Gabriela
Agarrei o telefone com mais força ao perceber que o carro preto não se movia. O vidro escuro impossibilitava que eu enxergasse quem estava dentro, mas a sensação de estar sendo observada se intensificava a cada segundo. Magnus continuava do outro lado da linha, sua respiração controlada, mas eu podia sentir a tensão no seu tom.
"Magnus... ele não saiu dali. Está me esperando."
"Fique dentro do café. Meu contato chega em menos de cinco minutos. Não faça nada imprudente."
Engoli em seco, meus olhos ainda fixos no carro. Meu coração acelerava a cada batida, e a lógica me dizia para fazer exatamente o que Magnus mandava. Mas então, a porta do veículo se abriu.
E de dentro dele saiu Dylan.
O choque percorreu minha espinha como um raio, meus músculos se enrijecendo. Um misto de raiva, frustração e indignação tomou conta de mim. Minhas unhas cravaram na palma da mão enquanto observava aquele homem que eu havia arrancado da minha vida há anos, caminhar na minha direção como se nada tivesse acontecido.
"Magnus," soltei entre os dentes, sem desviar os olhos de Dylan. "É ele. O carro. É o Dylan."
Silêncio do outro lado da linha.
"Gabriela..."
"Vou desligar." Apertei os lábios. "Eu resolvo isso."
"Gabi, não—"
Desliguei antes que ele pudesse me segurar com suas ordens racionais. Minha paciência já estava no limite, e Dylan era a última pessoa que eu queria ver. O ar quente do café parecia sufocar enquanto ele se aproximava, seu rosto carregando uma expressão de hesitação. Ótimo. Ele que se prepare.
"Oi, Gabriela." Sua voz saiu calma, baixa, como se estivesse pisando em ovos.
Cruzei os braços, cerrando os olhos. "Então você me segue por dias e agora aparece como se fosse coincidência? Acha que sou burra, Dylan?"
Ele suspirou, esfregando a nuca. "Não estou te seguindo. Só queria falar com você. Esclarecer as coisas. Não sabia como falar com você, então estava esperando uma oportunidade."
Soltei uma risada incrédula. "Esclarecer as coisas? Você acha que há algo a ser esclarecido? O que você pode possivelmente me dizer agora, Dylan? Hein? O que mais pode justificar o que fez comigo?"
Ele respirou fundo, e por um momento, vi a culpa cruzar seu olhar. Mas não me deixaria enganar por isso. Não mais.
"Eu fui um idiota," ele admitiu, finalmente mantendo o olhar fixo no meu. "E não espero que me perdoe. Mas quero que saiba que não era minha intenção... te machucar tanto."
"Não era sua intenção?" Me inclinei para frente, a raiva fervendo no meu peito. "Dylan, você me usou. Você mentiu pra mim, me fez acreditar que significava algo. E depois sumiu. Você acha mesmo que um ‘foi mal’ resolve isso?"
Ele passou a mão pelo rosto, claramente desconfortável. "Eu sei que estraguei tudo. Mas quero que você escute a verdade."
"A verdade?" Joguei as mãos para o alto. "Ah, claro, agora você quer falar a verdade. Depois de todo esse tempo? Me poupe. Você só está aqui porque sua consciência resolveu pesar agora."
Ele passou a língua pelos lábios, claramente desconfortável. "Eu só queria ser honesto com você. Não quero que me odeie."
"Dylan, a questão não é eu te odiar ou não." Me aproximei dele, sentindo minha paciência se esgotar. "A questão é que você não tem direito de pedir nada. Você fez a sua escolha, e agora tem que viver com ela. Não me deve satisfações, porque na realidade, eu já não me importo mais."
Ele abriu a boca para responder, mas eu ergui a mão, interrompendo-o.
"E se realmente se importa com a minha irmã, mantenha o foco nela e não em mim."
Dei as costas sem esperar por mais palavras, meu corpo tremendo de raiva e adrenalina. Antes de sair do café, peguei o celular e disquei para Magnus.
"Gabi?"
"Mal-entendido resolvido." falei vendo o homem indicar um carro para mim. "Precisava de escolta?"
"Claro que sim, e quando eu chegar aí, vou falar pessoalmente com esse rapaz."
"Não precisa, seu segurança já botou medo o suficiente nele." ri.
"Te garanto que não foi o suficiente."

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