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Os Gêmeos inesperados do CEO romance Capítulo 128

Amber

O reflexo no espelho era implacável. Meu rosto estava uma aquarela de roxos e vermelhos, o lábio cortado e inchado como um lembrete cruel do ataque. Ergui a blusa devagar, hesitando antes de encarar minha barriga. As manchas se espalhavam em tons sombrios, como se minha pele fosse um campo de batalha. Respirei fundo, engolindo o nó que subia pela garganta.

Eu não podia deixar os gêmeos me verem assim. Não de novo. Já tinham me visto machucada tantas vezes por causa de Peter, e não queria que tivessem mais essas lembranças. Eles finalmente estavam em um lugar seguro; eu tinha que protegê-los disso também.

A porta do banheiro se abriu devagar, e o reflexo de Leonardo apareceu no espelho. Ele entrou silenciosamente, seus olhos fixando-se em mim antes de parar atrás de mim. Sua mão pousou no meu quadril com gentileza, a presença sólida e calorosa que me fez respirar mais fundo.

"Vim te buscar para o jantar," ele disse suavemente, sua voz grave ecoando pelo espaço. Nossos olhos se encontraram pelo espelho, e o calor de sua preocupação quase me fez chorar.

Virei-me em seus braços, escondendo o rosto em seu peito. "Não consigo, Leo," murmurei, minha voz abafada contra ele. "Nem toda a maquiagem do mundo conseguiria disfarçar isso hoje. Amanhã, talvez, com a pomada... não quero assustar as crianças." Minha voz falhou no final, o peso da situação ameaçando me esmagar.

Ele não hesitou. Suas mãos subiram para as minhas costas, traçando círculos suaves, como se quisesse apagar as marcas do meu corpo com seu toque. "Tudo bem," ele disse, seu tom tão gentil quanto sua mão. "Vou pedir para trazerem seu jantar aqui. Você precisa descansar."

Me acalmei um pouco em seu abraço, mas o tom de sua voz mudou quando ele continuou. "Ah, e já combinei com Magnus sobre as aulas de defesa pessoal. Vamos começar na próxima semana." Ele beijou minha têmpora, a suavidade de seus lábios contrastando com a força em suas palavras. "E quero que você volte para a empresa comigo amanhã."

Levantei a cabeça abruptamente, meus olhos arregalados. "Voltar? Para fazer o quê? Leo, eu não lembro de nada. Como vou trabalhar?"

"Não precisa trabalhar imediatamente," ele respondeu, seu tom paciente. "Quero que você se reconecte com o ambiente. Isso pode ajudar suas memórias a voltarem. E Nadia, sua assistente, aquela que você a viu no hotel no primeiro dia, vai ficar com você o tempo que precisar."

"Vou ficar no outro prédio?" perguntei, hesitante.

Ele sorriu suavemente, como se antecipasse a pergunta. "Não existem mais dois prédios. Depois que você pediu demissão e eu fui o último a saber, percebi que precisava centralizar os processos. Agora, todo o pessoal de segurança de dados e RH está no prédio da Vitta Eleganza."

Mordi o lábio, ignorando a dor que isso causava. "E as crianças, Leo? Quem vai cuidar deles enquanto estamos fora?"

Ele riu baixinho, o som ecoando pelo meu peito. "Além das babás, meus pais e nonna não pretendem ir embora tão cedo. Temos uma equipe de apoio maior que muitas escolas."

"Eu nunca me separei deles," confessei, um pouco relutante. "Exceto quando estavam na escolinha."

Ele se inclinou mais perto, seus braços me apertando com firmeza. "Não vou colocá-los na escola agora," ele garantiu, sua voz firme. "Do mesmo jeito que consegui tirá-los de lá, Peter ou Martina poderiam tentar alguma coisa. Não vou correr esse risco. Vamos esperar tudo acalmar. Se precisar, contratamos uma professora particular. Mas acho que eles ainda são pequenos para isso."

"Não precisa," murmurei, tocando seu peito. "Eles ficando aqui, seguros, já é suficiente para mim."

"Obrigada por não desistir de mim," sussurrei, minha voz mal audível.

Ele se afastou apenas o suficiente para me olhar nos olhos. "Nunca," prometeu, seus olhos queimando com uma intensidade que quase me fez desmoronar. "Nem nos seus sonhos mais loucos eu desistiria de você."

Ficamos ali, abraçados no silêncio, enquanto o mundo lá fora desaparecia. Suas mãos continuaram a fazer carinhos suaves em minhas costas, como se quisessem apagar toda a dor e o medo. Por alguns momentos, éramos apenas nós dois, juntos, nos fortalecendo para enfrentar o que quer que viesse depois.

Enquanto estávamos ali, envolvidos naquele momento de paz que parecia tão frágil quanto precioso, o celular de Leonardo vibrou em seu bolso. Ele suspirou, como se relutasse em sair daquele refúgio que havíamos construído por alguns minutos.

"Magnus," ele murmurou ao olhar para a tela, seus olhos estreitando-se ao ler a mensagem.

"Algo errado?" perguntei, meu coração já acelerando.

Ele demorou um segundo para responder, os olhos ainda fixos no visor. Quando finalmente me encarou, a suavidade de antes havia desaparecido, substituída por uma seriedade gelada.

"Eu preciso resolver isso," ele disse, a voz baixa, mas carregada de tensão. "Fique aqui, B. Prometo que volto logo."

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