Ayla assiste aquela cena como se fosse uma figurante em uma tragédia de sua própria família. Ela assiste sua irmã, desesperada, enquanto pede ajuda a quem quer que seja naquele restaurante.
Ayla quer se mover, quer reagir, mas está grudada no chão, sentindo-se congelada no tempo e em um fato que ela claramente não quer enxergar, não quer enfrentar. Mas sabe que precisa.
Juan ao seu lado, assiste toda aquela cena, confuso e se encontra completamente perturbado ao ver o modo que Ayla está petrificada, os olhos brilhando de terror e dor.
Ele se sente imponente, então, apenas coloca os braços em volta dos seus ombros, quando pergunta:
—Aquela é a sua irmã, Ayla? Você quer saber o que aconteceu?
A verdade é que diante daquela situação, Juan estava completamente confuso. Ele já estava assim, desde a última noite quando se perguntava como Ayla, ao retornar para sua cidade natal, havia preferido ficar em uma pousada irreal a ficar na casa dos seus pais.
E agora, ela parecia completamente alheia ao que estava acontecendo na sua família, mesmo estando bem ao lado deles.
—Sim.— Ayla acaba por sussurrar, e suas pernas estão um pouco bambas quando ela começa a andar em frente.
Juan ao seu lado, a ampara enquanto faz o mesmo caminho que ela. Até que Ayla para logo em frente ao balcão, ficando em frente a sua irmã.
—Cynthia, o que aconteceu?— Ayla pergunta, sua voz completamente trêmula.
Sua irmã instantaneamente a encara de cima a baixo, como se estivesse vendo uma estranha tentando se meter em assuntos de família, e não uma filha desesperada buscando notícias de sua mãe.
—O que você quer?— Cynthia grita de repente, em meio a lagrimas. O seu grito faz Ayla dá um sobressalto e Juan a segura contra o seu corpo. —Nós não precisamos de você. Minha mãe ficará bem. Por favor, ande logo, Logan.— Ela grita para dentro da cozinha.
—A mãe de vocês.— Juan diz simplesmente, a voz séria. —Ela também é mãe de Ayla.
Assistir aquela cena, a maneira rude e petulante que aquela mulher falara com Ayla, fez tudo em Juan se cobrir de raiva. Em outras ocasiões, ele jamais se meteria em problemas familiares, mas aquilo havia ferido Ayla completamente. Então, automaticamente, aquilo se tornou problema dele.
—E quem diabos é você?— Cynthia pergunta, depois de olhar Juan de cima a baixo. —Ah, deixe-me adivinhar; foi o cara ricaço da cidade por quem você trocou o Erlon.
Ayla baixou os olhos, envergonhada. Jeff havia realmente dito a ela que aquele era o boato que se estendia pela cidade toda, mas jamais poderia acreditar ou entender como sua família realmente acreditou nas palavras de Erlon.
Juan não teve tempo algum de responder aquela mulher insuportavelmente grosseira, porque a pessoa por quem ela estava esperando, surge saindo da cozinha do restaurante e para ao lado dela e eles começam a seguir em frente.
—Cynthia— Ayla chama mais uma vez. —Para onde estão a levando?
—Não é da sua conta.— Cynthia grita, antes de bater as portas do restaurante ao sair.
Ayla fica encarando a entrada, perplexa diante da crueldade e humilhação que sua própria irmã a fizera passar, mesmo diante de um momento que parecia tão difícil.
Ayla sente os olhares de todos nela e ela só quer que o chão se abra naquele instante e a engula, que a leve para longe de todos.
Juan assiste a situação em que Ayla se encontra e ele aperta o próprio punho com força, não conseguindo aceitar que ela, a pessoa mais doce e amorosa que ele conhecera na vida, passasse por algo assim. Ele só tem a certeza que irá arrancá-la de tudo aquilo.
—Ayla, me dê um minuto.— Ele pede, e rapidamente se afasta, entrando na cozinha do restaurante.
Todos os olhares pausam nele, assim como resmungos de protestos.
—Ei, o que pensa que está fazendo aqui?— o recepcionista do restaurante se encontrava na cozinha e foi o primeiro a falar com o Juan.

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