Leonardo
O carro deslizou suavemente pela entrada da mansão, e, no momento em que estacionei, Amber já estava saindo pela porta principal. Ela desceu os degraus com passos decididos, a bolsa pendurada no ombro e os cabelos soltos, balançando com o movimento.
Ela parecia focada, determinada. Mas eu sabia que, por trás dessa fachada, havia coisas que ainda não havíamos dito.
Baixei o vidro do passageiro. "Vamos?"
Ela apenas assentiu, abrindo a porta e se acomodando no banco ao meu lado. Não houve toques, nem sorrisos largos. Ainda existia uma barreira invisível entre nós. Mas pelo menos estávamos nos falando mais, e isso já era um progresso.
Conforme eu saía da propriedade e pegava a estrada para a clínica, o silêncio entre nós era confortável, mas carregado de expectativas. Foi Amber quem quebrou primeiro.
"Como foi a reunião com Magnus?"
Dei um leve suspiro antes de responder. "Estamos nos preparando para capturar Nádia. Não temos provas definitivas ainda, mas sabemos que ela é a responsável pelo vazamento das informações."
Amber assentiu lentamente, cruzando as pernas e apoiando os braços no console central. "E qual é o plano?"
"Vamos colocar uma isca para ela." Apertei levemente o volante. "Inventamos uma história sobre um investidor interessado em comprar parte da MGroup. Algo grande o suficiente para deixá-los desesperados. Se a informação for parar nos ouvidos de Peter ou Martina, saberemos que a escuta no meu escritório é real."
Amber ficou em silêncio por um momento antes de sorrir de lado. "Vocês pensaram bem, mas acho que posso melhorar isso."
Meus olhos se desviaram rapidamente para ela antes de voltar para a estrada. "Estou ouvindo."
Ela se ajeitou no assento, seu tom ficando mais intenso. "Dentro do Sombra, eu desenvolvi um código para criar uma armadilha digital. Basicamente, posso deixar que ela ache que está quebrando todas as barreiras do sistema, permitindo um acesso a informações e contratos."
Levantei uma sobrancelha. "E como isso garante que pegaremos ela?"
"Se Nádia for tão esperta quanto pensamos, ela vai tentar acessar essa informação." Amber me lançou um olhar carregado de intenção. "Mas o que ela não sabe é que, no momento em que ela cair nessa armadilha, o Sombra irá capturar todos os rastros dela e nos dar um caminho direto para onde ela está e quem mais está envolvido."
A ideia dela me empolgou imediatamente.
"Você pode fazer isso?"
"Já está pronto." Ela sorriu de forma calculada. "Assim que voltarmos do médico, eu ativo a armadilha. Então vocês podem marcar a reunião na sua sala e soltar a isca. Peter ou Martina vão entrar em contato com ela, pedindo para rastrear esse 'investidor misterioso', e é aí que pegamos ela."
Meu peito se encheu de uma adrenalina diferente. Isso poderia finalmente nos dar a prova que precisávamos.
"E assim que ela acessar o sistema..." Amber continuou, "o Sombra vai mostrar de onde está vindo a conexão. Vocês precisam estar prontos para pegá-la. Porque no momento em que ela perceber o que aconteceu, ela vai tentar fugir."
"Amber piscou rapidamente, surpresa pela pergunta, como se não esperasse ouvir algo tão simples e, ao mesmo tempo, tão significativo.
Mas então, um sorriso nasceu em seus lábios. Um sorriso verdadeiro, sem reservas, sem barreiras. Um sorriso que eu não via há dias.
E foi naquele instante que percebi—ainda havia esperança para nós.
"Sim," ela respondeu, sua voz mais suave, mais viva.
E naquele momento, nada mais importava.
Nem Nádia. Nem Peter. Nem os riscos que estávamos correndo.
"Desta vez, não haveria ausências. Não haveria vazios. Eu não deixaria que esse momento fosse roubado de mim novamente.
Na primeira vez, eu nem soube. Não vi sua barriga crescer, não senti nossos filhos chutando dentro dela, não estive ali para segurar sua mão quando o medo a consumia. E isso me assombra todos os dias.
Agora, eu estaria presente. Eu seria sua força, seu suporte, o homem ao seu lado para tudo o que ela precisasse. Porque esse era o meu papel, não apenas como noivo, companheiro e futuro marido, mas como pai.
E se dependesse de mim, nada e ninguém tiraria isso de nós."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Os Gêmeos inesperados do CEO