Ayla engole em seco, seus olhos também queimam, desejando derramar suas próprias lágrimas.
—Não. Eu sou a Ayla.— Ela responde, a voz extremamente baixa e trêmula.
—Não, não é.— Andrea diz de repente, e então segura o rosto de Ayla com ambas as mãos.— Ayla é o nome que eles deram a você, mas eu escolhi Luna. Então você é a Luna.
Aquilo foi o suficiente para as lágrimas de Ayla por fim, descerem.
—Você é ela?— ela pergunta, a voz chorosa. —Você é a minha mãe?
Andrea sorri largamente e então puxa Ayla para ela, num abraço tão caloroso e amoroso. Dentro de uma espera de vinte e seis anos de amor acumulado e guardado e agora, estava sendo expandido. Direto do coração de Andrea ao de Ayla.
Do coração de uma mãe para sua filha.
Naquele momento, Ayla não evita pensar, imaginar as memórias perfeitas que teria criado se tivesse vivido ali. Em um lar com amor. Mas logo ela recorda, que qualquer pequena colisão na estrada, qualquer folha caída de uma árvore em um momento errado e tudo mudaria, tudo seria diferente.
E por alguma razão, aquele momento havia sido lindo e perfeito demais para que ela arriscasse ou desejasse mudar.
—Você esteve na minha mente o tempo todo.— Andrea sussurrar ao se afastar de Ayla, mas ainda permanece segurando sua mão, como se quisesse recuperar todo o tempo agora.
—Então eu não entendo.— Ayla fala por fim, e a ainda há insegurança e dor em sua voz. —Por que me deixou?
—Eu não a deixei, querida. Eles me obrigaram.— Andrea explica.
—Eles?— Ayla pergunta, ainda mais confusa. —Do que você está falando?
Andrea respira fundo e se prepara psicologicamente para reviver tudo aquilo. Porque a verdade era que aquela história, diariamente, ainda corroía todo o seu ser.
—Volte a sentar. Irei explicar.
Ayla obedece e espera, ansiosa, enquanto sua mãe revela a ela toda aquela história.
—Na década de oitenta, a minha mãe era empregada dos seus avós. Meu pai havia a abandonado e ela precisava lutar sozinha para sustentar a mim e aos meus irmãos. Depois que me casei, aos quinze anos e tive a minha primeira filha, o meu marido morreu. E eu precisava trabalhar para sustentar a sua irmã, porque havia ficado sozinha.
—Eu tenho uma irmã?— Ayla perguntou, ansiosa.
Andrea assentiu, sorrindo.
—E em breve, você irá conhece-la.— Ela diz, mas logo continua sua história. —Então, também passei a trabalhar na casa dos pais do Edgar e foi quando o conheci. Então, sim, ele é realmente o seu pai.
Ayla assente, aquela noticia não faz nada dentro dela reagir positivamente ou negativamente, uma vez que seu pai sempre a tratou do modo mais neutro e indiferente possível. Ayla não tinha como se sentir feliz ou triste com aquela notícia.
—E o que aconteceu?— ela pergunta, por fim.
—Seu pai e eu nos apaixonamos. Bem, na verdade, eu me apaixonei pelo seu pai.— Andrea dá um sorriso sem tanto humor assim. —Eu trabalhava na cozinha e todo final de tarde, ele ia até o quintal da casa e ficava me chamando para conversamos, debaixo de uma arvore. E ali, fizera as maiores juras de amor e eu acreditei.
Ayla baixa os olhos, sente-se triste ao saber que a sua mãe havia sido enganada daquela maneira. A dor da traição e da mentira sempre causava revolta dentro dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Viúvo e a Babá