E bem ali, eles só souberam que existia coisas demais em suas cabeças para processar aquele momento de suas vidas agora e o rotular. E colocar em potes pequenos algo que era imensuravelmente infinito.
— Ele é meu companheiro. — Ayla responde por fim, e Juan assente com a cabeça.
Porque bem, ele era aquele que a acompanhava, que estava presente em todas atividades na sua vida nos últimos meses. E isso por si só, já era suficiente.
Andrea estava prestes a entender aquela ligação, até que o barulho de um despertador presente na sala, chamou sua atenção. Ela correu até o relógio e observando a hora, exclamou:
— Meu Deus, estou atrasada!
Ayla ouve o atordoamento em sua voz e se aproxima.
— O que aconteceu? Você tinha algo para fazer? Estamos incomodando, não é? Mas não se preocupe, nós já iremos embora. — Ayla fala tão rapidamente, que outra vez Andrea precisa de tempo para processar.
E assim que entende tudo que Ayla dissera, ela grita:
— Não! Nem pense nisso. — Ayla tem um sobressalto com o seu tom, e sua mãe estica a mão para tocar na dela. — Por favor, não vá embora agora. Precisamos conversar. Você não está atrapalhando em nada, pelo contrário. Você está me salvando depois de tantos anos de escuridão.
Ayla sorri ao ouvir aquelas palavras saindo da boca daquela mulher, da sua mãe. Aquele era o tipo de amor e devoção materno que Ayla tanto lera em livros e vira em filmes? Porque aquilo tipo de sensação era realmente mágico.
— Eu só preciso ir a fazenda ao lado para prender o gado de volta. Eu trabalho para os senhores daquela fazenda há um tempo. Eu juro que é rápido, e em breve volto. Enquanto isso, você pode conhecer a casa e os arredores com....
— Juan. — Ele interfere, quando percebe que ela quer falar o nome dele. Outra vez aquela mulher apenas franze o cenho ao observá-lo, mas logo se recompõe. — A senhora não aceita uma corona? Posso leva-la de carro.
No mesmo instante, Andrea sorri e nega freneticamente com a cabeça.
— Me desculpe, meu rapaz. Mas ir cavalgando no final da tarde é até lá é algo indispensável para mim. — Andrea responde.
— Você sabe cavalgar? — Ayla pergunta, admirada. — Tem cavalos por aqui?
Andrea assente sorrindo, enquanto se aproxima de uma estante e puxa uma cela de cavalo.
— Ainda temos muito para aprender uma da outra. E eu estou ansiosa para dividir tudo com você. — Ela avisa, mas logo se aproxima da porta e anuncia — Agora eu realmente preciso ir, estou atrasada. Te vejo em poucos minutos, Luna.
E se despedindo rapidamente, Andrea sai da casa. Ela assiste quando sua mãe caminha até o celeiro e pegando um cavalo de pelagem marrom branca, desaparece sitio a fora, sumindo entre os verdes.
— Luna? — Juan pergunta, confuso.
Ayla então solta um longo suspiro e ela finalmente sente a exaustão de tantas emoções nas últimas horas.
— Esse seria o meu nome. O nome que a Andrea escolheu para mim. A minha... mãe. — Ayla explica e percebe como aquilo soa estranho, dizendo em voz alta.
— Eu não entendo. Quer dizer, como? — Juan pergunta, verdadeiramente confuso.
— Você está com tempo? — Ayla pergunta, sorrindo.
— Todo do mundo. — Ele responde.
— Ok, vamos sentar. — Ela convida.
Ayla chama Juan para sentar do lado de fora daquela casa. Bem ao lado, há um banco de cerâmica, no meio das gramas e ao redor da árvore e é ali que eles ficam. Junto a natureza, enquanto Ayla revela a origem de sua própria natureza.
Assim que Ayla terminar de contar tudo que havia descoberto, Juan está exatamente como ela esperava: boquiaberto, o cenho franzido. Confuso. Surpreso. Admirado.
— Me senti exatamente igual a você. — Ayla diz, enquanto olha ao redor, para a vida distante da cidade.
Juan se vira para a observar e ele conhece Ayla o suficiente para saber que ela estava guardando coisas dentro de si que estavam lutando dentro dela para sair.
— E agora? Como você se sente? — ele pergunta, por fim.
Juan fica em silêncio enquanto espera por sua resposta e apenas permanece ao seu lado. Porque a verdade era que ele só queria a escutar.

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