Martina
A taça de vinho tremia levemente em meus dedos enquanto eu caminhava de um lado para o outro na suíte do hotel luxuoso onde estava hospedada. Meu coração batia acelerado, e a sensação de sufocamento crescia a cada segundo. Meu plano estava desmoronando diante dos meus olhos, e eu não podia permitir que isso acontecesse.
Leonardo e Felipe se encontraram.
Essa simples constatação era o suficiente para transformar meu corpo em puro nervosismo. O que eles tinham conversado? O que Felipe contou? Será que ele finalmente havia revelado tudo? Será que Leonardo já sabia... sobre Francesca?
"Merda!" xinguei, arremessando a taça contra a parede. O vidro se estilhaçou, o vinho vermelho escorrendo pela parede branca como sangue. Minha respiração estava ofegante, minhas mãos suadas. Peguei meu celular e tentei ligar para Felipe novamente. Chamando... Chamando... E então, a m*****a ligação caiu na caixa postal.
Apertei os dentes, sentindo a raiva ferver em minhas veias. Ele está me evitando. Claro que está. Depois do que aconteceu entre nós, depois de como eu o usei, Felipe agora devia estar se sentindo culpado, como o fraco que sempre foi. Mas ele não poderia simplesmente me ignorar!
Digitei uma mensagem rápida:
"Felipe, me liga agora. Precisamos conversar. É importante."
Enviei. Segundos depois, apareceu a notificação de mensagem lida, mas nenhuma resposta veio.
Meu estômago revirou.
Ele sabia. Ele contou tudo para Leonardo!
Minha mente começou a correr em círculos. E se Leonardo agora soubesse a verdade? E se ele finalmente tivesse entendido que não foi um simples acidente? Que Francesca estava a um passo de descobrir tudo antes de morrer?
E se ele agora me odiasse ainda mais?
A ideia fez meu peito se apertar de tal forma que eu quase senti que não conseguiria respirar.
Eu precisava agir. Agora.
Peguei minha bolsa e saí apressada do hotel, ignorando os olhares curiosos dos funcionários. Havia apenas uma pessoa que poderia me ajudar a terminar o que comecei.
O carro deslizou pelas ruas de Roma em alta velocidade até eu parar diante da mansão imponente de minha tia. Respirei fundo antes de sair, tentando recuperar a compostura, mas não havia como esconder o desespero no meu rosto.
Toquei a campainha com força e poucos segundos depois, a porta se abriu.
Ela me olhou com sua expressão firme, os olhos penetrantes me analisando de cima a baixo. "Martina, você está um desastre."
"Precisamos conversar," murmurei, entrando sem esperar convite. "Acho que agora acabou."
Ela fechou a porta atrás de mim, caminhando calmamente em direção à sala, como se meu desespero fosse apenas mais um incômodo trivial.
"Você sempre acha que tudo acabou," ela disse, se sentando em sua poltrona favorita e servindo-se de um chá como se nada estivesse acontecendo. "Quem arruinou seus planos dessa vez?"
"Você sabe muito bem o que está acontecendo!" explodi, passando a mão pelos cabelos, sem paciência para jogos. "Foi você que me contou sobre o encontro de Leonardo e Felipe! Tenho certeza que aquele idiota contou o que sabia para o Leo. E agora quando eu ligo, ele ignora!"
Minha tia pousou a xícara lentamente na mesa de vidro. "E você está aqui por quê?"
"Como ele está?" perguntei, engolindo a bile que subiu à minha garganta.
"Desesperado," respondeu o homem, e pude imaginar o sorriso cruel em seu rosto. "Acha que vai morrer a qualquer momento."
Fechei os olhos por um instante. "Ele está pronto para receber ordens?"
"Ele não tem escolha."
Minha tia se inclinou na cadeira, me observando com atenção.
"Então escute bem," sibilei ao telefone. "Vamos começar a segunda fase do plano."
O homem riu baixinho. "Agora sim, estamos falando a mesma língua."
Desliguei o telefone e soltei o ar devagar, tentando controlar a onda de adrenalina que percorreu meu corpo.
Minha tia se levantou e deu a volta no sofá, pousando as mãos em meus ombros.
"Você não pode falhar agora, Martina," ela disse suavemente, mas seu tom era letal. "Se Leonardo descobrir tudo antes do tempo, não haverá um lugar no mundo onde você poderá se esconder."
Engoli em seco e assenti.

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