Peter
Entrei no meu escritório com um estrondo, a porta batendo contra a parede. O som ecoou pelo espaço vazio, mas não era suficiente para aliviar a fúria que queimava dentro de mim. Meu peito subia e descia enquanto eu tentava processar o que Owen acabara de fazer. A traição. O descaramento.
Aquele desgraçado me deixou sem saída.
Passei as mãos pelos cabelos, puxando-os levemente, enquanto minha mente girava em um turbilhão de raiva e desespero. A venda das ações, os acessos bloqueados, as finanças travadas. Tudo estava indo para o inferno, e eu precisava agir. Precisava de uma saída.
Foi então que o nome dela surgiu na minha mente.
Martina.
Se alguém entendia o que era jogar sujo e revidar com força, era ela. Nós tínhamos nossas diferenças – diferenças colossais – mas, no momento, ela era a única pessoa que poderia me ajudar.
Peguei o telefone e disquei o número dela com dedos trêmulos, a raiva e o orgulho lutando dentro de mim enquanto o som do toque ecoava no silêncio.
Ela atendeu no segundo toque.
"Olha só quem resolveu aparecer," disse a voz melódica de Martina, carregada de sarcasmo.
"Martina," comecei, ignorando o tom dela, "não tenho tempo para os seus joguinhos agora. Preciso de ajuda."
"Ajuda?" Ela prolongou a palavra como se saboreasse o gosto dela na boca. "O grande Peter Calton, precisando de ajuda. Isso é um evento raro."
"Martina, pelo amor de Deus, para com isso!" rosnei, segurando o telefone com tanta força que meus dedos ficaram brancos. "Estou falando sério. Minha empresa está desmoronando, e eu preciso que você faça alguma coisa."
"Ah, claro, Peter. Porque, obviamente, sua ruína é minha prioridade agora." Sua risada foi baixa e provocante, carregada de desprezo.
"Martina, escuta," continuei, tentando controlar a explosão que ameaçava escapar. "Owen vendeu as ações dele para um investidor, e eu preciso recuperá-las. Preciso que você me ajude a voltar a ter acesso às contas do Leonardo. Se conseguirmos isso, posso comprar as ações e reverter a situação."
Do outro lado da linha, silêncio.
"Martina?" chamei, com a paciência se esgotando.
Então veio o som.
Uma risada.
Mas não qualquer risada. Era fria, cortante, cheia de desprezo.
"Qual é a graça?" perguntei, minha voz mais alta do que pretendia.
"Você," ela respondeu, ainda rindo. "Você é a graça, Peter. É inacreditável o quanto você é... previsível."
Minha paciência quebrou.
"Você acha que isso é uma piada?" gritei, levantando-me da cadeira com tanta força que ela quase tombou para trás. "Você está brincando com algo sério, Martina! Isso não é hora para suas gracinhas!"
Do outro lado, ela ficou em silêncio por um momento, e então, sua voz veio mais calma, mas carregada de veneno. "Você se lembra, Peter, o que me disse quando eu precisei da sua ajuda?"
Fiquei em silêncio.
"Eu me lembro muito bem," continuou ela, o sarcasmo pingando de cada palavra. "Disse que eu era um peso morto, que deveria me virar sozinha. Lembra disso?"
"Martina, isso é passado..." comecei, mas ela me interrompeu.
"Não, Peter. Isso não é passado para mim. Eu sou uma pessoa rancorosa. E sabe o que é engraçado? Agora, você está na merda, e está me pedindo ajuda. Isso é hilário. E o melhor, a resposta que me deu aquele dia, se adequa perfeitamente a você hoje."
"Você não pode fazer isso," gritei, meu corpo vibrando de raiva. "Eu só tenho você agora! Você é obrigada a me ajudar!"
"Obrigada?" Martina soltou uma gargalhada seca. "Obrigada a nada, Peter. Se você está ferrado, é porque é um péssimo empresário. Sempre foi. Tentou competir com Leonardo, mas nunca chegou nem perto. Quer saber? Eu mal posso esperar para assistir sua queda. Vou estar na plateia, e se puder, compro o camarote para tirar muitas fotos e espalhar por aí."
Ela ajudou aquele desgraçado a me destruir, a puxar meu tapete e acabar com o pouco que ainda me restava.
"DESGRAÇADA!" O rugido saiu antes que eu pudesse segurar, e, num acesso de fúria, comecei a revirar tudo ao meu redor.
A mesa foi empurrada com um estrondo. Papéis, pastas e objetos voaram pelo ar. Puxei os livros da estante, arremessando-os contra o chão como se fossem responsáveis pelo caos que me consumia. Um vaso ornamental caiu e se espatifou em mil pedaços, mas a destruição ao meu redor não parecia suficiente.
Eu estava fora de mim.
Peguei a cadeira e a joguei contra a parede, deixando marcas profundas no gesso. O som dos meus próprios gritos ecoava, misturado ao ruído das coisas sendo quebradas.
Eu estava fodido.
Mais do que fodido.
Eu estava acabado.
Caí no chão, apoiando os cotovelos nos joelhos, tentando puxar o ar que parecia faltar. Minha mente fervia, cada pensamento uma lembrança de como cheguei até aqui.
Martina. Owen. Leonardo. Amber.
Todos eles tinham me derrubado de alguma forma. E agora? Eu estava no chão, cercado pelos destroços do meu próprio escritório, sem saber como me levantar.
Não.
Isso não podia terminar assim.
Minha mandíbula se apertou enquanto meu olhar caía sobre os cacos espalhados pelo chão.
Se eles acham que vão sair impunes...

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