Amber
O sol começava a se pôr quando deixamos o hospital, tingindo o céu em tons suaves de laranja e rosa. O contraste entre o clima tranquilo e o turbilhão dentro de mim era quase irônico.
Eu só queria ir para casa.
"Mal posso esperar para ver as crianças," murmurei, recostando a cabeça no assento enquanto Leonardo dirigia com firmeza.
"Tenho certeza de que eles estão ansiosos também," ele respondeu, um leve sorriso brincando em seus lábios. "Bella provavelmente já preparou um enxoval inteiro para as irmãs, e Louis… bem, ele provavelmente ainda está tentando entender como isso aconteceu."
Eu ri, imaginando a reação dos nossos pequenos. Eles eram tão diferentes e, ao mesmo tempo, complementavam um ao outro de maneira perfeita.
"Ele vai superar," brinquei, deslizando a mão sobre minha barriga. "Um dia, eu espero."
Leonardo riu baixinho, mas sua expressão suavizou ao me observar por um instante antes de voltar os olhos para a estrada.
"Ele vai ter que aceitar, porque essas meninas já são a realidade dele."
Sim, eram.
E isso só tornava tudo ainda mais real para mim.
"E você também terá que aprender a lidar." falei o olhando com mais atenção.
"Eu? Por quê? Eu já amo minhas meninas." dei uma risadinha, e me endireitei.
"Três genros? Está preparado?" vi quando ele apertou o volante e sua expressão fechou.
"Não me faça pensar nessas coisas nesse momento, tenho muitos anos de terapia pela frente, para lidar com essa situação hipotética." comecei a gargalhar.
"Hipotética, Leonardo?" ele concordou com a cabeça.
"Elas podem virar freiras. Estamos bem perto do Vaticano, querida. Elas podem se envolver com a igreja e..."
"Sonha, Leo." pousei a mão em sua coxa e ele segurou imediatamente.
"Você tem razão, precisamos fazer mais meninos." voltei a gargalhar e o clima parecia perfeito para aquele final de tarde.
Quando finalmente chegamos, antes mesmo que eu pudesse abrir a porta do carro, Leonardo já estava se adiantando.
"Nem pense nisso," ele disse, saindo rapidamente e vindo até o meu lado.
"Leonardo, eu consigo andar," protestei, mas era tarde demais.
Em um movimento firme e natural, ele me pegou nos braços, como se eu não pesasse nada, e começou a caminhar até a entrada da casa.
"Leo!" Bufei, tentando me livrar de seu aperto. "Isso é completamente desnecessário!"
"Não é uma questão de necessidade," ele disse, sem demonstrar o menor esforço. "É uma questão de prioridade. E a minha prioridade é garantir que você chegue segura e descansada até o sofá."
Revirei os olhos, mas desisti de discutir. Não havia nada que o fizesse mudar de ideia.
Assim que ele empurrou a porta com o pé e entramos, um verdadeiro caos organizado nos recebeu.
"Finalmente!" A voz de Nonna Rosa ecoou primeiro, e logo o som de passos apressados tomou conta do ambiente.
A sala estava cheia. Além dos gêmeos, estavam meus sogros e nonna Rosa, todos parecendo aliviados ao nos ver de volta.
Nonna Rosa se aproximou primeiro, as mãos na cintura, sua expressão severa, mas os olhos brilhando de alívio.
"Chega de conflitos e sustos até essa gravidez acabar, entenderam?" Ela olhou diretamente para Leonardo, que apenas sorriu de canto, erguendo uma sobrancelha.
"Faremos o possível, Nonna."
"Não é o possível, Leonardo, é o impossível," ela retrucou, estreitando os olhos. "Se precisar amarrá-lo para manter essa casa em paz, Amber, eu pessoalmente te ajudarei. Minhas bisnetas precisam de paz, e esse pai delas está lhe dando muitos incômodos."
"Oh, meu amor," disse, o puxando para mim. "Eu sei que você queria um irmão, mas você vai amar essas irmãs, eu prometo."
"Mas são duas," ele enfatizou, como se isso fosse a pior parte, mostrando com seus dedinhos gordinhos.
"E você será o irmão mais velho delas," Leonardo disse, bagunçando seu cabelo. "Vai ser o responsável por ensiná-las tudo, inclusive como fugir da Bella quando ela estiver no modo mandona."
Bella, que ainda segurava minha mão, se virou na hora.
"Eu não sou mandona!"
"Aham," Louis cruzou os braços.
Leonardo soltou uma gargalhada e levantou Louis no colo.
"Não podemos trocar os bebês, filho," ele disse, divertido. "Mas eu prometo que vai ser incrível. E aposto que você será o melhor irmão do mundo."
Louis hesitou um pouco, antes de finalmente murmurar um "tá bom", embora seu olhar ainda estivesse desconfiado.
Suspirei, aproveitando esse momento de felicidade, vendo meus filhos tão cheios de energia e vida.
Era por isso que precisávamos vencer essa guerra. Por eles.
Foi quando senti uma leve fisgada na barriga.
Pisquei, tentando ignorar a pontada repentina.
Não era nada.
Apenas cansaço.
Pelo menos, era isso que eu queria acreditar.

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