Amber
Estávamos há três dias em Aspen, e, pela primeira vez em semanas, o peso que carregava nos ombros parecia mais leve. A casa era aconchegante, cercada por montanhas cobertas de neve, e o ambiente calmo era exatamente o que precisávamos. Eu seguia as recomendações médicas à risca, me cuidando e descansando, e, embora os problemas em California Springs ainda pairassem sobre nós, naquele momento, tudo parecia em paz.
Na sala de estar, Leonardo, Nonna Rosa, as crianças e eu estávamos reunidos em torno de uma mesinha baixa. Bella e Louis estavam no chão, concentrados, com lápis coloridos e folhas espalhadas por todos os lados, enquanto desenhavam freneticamente. A tarefa? Criar desenhos para que nós, adultos, adivinhássemos.
"Cabei!" Bella anunciou, segurando uma folha com o entusiasmo de quem estava apresentando uma obra-prima. Ela ergueu o papel e olhou diretamente para o pai. "Sua vez, papai."
Leonardo inclinou-se para frente, franzindo o cenho enquanto analisava o rabisco colorido no papel. Era um amontoado de formas e linhas tortas, com algo que parecia um círculo no centro.
"Hum…" Ele coçou a nuca. "É… uma pizza?"
Bella bufou, revirando os olhos dramaticamente. "Não, papai! É o sol com laios!"
"Ah, claro," ele respondeu rapidamente, tentando corrigir o erro. "Agora faz sentido! Olha só como esses raios estão… brilhantes!"
Bella cruzou os braços, visivelmente irritada. "Você nunca aceta, papai!"
Eu não consegui segurar a risada, e Nonna Rosa gargalhou ao meu lado, batendo a bengala levemente contra o chão. "Leonardo, meu querido, você só é bom com números. Por isso faz filho de dois em dois!"
A sala explodiu em risos. Até Bella, que inicialmente estava brava, acabou rindo junto. Louis apontou para o pai, rindo tanto que chegou a cair para trás no tapete.
Leonardo colocou a mão no peito, fingindo estar ofendido. "Ei! Eu sou ótimo em várias coisas, tá bom? Só… não sou muito bom com desenhos infantis." Ele olhou para mim, piscando. "Você sabe disso, Amber."
Balancei a cabeça, ainda rindo. "Eu não vou te defender dessa vez, Leo."
"Ponto!" Louis ergueu outro desenho, todo orgulhoso. "Esse é fácil, papai! Você vai aceta!"
Leonardo se inclinou novamente, estreitando os olhos para o papel. Dessa vez, o desenho tinha algo que parecia ser uma casa… ou talvez um barco? Ele hesitou, olhando para Louis, que o encarava cheio de expectativa.
"É… uma… cabana?" Leonardo arriscou.
"Não!" Louis exclamou, indignado. "É um catelo! Olha as torres!"
"Tia Gabi, vem bincar com a gente!" Bella insistiu, segurando sua mão.
Gabriela hesitou, mas acabou cedendo, sentando-se ao lado das crianças enquanto Louis começava a explicar as regras do jogo de adivinhação.
Eu sorri, mas algo não estava certo. Gabriela estava desconfortável, mesmo enquanto tentava interagir com os pequenos. Seus sorrisos pareciam forçados, suas respostas eram curtas. E então, senti.
A mesma energia que eu conhecia tão bem.
A energia de alguém que carregava medo, de alguém que estava escondendo algo. Era a mesma sensação que eu tinha quando estava com Peter. A sensação de estar constantemente em alerta, de esperar que algo ruim acontecesse a qualquer momento.
Observei Gabriela mais atentamente enquanto ela tentava adivinhar um dos desenhos de Bella. Ela riu, mas seus olhos não brilhavam como de costume.
Meu coração apertou. Algo estava errado. Muito errado.
E, enquanto todos riam e brincavam, eu não conseguia afastar a sensação de que Gabriela estava vivendo um pesadelo silencioso, assim como eu vivi. E a única pergunta que eu não conseguia tirar da cabeça era: o que ela estava escondendo? E como eu poderia ajudá-la?

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