Amber
Após o almoço, voltei para o escritório, sentindo o peso da realidade retornar aos meus ombros. O momento de leveza ao lado das crianças e de Nonna Rosa havia sido um respiro necessário, mas agora era hora de voltar ao foco. As ameaças contra nós não haviam desaparecido, e se eu queria manter minha família segura, precisava continuar a fechar as brechas que ainda existiam.
Assim que me sentei diante do computador, abri o sistema de segurança da MGroup e continuei a análise dos acessos suspeitos. Nas últimas horas, havia conseguido bloquear diversos pontos vulneráveis, mas ainda havia rastros de movimentações estranhas. Minha intuição dizia que a ameaça não estava apenas do lado de fora, mas também dentro da empresa.
O som da porta se abrindo me tirou dos pensamentos.
Leonardo entrou, o olhar atento pousando sobre mim antes que ele fechasse a porta e caminhasse até minha mesa.
"Descobriu mais alguma coisa?" Sua voz carregava uma mistura de cansaço e determinação.
"Fechei mais dois acessos suspeitos," respondi, mantendo os olhos na tela enquanto finalizava a nova restrição no sistema. "E adivinha só? Nádia já mandou um e-mail perguntando se eu fiz alguma alteração."
Leonardo franziu o cenho. "Ela questionou diretamente você?"
"Sim. Disse que o sistema está bloqueando algumas permissões e perguntou se eu fiz alguma mudança sem comunicar."
"Você respondeu o quê?"
"Que não," suspirei, cruzando os braços. "Que estou em casa, cuidando dos gêmeos, e não tenho mexido em nada. Mas é estranho, porque ela não deveria perceber essas mudanças tão rápido, a menos que estivesse diretamente envolvida no que estamos tentando impedir."
Leonardo passou a mão pelo queixo, pensativo. Seu olhar ganhou um brilho perigoso, como se estivesse começando a montar um quebra-cabeça.
"Amber, e se Nádia for a informante que permitiu o acesso às contas bancárias?"
Fiquei em silêncio por um momento, digerindo a possibilidade. Era uma hipótese plausível.
"Quando você desapareceu, Nádia não apenas assumiu algumas das suas funções, mas fez questão de deixar claro para o RH que queria a sua vaga permanentemente. Ela agiu como se soubesse que você não voltaria."
Fiquei tensa. Mesmo sem Leonardo ter mencionado isso antes, minha intuição já havia me alertado. Lembrei-me do momento em que finalmente retornei à MGroup, o olhar de Nádia, uma combinação desconfortável de surpresa e ressentimento, como se minha presença fosse uma ameaça ao lugar que ela acreditava ser dela.
Leonardo continuou, seu tom mais baixo e carregado de suspeita.
"Ela sempre se mostrou uma funcionária exemplar, mas agora, ligando os pontos… Ela esteve tempo suficiente dentro da empresa para saber como as camadas de segurança funcionam, e se teve envolvimento no desvio das contas, ela pode ter facilitado o acesso para alguém de fora."
Meu estômago se revirou. A ideia de que alguém tão próximo estivesse ativamente tentando sabotar a empresa me fazia sentir um calafrio subindo pela espinha.
Leonardo não perdeu tempo. Pegou o telefone e discou um número rapidamente.
"Magnus, preciso que venha ao escritório aqui de casa. Precisamos discutir a investigação e ver se o estagiário infiltrado já encontrou alguma coisa sobre a Nádia."
Ele ouviu por um momento antes de responder. "Ótimo. Estamos esperando."
Assim que desligou, ele se encostou na mesa, cruzando os braços. Seu olhar estava sombrio.
"Se Nádia for realmente a informante, precisamos pegá-la antes que ela tente cobrir os rastros."
Assenti, sentindo a adrenalina correr pelo meu corpo. "E se ela estiver em contato com Peter ou Martina, então eles já devem saber que estamos monitorando os acessos."
O pensamento era preocupante. Estávamos lidando com inimigos que não hesitariam em jogar sujo, e agora não havia mais espaço para erros.
A porta se abriu novamente e Magnus entrou com sua postura séria de sempre, o olhar avaliativo indo diretamente para Leonardo antes de pousar em mim.
"Falei com o estagiário infiltrado antes de vir para cá," ele começou sem rodeios. "Ele percebeu que alguém tem tentado acessar arquivos administrativos de alto nível, mas sempre esbarra em uma barreira de segurança que foi reforçada recentemente."
"Isso confirma nossas suspeitas," murmurei, sentindo um nó apertar minha garganta.
Magnus franziu o cenho. "Vocês acham que a Nádia está envolvida?"
"Não achamos," Leonardo corrigiu. "Temos quase certeza."
Expliquei rapidamente sobre os e-mails suspeitos e como ela percebeu as mudanças no sistema antes de qualquer outro funcionário. Magnus me ouviu com atenção, os olhos se estreitando à medida que eu detalhava a situação.
Leonardo e Magnus trocaram olhares.
"Significa que é alguém dentro da MGroup," Leonardo concluiu.
Assenti, sentindo um frio na espinha. "Alguém com conhecimento avançado está tentando acessar os dados bancários novamente."
Magnus respirou fundo. "Isso significa que o cerco está apertando. Eles sabem que estamos próximos de descobrir tudo."
Leonardo se inclinou sobre a mesa, a mandíbula travada, os olhos queimando de fúria. "Pegue esse IP. Agora. Se for ela, quero essa mulher algemada antes do pôr do sol." Seus dedos tamborilaram sobre a mesa, sua mente claramente já arquitetando os próximos passos.
"Se não conseguirmos rastrear pelo sistema, vamos rastrear pelas movimentações dela. Magnus, quero câmeras, registros de login, qualquer coisa que a coloque na cena do crime."
Magnus assentiu, já pegando o telefone para acionar a equipe.
"Se essa mulher pensou que podia me roubar e sair impune,' Leonardo murmurou, 'ela acabou de cometer o maior erro da vida dela."
Olhei para ele e vi a mesma determinação que corria em minhas veias.
"Estou quase lá," murmurei, os olhos presos na tela, os dedos digitando rapidamente. A invasão estava bem camuflada, e quem quer que estivesse do outro lado, sabia o que estava fazendo.
Minhas mãos apertaram o teclado com força. "Droga! O sistema está mascarando a numeração. Está vindo de múltiplos IPs falsos, dificultando o rastreamento direto."
Leonardo franziu o cenho. "Isso significa que não é um ataque amador."
Magnus exalou, cruzando os braços. "Se esse hacker conseguiu mascarar os acessos tão bem, é porque teve alguém dentro da empresa para ensiná-lo como burlar a segurança da MGroup."
Meu estômago se revirou. Era isso.
Me virei para os dois. "Isso só reforça que temos um traidor interno. E, se não conseguirmos rastrear o IP diretamente, a única opção é ir atrás do infiltrado para conseguir provas."

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