Gabriela
No quarto, o silêncio só era interrompido pelo som dos passos de Magnus, que andava de um lado para o outro, claramente insatisfeito com minha decisão. Eu estava sentada na beirada da cama, os dedos brincando nervosamente com a barra do meu suéter enquanto buscava as palavras certas para convencê-lo.
"Magnus," comecei, minha voz baixa, mas firme. Ele parou e me olhou, o cenho franzido, os olhos escurecidos de preocupação. "Eu pensei muito sobre isso. Sei o que é importante para você, e estar com os Martinuccis agora é crucial. Eles precisam de você, Magnus. Você é mais do que um chefe de segurança para eles. É a linha de defesa deles."
Ele cruzou os braços, balançando a cabeça em negação antes mesmo que eu terminasse. "Gabi, isso não significa que eu vou te deixar sozinha. Você é importante para mim."
Senti meu coração apertar com a intensidade das palavras dele, mas eu já havia decidido. "Eu seria uma distração, Magnus. Enquanto você estiver preocupado comigo, não vai conseguir se concentrar em descobrir como chegaram tão perto de Leonardo e Amber. Eu não quero ser esse peso para você."
"Você nunca seria um peso," ele respondeu imediatamente, a intensidade na sua voz fazendo meus olhos lacrimejarem. Ele se ajoelhou à minha frente, segurando minhas mãos com firmeza. "Eu queria ir com você, Gabi. Não quero te deixar enfrentar isso sozinha."
Balancei a cabeça, apertando suas mãos de volta. "Eu vou ficar bem. Preciso voltar para casa, Magnus. Preciso resolver as coisas com minha família e prestar a queixa formal contra Derek. Não posso continuar fugindo."
Seus olhos estreitaram ao ouvir o nome de Derek, e vi o maxilar dele apertar. "Gabi, deixe para ir à delegacia quando eu voltar. Já tenho todas as provas que vão mantê-lo lá. O delegado sabe o que está acontecendo aqui..."
"Eu preciso fazer isso," insisti, minha voz trêmula, mas decidida. "Esse é o primeiro passo para seguir em frente. E você precisa confiar em mim. Prometo que vou tomar todas as precauções."
Ele respirou fundo, visivelmente lutando contra o impulso de insistir. Finalmente, ele me puxou para seus braços, me envolvendo com tanta força que parecia querer me fundir a ele. "Eu não vou me sentir bem enquanto você não voltar para mim," murmurou contra o meu cabelo, a voz carregada de emoção.
Ri baixinho, inclinando a cabeça para olhar para ele. "Agora que estamos oficialmente namorando, vai ser difícil me manter longe de você por muito tempo."
Ele sorriu, o rosto suavizando por um momento. "Isso me tranquiliza um pouco. Mas não o suficiente," confessou, beijando minha testa.
"Eu vou sentir sua falta," disse, segurando seu rosto entre minhas mãos. "Mas você tem que prometer que vai se cuidar também."
Ele riu, mas havia uma sombra em seus olhos. "Prometo. Mas só se você prometer o mesmo."
"Eu prometo," respondi, inclinando-me para beijá-lo.
O beijo era uma mistura de tudo o que estávamos sentindo: amor, medo, esperança. Magnus segurou minha nuca, aprofundando o beijo como se tentasse guardar aquele momento em sua memória. Quando nos afastamos, ele olhou para mim com um brilho intenso no olhar.
Ele se afastou apenas o suficiente para olhar para mim, sua expressão grave. "Prometa que vai seguir as minhas instruções. Só saia daqui com Lucius quando seu voo estiver próximo de decolar. E, por favor, não faça nada sozinha."
"Eu prometo," assegurei, embora soubesse que ele nunca deixaria de se preocupar.
Ele inclinou a cabeça, avaliando meu rosto, antes de sorrir levemente. Então, como se fosse a coisa mais natural do mundo, ele disse: "Eu te amo, Gabriela."
Fiquei paralisada por um momento, as palavras ecoando em minha mente. Era a primeira vez que ele dizia isso, e meu coração parecia prestes a explodir. "Eu... também te amo," consegui responder, a voz mal saindo.
Magnus sorriu, um sorriso que fez meu coração derreter, antes de me beijar uma última vez. "Eu volto para você," prometeu.
E com isso, ele saiu do quarto, me deixando maravilhada e emocionada. Vi quando ele parou para falar com Lucius no corredor, instruindo-o com a firmeza de sempre. "Cuide dela para mim," ouvi Magnus dizer antes de seguir em direção à saída.
Fechei a porta, encostando-me nela enquanto tentava processar tudo o que acabara de acontecer. Mesmo com o medo e a incerteza que pairavam sobre nós, havia uma coisa da qual eu tinha certeza: Magnus era o homem que eu sempre quis ao meu lado.

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