Leonardo
Dois dias haviam se passado desde que Amber mais um problema na gravidez devido aos problemas de nossa vida e a tensão ainda não havia me deixado completamente. Eu nunca odiei tanto o tempo como agora.
Ela deveria ter recebido alta ontem, mas alguns exames mostraram alterações leves, e os médicos acharam mais prudente segurá-la mais um dia. Um maldito dia a mais de incertezas.
Eu já estava plenamente recuperado, pronto para sair desse hospital e organizar nossa fuga, mas não saí do lado dela por um segundo sequer.
Minha mente, no entanto, não parava. Enquanto Amber descansava, eu trabalhava.
Eu precisava de um lugar seguro.
Um refúgio onde ela pudesse ter todo o atendimento necessário, sem que ficássemos vulneráveis.
Já estava em contato com especialistas, analisando clínicas e hospitais privados, garantindo que, em qualquer emergência, minhas filhas e Amber teriam a melhor assistência possível.
Mas ainda faltavam respostas.
Assim que Amber adormeceu profundamente, saí do quarto silenciosamente, fechando a porta com cuidado.
Magnus já me esperava no corredor.
"Descobriu alguma coisa?" Perguntei direto ao ponto, cruzando os braços.
Ele respirou fundo. "Nada sobre Felipe. Ainda. Mas temos uma atualização sobre Martina."
Minha mandíbula travou. "Fale."
"Ela desembarcou no Brasil."
O nome do país ecoou na minha mente por alguns segundos.
Brasil?
Martina não tinha conexões conhecidas lá.
"Tem certeza disso?" Perguntei, meus olhos se estreitando.
"Sim. Fontes confirmaram a chegada dela. Mas ainda estamos investigando os motivos."
Um peso foi tirado das minhas costas ao saber que ela estava longe da Europa, mas a dúvida permaneceu.
"O que diabos ela foi fazer no Brasil?"
Magnus deu de ombros. "Talvez tenha encontrado um novo esconderijo. Talvez tenha alguém lá que possa ajudá-la."
Minha mente já trabalhava com todas as possibilidades, mas saber que ela estava do outro lado do oceano me dava tempo.
"Continue rastreando-a. Quero saber todos os passos dela."
"Já estou cuidando disso."
Suspirei, passando a mão pelo rosto.
"Felipe já ligou algumas vezes." Magnus continuou. "Diz que precisa falar com você."
O nome dele fez meu sangue ferver.
Meu ex-cunhado. O homem que fingiu ser um aliado da minha família, enquanto estava de conluio com Martina.
O ódio dentro de mim crescia como um incêndio.
Minha irmã morreu amando um homem que passou anos mentindo para ela.
E eu fui cego o suficiente para nunca perceber.
"Não quero ouvir a voz desse desgraçado." Minha voz saiu baixa, mas carregada de fúria contida. "Mas continue vigiando. Se ele quer falar comigo, significa que Martina e eles já conversaram."
Magnus assentiu. "Cuidarei disso."
Respirei fundo, tentando conter a raiva fervendo no meu sangue, e voltei para o quarto.
Amber ainda dormia tranquilamente, e eu me sentei na poltrona ao lado da cama.
Peguei o celular e comecei a responder algumas mensagens.
Minha mãe estava preocupada. Meu pai também.
Eles queriam nos ver, saber quando sairíamos do hospital, mas eu não podia dar detalhes sobre nada ainda.
Eu precisava garantir a segurança de Amber e dos nossos filhos primeiro.
Foi quando ouvi um riso baixinho.
"Se continuar franzindo a testa assim, vai precisar de botox quando isso acabar."
Levantei os olhos e vi Amber me olhando com um sorrisinho divertido.
Eu soltei o celular de lado e entrelacei meus dedos aos dela.
"Não me importo." Murmurei, passando o polegar suavemente contra sua pele. "Umas ruguinhas na testa vão me deixar ainda mais charmoso."
Ela riu baixinho, mas depois estreitou os olhos. "Você se lembra que agora é um homem casado, não é?"
Eu sorri. "E agradeço todos os dias por isso."
Ela se inclinou para me beijar, e quando seus lábios tocaram os meus, eu soube que tudo aquilo valia a pena.
Depois, ela afastou-se levemente, e eu aproveitei para me inclinar até sua barriga, pressionando um beijo ali.
"Bom dia, minhas meninas." Sussurrei contra sua pele.
Amber sorriu, passando os dedos pelos meus cabelos.
"E os gêmeos?" Ela perguntou.
"Você realmente não existe." Murmurei de novo, beijando sua testa.
Ela riu. "Se não existisse, quem mais te faria pensar em lotar nossa casa de crianças?"
Eu gargalhei, balançando a cabeça. "Amber, você vai me matar do coração."
Ela se inclinou e beijou minha bochecha, sussurrando contra minha pele:
"Mas você me ama mesmo assim."
Eu a puxei para um beijo lento e profundo, porque, sim, eu amava essa mulher mais do que qualquer coisa no mundo.
E se ela quisesse um exército de pequenos Martinuccis… quem era eu para dizer não?
Foi quando a porta se abriu, e o médico entrou.
"Fico feliz em ver que estão felizes." Ele disse com um tom leve. "Boas notícias: todos os exames estão normais, e Amber já está de alta."
Ela suspirou aliviada.
"Mas…" O médico continuou. "Precisa ficar atenta aos sinais e manter repouso absoluto. Nada de estresse."
"Não se preocupe, doutor," Falei antes mesmo que Amber pudesse responder. "Farei de tudo para garantir que isso aconteça."
Amber revirou os olhos, mas sorriu.
"Então vocês estão oficialmente de alta." O médico disse, entregando os papéis.
Eu segurei a mão de Amber, ajudando-a a se levantar com calma, mantendo meu olhar atento a qualquer sinal de desconforto.
"Vou me trocar, e podemos ir." Ela concordou, sua voz carregada de alívio, mas também de uma leve hesitação.
Assenti, indo até o armário onde estavam seus pertences. Peguei sua bolsa e um conjunto de roupas confortáveis que haviam deixado para ela.
Enquanto dobrava cuidadosamente a blusa sobre a cama, senti seu olhar em mim.
"Você está inquieto." Ela observou, com um pequeno sorriso.
"Quero sair daqui o mais rápido possível." Falei sem rodeios, entregando-lhe as roupas. "Não gosto da ideia de permanecermos vulneráveis."
Amber pegou as peças e segurou minha mão por um instante antes de se afastar.
"Eu sei, Leo." Sua voz era suave. "Mas, por favor… só por alguns minutos, podemos fingir que isso é só uma alta normal? Sem paranoias?"
Suspirei, cruzando os braços, observando-a enquanto entrava no banheiro para se trocar.
Eu queria poder fingir. Mas algo dentro de mim dizia que o perigo ainda não estava longe o suficiente.
E enquanto saíamos daquele hospital, uma sensação estranha percorreu minha espinha.
Era como se alguém estivesse nos observando.

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