Amber
Ainda estava mexida com o que Leonardo havia acabado de me contar. Por mais que quisesse fingir que aquilo não me atingia, algo dentro de mim parecia se contorcer. Minha mente estava confusa, tentando processar a ideia de que minha vida poderia ter sido muito pior do que eu imaginava. Meu pai seria mesmo capaz de matar minha mãe e inventar aquela história? Não queria pensar muito sobre isso. Era demais para digerir.
Com um suspiro pesado, saí das garras de Leonardo, sentindo o calor de suas mãos relutantes em me soltar. Caminhei até a mesa e peguei as pastas que Layla havia deixado. Olhei o conteúdo: eram os documentos para a reunião que aconteceria dentro de uma hora.
Leonardo se levantou, ajeitando a gravata e observando-me com um sorriso leve. "Está animada para a reunião?" perguntou, mas o tom era de brincadeira.
"Apavorada," respondi sinceramente, balançando a cabeça.
Ele riu, aproximando-se. "Não precisa disso. Eu vou estar ao seu lado o tempo todo."
"Eu sei," murmurei, forçando um sorriso. "Mas acho que preciso de um café para absorver melhor tudo o que aconteceu hoje."
"Ótima ideia," concordou. "Vou com você."
"Nem pensar." Fiz um gesto para que ele se sentasse. "Você fica aqui. Eu trago para você."
Ele arqueou uma sobrancelha, divertido. "Está planejando me manter preso nessa sala, Amber?"
Dei uma risada baixa, mas meu tom carregava mais verdade do que ele imaginava. "Ainda não quero ver a Nadia perto de você."
"Ah, entendi." Ele riu novamente, inclinando-se contra a mesa com um sorriso travesso. "Sou o dono da empresa, mas não posso andar por ela."
"Isso mesmo," respondi, já caminhando para a porta. Antes de sair, virei-me para olhá-lo mais uma vez. "Fique aí. Volto logo." Parei na porta por um segundo olhando para sua expressão e sorri. "Café sem açúcar?" ele concordou e saí.
Enquanto andava até a copa, tentava controlar a mistura de sentimentos que pulsavam dentro de mim. A raiva latente por Nadia e sua tentativa clara de semear discórdia. A angústia pelas revelações sobre meu pai. Tudo parecia estar em conflito dentro de mim.
Na copa, comecei a me servir de café, aproveitando o breve momento de solitude para tentar recuperar o equilíbrio. Estava distraída quando uma voz me fez pular de susto.
"Amber! Não quis te assustar," disse Nadia, mas o sorriso em seu rosto indicava exatamente o contrário.
"Conseguiu mesmo assim," respondi, me endireitando e tentando parecer indiferente.
Peguei os dois cafés e comecei a me afastar, mas ela me seguiu. "Como você pode simplesmente voltar e já ser noiva do chefe? É tão... repentino."
Parei de andar e me virei para ela, avaliando-a de cima a baixo com um olhar frio. "Nadia, não importa o cargo que você tenha aqui na empresa. Se continuar insistindo em assuntos pessoais ou fazendo insinuações maldosas, vou demiti-la imediatamente."
O rosto dela empalideceu na mesma hora, e ela começou a se retratar. "Desculpe, senhora Bayer. Me excedi. Só fiquei curiosa, porque... bem, todos os sites de fofoca estão comentando sobre isso."
"Não quero saber de curiosidade," disse, dando-lhe um olhar duro. "É bom você ficar fora do meu caminho."
Nadia balbuciou mais um pedido de desculpas antes de se afastar, e eu segui de volta para a sala de Leonardo, o coração batendo rápido. Assim que entrei, ele olhou para mim com curiosidade.
"Trouxe o café," murmurei, tentando parecer casual, mas ele percebeu minha tensão imediatamente.
"Está tudo bem?" perguntou, levantando-se e colocando as mãos em meus ombros.
"Agora está," respondi, soltando um suspiro enquanto me entregava ao calor reconfortante de sua presença.

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