Gabriela
Magnus ainda me segurava nos braços, como se quisesse me proteger de tudo que acontecera. Seu calor era reconfortante, mas minha mente estava muito longe para processar aquele momento.
"Magnus," murmurei, afastando-me dele com cuidado. "Eu preciso... preciso de um minuto."
"Gabriela, está tudo bem," ele disse, tentando manter a calma enquanto me olhava com preocupação.
Balancei a cabeça, pressionando as mãos contra as têmporas, tentando conter a avalanche de pensamentos que ameaçava me sufocar. Mas era inútil. O peso de tudo, desde as ameaças de Derek até o alívio repentino de saber que ele estava sendo capturado, estava me esmagando.
Minha respiração começou a acelerar, e o aperto no peito era sufocante. Não conseguia pensar, não conseguia focar.
"Eu não consigo," sussurrei, mais para mim mesma do que para ele. "Eu... não consigo lidar com isso."
"Gabriela," Magnus chamou, a voz firme, mas cheia de preocupação. Ele deu um passo em minha direção, mas eu levantei a mão, pedindo espaço. "Amor, olha pra mim. Só respira.
Suas palavras começaram a penetrar lentamente no caos em minha mente, mas era como tentar segurar areia com as mãos. A sensação de que o perigo ainda estava ao meu redor era insuportável, mesmo sabendo racionalmente que estava segura.
"Você consegue," ele afirmou novamente, sua voz cheia de carinho. Seus olhos encontraram os meus, e a intensidade que vi ali me fez tentar novamente. Ele se inclinou, suas mãos apertando as minhas enquanto falava, cada palavra como uma âncora que me mantinha no presente. "Você é a mulher mais forte que eu já conheci. Você sobreviveu a ele, Gabi. E agora, você está livre."
As palavras começaram a me atingir, dissipando parte da neblina do medo. Aos poucos, minha respiração se estabilizou, e o aperto no meu peito diminuiu.
"Assim mesmo," ele disse, sorrindo levemente. "Agora, me escuta."
Suas mãos subiram para meu rosto, seus polegares limpando as lágrimas que ainda escorriam. "Você é incrível, Gabriela. Não só por ter enfrentado tudo isso, mas por ainda ter tanto brilho, tanta bondade. Você ilumina o ambiente, e eu faria tudo de novo só para te ver sorrir."
Meus lábios tremiam, mas não de medo agora. Era emoção, pura e avassaladora. "Magnus," sussurrei, minha voz falhando. "Obrigada. Por tudo. Eu... nem sei como te agradecer."
Ele sorriu, aquele sorriso que parecia iluminar até os cantos mais sombrios da minha alma. "Não precisa agradecer, Gabi. Só precisa aceitar que acabou. Que agora você pode viver sua vida de novo. E eu vou estar aqui para garantir isso."
Soltei um suspiro profundo, sentindo como se, finalmente, o peso estivesse começando a sair de mim. "Eu... Eu ainda não consigo acreditar que acabou. Que eu posso voltar a ter uma vida normal."
"Pode," ele afirmou com convicção. "E vai. Eu te prometo."
Ele se levantou, e me puxou para seu peito, me abraçando. Me agarrei a ele, sentindo todo meu corpo se moldar a ele, e a palavra segura, estrondar em minha mente.
"Vem, deite um pouco. Você ainda está pálida."
Ele ajeitou os travesseiros na cama, e me recostei neles. Meu corpo estava exausto, mas minha mente estava começando a encontrar um pouco de paz. "Quer alguma coisa?" ele perguntou, sentando-se ao meu lado.
Balancei a cabeça, soltando um pequeno sorriso. "Não. Acho que só preciso descansar. Eu sei bem como aliviar os sintomas de tudo isso, afinal, é o que faço da vida."
Ele riu, assentindo. "Tudo bem. Vamos ficar na bolha um pouco mais."
Encostei minha cabeça no peito dele, ouvindo o som rítmico de seu coração. Por um momento, tudo estava em perfeita harmonia. Mas então, ele quebrou o silêncio.
"Agora que as coisas estão mais calmas," começou ele, sua voz um pouco mais séria, mas ainda suave, "você aceitaria namorar comigo?"
Levantei a cabeça, atônita. O olhar dele encontrou o meu, e havia tanta sinceridade e carinho ali que minhas palavras ficaram presas na garganta. Ele acariciou meu rosto, seus olhos analisando cada detalhe do meu.
"Eu sei que não quero apressar nada," continuou ele, sorrindo levemente. "Mas também não consigo te ver de outra forma, Gabi."
Minha boca se abriu, mas nenhuma palavra saiu. Meu coração parecia estar prestes a explodir. Ele era tudo que eu sempre quis, mas que nunca achei que fosse encontrar. Mordendo o lábio, finalmente consegui responder. "Sim. Eu aceito."
O sorriso que surgiu no rosto dele era suficiente para iluminar qualquer escuridão. Ele me puxou para mais perto, me beijando com uma suavidade que me fez sentir como se estivesse flutuando.
"Você não faz ideia do quanto isso significa para mim," ele murmurou, sua testa tocando a minha.
"Na verdade," respondi, sorrindo, "acho que sei. Porque significa o mesmo para mim."
Naquele momento, enquanto estávamos juntos, tudo parecia certo. Pela primeira vez em muito tempo, eu senti que o futuro poderia ser algo para esperar com ansiedade, e não com medo. Magnus era minha força, minha segurança, meu ponto de partida para um novo começo.

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