan volta a perguntar assim que ficam a sós.
—Eu não quero ser uma substituta dela.— Ayla diz simplesmente. —Não quero viver a margem da memoria de Alison, de suas comparações, de ser a segunda melhor.
Juan se encontrou no meio de uma confusão sobrenatural, perdido no meio das palavras confusas de Ayla. A verdade era que Ayla tinha alguns problemas com si mesma, e toda a sua insegurança se despertou com mais força.
—Ayla, do que você está falando?— ele pergunta, preocupado.
E então Ayla explica, fala do seu medo de não ser o suficiente e de que Juan só poderia estar se enganando com ela, buscando traços perdidos de Alison em Ayla.
Então, escolhendo suas palavras com a maior sinceridade e sentimentos, Juan começa:

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