Gabriela
Subi as escadas para o quarto, meu coração ainda pesado com a conversa que tive com Amber. O silêncio da casa contrastava com o turbilhão de pensamentos que passava pela minha mente. O clima de Aspen, a neve caindo do lado de fora, tudo parecia parte de um quadro tranquilo, mas dentro de mim, as coisas estavam longe disso.
Fechei a porta atrás de mim e me sentei na cama, tentando organizar minhas emoções. Passei a mão pelo rosto, sentindo o cansaço se acumular. O que eu deveria fazer? Magnus era a pessoa mais maravilhosa que já conheci, mas quanto mais ele se aproximava, mais eu sentia o peso do meu passado me esmagar.
Meu celular vibrou na mesa de cabeceira. Suspirei, pegando o aparelho e vendo o nome que piscava na tela.
Monalisa.
Minha irmã mais nova.
Respirei fundo, forçando a calma antes de atender. "Oi, Mona," tentei soar o mais tranquila possível.
"Finalmente! Achei que tinha me esquecido!" A voz dela era cheia de alegria, e um sorriso involuntário surgiu no meu rosto.
"Claro que não," respondi, tentando manter o tom leve. "Como você está?"
"Estou bem, mas ansiosa," ela disse, sem rodeios. "Você vem para casa no Natal e Ano Novo, certo? Todo mundo está esperando por você. Eu até fiz sua sobremesa favorita!"
Meu coração apertou. Eu sabia que ela estava contando os dias para me ver, mas... eu não podia. Não com tudo o que estava acontecendo.
"Não vou poder, Mona," falei, escolhendo as palavras com cuidado. "Estou em Aspen, na casa de alguns amigos."
"O quê?" O tom alegre dela desapareceu, dando lugar à decepção. "Gabi, você já tinha prometido vir. Eu arrumei tudo! Por que você está sempre fugindo?"
"Mona, eu não estou fugindo," menti, sabendo que ela não acreditaria. "Só... surgiu algo de última hora. Logo nos veremos, prometo."
"Você fala isso há dois anos," ela retrucou, a voz agora carregada de mágoa. "E sempre arruma uma desculpa para ficar mais longe."
Fechei os olhos, sentindo o peso das palavras dela como uma faca cravada no peito. "Eu sinto muito," sussurrei. "Mas eu prometo que logo as coisas vão se resolver."
Ela suspirou do outro lado da linha. "Isso ainda é por causa do Dylan, não é?"
Meu corpo travou.
Fechei meus olhos, tentando conter o turbilhão que a conversa com Monalisa havia despertado. O nome de Dylan ainda reverberava na minha mente como uma campainha insistente, a menção dele trazendo à tona um passado que eu tentava deixar enterrado.
"Claro que não," gaguejei, tentando soar convincente. "Eu nem me lembro mais dele."
Monalisa riu, como se achasse graça na minha mentira. "Bom, ele parece se lembrar de você. Ele apareceu aqui perguntando por você, querendo saber se estava tudo bem."
Minhas mãos apertaram o celular com mais força. "O que você disse a ele?"
"Disse que você estava bem, que estava trabalhando e morando longe," respondeu ela, casualmente. "Ele não parece ter aceitado muito bem isso. Ficou perguntando se você ia voltar."
"Sim, claro," respondi rápido demais, forçando um sorriso. "Só me sentindo mal por ter quebrado uma promessa que fiz a ela."
Magnus franziu a testa, claramente não convencido. Ele deu mais um passo à frente, seus olhos analisando cada detalhe do meu rosto.
"Gabi," começou ele, a voz suave, mas firme. "Qual promessa?"
"Disse que passaria o natal e o ano novo em casa, mas não vou." dei de ombros enquanto ele se sentava a minha frente. "Não é como se fosse uma data muito importante, mas eu ainda não quero ir. Achei que esse ano eu conseguiria, mas..."
"Não precisa me explicar nada. Relações familiares são difíceis, eu mesmo sei muito bem disso."
Sua mão se estendeu pela cama, segurando a minha com carinho e levando até sua boca. "Se quiser, posso ir até lá com você."
"Seria um desastre." os olhos dele se estreitaram e ele riu.
"Sou um péssimo partido?" ele se aproximou ainda mais me puxando para seus braços.
"Óbvio que não, mas meus pais sempre quiseram determinar o meu futuro. Não aceitariam você, nem que fosse o rei do Egito." falar aquilo doía mais em mim do que nele.
"Foi algum pretendente que veio atrás de você dias atrás ou seus pais?" me afastei o encarando, sentindo que era melhor falar tudo. Magnus era o chefe de segurança de uns dos principais bilionários da América. Logo ele investigaria minha vida toda.
"Foi um paciente."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Os Gêmeos inesperados do CEO