Leonardo
Meus olhos corriam por cada linha do documento que Magnus havia trazido, até que uma frase específica fez o sangue gelar em minhas veias. Li em voz alta, sem conseguir evitar:
"Walter Bayer está preso na Penitenciária Estadual de Millstone pela morte de Guinevere Hans, sua namorada. Ele pegou prisão perpétua pelos requintes de crueldade. O crime ocorreu há 15 anos e o preso é considerado de perigoso."
Minhas costas cederam contra o encosto da cadeira, o peso daquelas palavras me atingindo como um golpe direto no peito. Passei a mão pelo rosto, tentando processar o que acabara de ler, e depois olhei para Magnus, que me observava com atenção.
"Quando você vai me trazer boas notícias, Magnus?" perguntei com um suspiro, tentando aliviar o peso da tensão com um comentário irônico.
Ele riu baixo, puxando uma cadeira para se sentar. "Um dia, talvez. Mas acho que não vai ser hoje," respondeu, entregando-me outro olhar carregado de significado. "Ainda assim, encontramos mais algumas coisas... ou a falta delas."
Franzi o cenho. "O que quer dizer?"
Magnus ajustou-se na cadeira antes de continuar. "Procuramos informações sobre a mãe de Amber também, como você pediu. Mas não encontramos nada. Nem a certidão de óbito."
Isso me deixou rígido. Amber sempre havia dito que sua mãe morrera no parto. E se a história não fosse verdadeira? E se Walter tivesse...
"Você acha que ele a matou também?" murmurei, mais para mim mesmo do que para Magnus, mas o silêncio dele foi resposta suficiente.
Magnus inclinou-se para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos. "Não posso afirmar nada sem provas. Mas é estranho, não é? Nem uma certidão de óbito, nem um rastro sequer."
Fechei os olhos por um momento, tentando conter o redemoinho de pensamentos que se formava. Abri-os de novo e encarei Magnus com firmeza. "Continue procurando. Quero saber tudo. Cada detalhe."
Ele assentiu. "E Amber? Vai contar a ela?"
Passei a mão pelo queixo, ponderando. A ideia de guardar mais um segredo dela me parecia insuportável. Depois de tudo, não podia permitir que qualquer coisa se colocasse entre nós novamente.
Levantei-me também, agora com as mãos nos bolsos, minha postura casual, mas meu olhar fixo nele. "Não, Magnus. As coisas não ficaram mais complicadas. Apenas as máscaras desses malditos começaram a cair."
Ele não respondeu, apenas desviou o olhar, como se estivesse procurando as palavras certas. Finalmente, deu de ombros, oferecendo um pequeno sorriso. "Talvez você tenha razão. As coisas estão começando a se revelar, uma por uma."
"Exatamente," concordei, batendo levemente em seu ombro. "E vou precisar de você nisso. Então, se tiver algo mais para me contar sobre a Dra. Gabriela ou qualquer outra coisa, agora é a hora."
Magnus hesitou por um momento antes de balançar a cabeça. "Não é nada que você precise se preocupar, chefe. Eu garanto."
Eu não estava totalmente convencido, mas deixei o assunto de lado, pelo menos por enquanto. Voltei minha atenção para os papéis espalhados na mesa e para o pen drive que ainda estava conectado ao laptop. As anotações detalhadas e os projetos atualizados ainda pairavam em minha mente, uma sombra que eu sabia que não desapareceria tão cedo.
"Ok," murmurei, pegando um dos documentos novamente. "Vamos voltar ao trabalho. Temos muito o que resolver antes da primeira reunião. Me alerte sobre qualquer nova descoberta."
Magnus assentiu e deixou a sala, mas não antes de lançar um último olhar para mim, algo entre preocupação e respeito. Fiquei sozinho novamente, mas a sensação de que algo maior estava se formando ao meu redor era inegável. Amber, Walter, o pen drive, Martina, Peter... tudo parecia conectado de alguma forma. E eu estava determinado a descobrir como.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Os Gêmeos inesperados do CEO