Amber
O ar dentro da MGroup parecia mais denso, carregado de choque e incredulidade. Os corredores estavam cheios de funcionários cochichando entre si, tentando entender como duas pessoas que trabalhavam ao lado de Leonardo por tanto tempo poderiam ter traído a empresa daquela forma. A sala de segurança cibernética estava um verdadeiro caos – policiais entrando e saindo, analisando arquivos, questionando a equipe de TI, coletando provas.
Leonardo estava do outro lado do corredor, ao lado de seu advogado e do investigador responsável pelo caso. Sua postura era rígida, o olhar fixo nos documentos que passava para eles. Magnus estava um pouco afastado, falando ao telefone, provavelmente organizando medidas de contenção para o estrago que Nádia e Layla causaram.
A movimentação ao meu redor parecia acontecer em câmera lenta. Meus olhos varriam o ambiente, absorvendo o choque e o caos, mas minha mente estava longe. Encostei-me à mesa de Layla, sentindo o peso de tudo o que havia acontecido. O gosto amargo da traição ainda estava fresco na minha boca.
Eu sabia que a empresa estava sob ataque, mas nunca imaginei que alguém tão próximo, alguém em quem Leonardo confiava de olhos fechados, fosse parte desse jogo sujo.
A porta do elevador se abriu com um som metálico, e quando olhei para frente, vi Gabriela saindo de lá.
No mesmo instante, toda a tensão acumulada no meu peito se dissolveu um pouco. Meu corpo reagiu antes da minha mente, e antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, corri até ela e a abracei com força.
Gabriela me envolveu em seus braços, sua presença quente e reconfortante, trazendo um pouco de paz ao meio daquela tempestade.
"Você está bem?" ela perguntou, afastando-se levemente para olhar meu rosto.
Eu soltei um suspiro, assentindo. "Sim. Agora que conseguimos pegar aquelas duas, eu deveria estar aliviada. Mas, ao mesmo tempo... ainda estou chocada. Como duas pessoas tão próximas de Leonardo fizeram isso?"
"Só conhecemos as pessoas depois que descobrimos suas motivações. Não posso aformar, mas dinheiro e status, sempre tem um grande peso em ações como essa." bufei irritada.
"Elas nunca pareceram pessoas más, principalmente Layla. Como pode ser tão sonsa a ponto de entrar nesse esquema?"
"Vamos esperar a investigação e ver o que eles descobrem." concordei, mesmo que aquela não fosse a resposta que eu queria.
"E o que você veio fazer aqui?" questionei.
Gabriela suspirou, balançando a cabeça. "Magnus me pediu para vir. Achou que você precisaria de apoio."
Sorri levemente. "A presença de uma amiga sempre é bem-vinda."
Ela me deu um sorriso reconfortante e olhou ao redor. "E agora? Quais são os próximos passos?"
"Precisamos comprovar que o dinheiro estava indo para as contas de Peter e decretar a prisão dele," expliquei, cruzando os braços. "Além disso, Leonardo quer pegar tudo de volta. Cada centavo que roubaram dele."
O peso do momento estava nublando aquela sala, e eu o sentia em meus ombros.
Mas o que realmente me preocupava... era Leonardo.
Meus olhos voltaram para ele. Seu rosto estava sério, cada músculo de seu corpo rígido como aço enquanto continuava falando com os investigadores. Seu maxilar estava travado, os dedos apertavam os papéis como se fossem sua única âncora.
"Estou preocupada com ele," confessei em um sussurro. "Não é só o dinheiro ou a empresa. É a traição. Layla era alguém em quem ele confiava de olhos fechados."
Gabriela me observou por um momento antes de responder. "Ele precisa de tempo para processar isso, Amber. Pessoas como Leonardo, que carregam tanto poder e responsabilidade, sabem que podem ser roubadas. Mas quando a traição vem de dentro... é mais difícil de aceitar."
Assenti lentamente, sentindo um aperto no peito.
"Tenho medo de que ele se feche," continuei. "De que assuma todas as responsabilidades, esquecendo de todo o resto. Eu o conheço bem o suficiente para saber que ele vai querer consertar tudo sozinho, sem pedir ajuda."
"Então, esteja lá para ele," Gabriela aconselhou, sua voz suave, mas firme. "Mesmo que ele não peça. Mesmo que ele ache que pode lidar com isso sozinho. Você não pode tirar o peso das costas dele, Amber. Mas pode ser o apoio que ele precisa."
Respirei fundo, absorvendo suas palavras.
Leonardo nunca foi bom em dividir seus problemas. Ele sempre carregou o mundo nas costas, se recusando a mostrar fraqueza. Mas ele não estava sozinho.
Ele nunca mais estaria sozinho.
Dei um passo à frente, me preparando para ir até ele, mas antes que pudesse me mover, meu celular vibrou no bolso.
"Porque eu sei que a empresa não é o seu verdadeiro ponto fraco."
Meu estômago despencou.
A ameaça estava ali. Clara. Crua.
Ele não estava falando da empresa.
Ele estava falando dos meus filhos.
Minha mão apertou o telefone com tanta força que meus dedos ficaram brancos.
"O que você quer?" perguntei, minha voz saindo mais firme do que eu esperava.
Peter soltou um suspiro longo, arrastado, como se estivesse se divertindo.
"O que eu quero?" ele repetiu, pausando por um segundo antes de continuar. "Logo, Amber... logo você vai saber."
O telefone ficou mudo.
Meu coração disparou, minha respiração ficou rasa, e minha mente projetou mil possibilidades aterrorizantes.
"Amber, o que foi?" Gabriela segurou meu braço, tentando me trazer de volta.
Mas eu não conseguia responder.
Meus olhos foram diretamente para Leonardo, que ainda estava do outro lado da sala, completamente alheio ao que estava acontecendo.

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