Amber
O hospital estava à vista, as luzes pálidas da fachada cortando a escuridão da madrugada. O edifício parecia silencioso demais para o pânico que dominava meu peito.
Magnus estacionou na área de carga e descarga, um local menos movimentado do que a entrada principal. Era um procedimento padrão para manter nossa segurança.
Minhas mãos estavam trêmulas no colo, e eu apertava os dedos uns contra os outros, tentando controlar o arrepio que percorria minha espinha. Leonardo estava ao meu lado, os olhos fixos em mim, analisando cada detalhe do meu rosto como se pudesse enxergar a dor que eu tentava esconder.
"Aguardem aqui, vou pegar uma cadeira de rodas para você," Magnus disse, desligando o carro.
"Não precisa," tentei argumentar, mas Leonardo me lançou um olhar afiado, o tipo de olhar que não admitia discussões.
"Vai precisar, sim," ele rebateu. "Você mal conseguiu andar do quarto para o carro sem ficar tonta. Se não quiser que eu a carregue para dentro do hospital, vai aceitar a cadeira de rodas."
Suspirei, sabendo que não adiantaria discutir.
Magnus saiu do carro e caminhou até a entrada do hospital para buscar a cadeira de rodas. Aguardamos na área reservada para ambulâncias e transportes rápidos.
"Acha mesmo necessário tudo isso?" Questionei meu marido, que parecia a beira de um ataque dos nervos.
"Acho. É somente uma precaução. Se estiver tudo bem, voltamos para casa. Não tem com o que se preocupar." ele sorriu de forma mecânica.
"Estou cansada de dar trabalho. Sabe que não gosto disso."
"Pare de pensar assim. Não é trabalho nenhum cuidar de você e das meninas." tive que concordar, pois ele ficava mais tenso a cada segundo que Magnus demorava. Assim que ele apareceu, Leo me colocou na cadeira de rodas e nos encaminhamos para a entrada do hospital.
Foi então que me lembrei.
"Os exames!" Me virei bruscamente para Leonardo, meu coração acelerando. "Esqueci os exames no carro."
Ele franziu o cenho.
"Ah merda, eu também não me lembrei deles."
"Precisamos deles." Passei a mão na testa, me odiando mentalmente por ter esquecido algo tão importante. "Se for outro médico no plantão, vamos precisar deles."
Leonardo olhou para Magnus, que estava ao nosso lado, pronto para qualquer coisa.
"Leve-a até a entrada. Eu vou buscar."
"Pode deixar," Magnus disse, assumindo o lugar do Leo.
Leonardo se inclinou me beijando e se afastou para o estacionamento.
Magnus empurrou minha cadeira até a área reservada. Estávamos sozinhos ali. Ele parou ao meu lado e puxou o celular do bolso.
"Preciso atender essa ligação," disse. "Fique aqui, eu já volto."
"Ok," murmurei, puxando o casaco ao redor do corpo, tentando conter o frio súbito que me tomou.
Mas então, tudo aconteceu rápido demais.
O ronco brutal de um motor acelerando cortou o ar, ecoando pelo concreto ao nosso redor.
Olhei na direção do som, e meu mundo parou.
Faróis brilhantes perfuraram a escuridão, vindo diretamente para mim.
Meu corpo paralisou.
A cena se desenrolava em câmera lenta.
Meus músculos não respondiam.
A única coisa que ouvi foi o grito de Magnus ecoando no ar.
"AMBER!"
Então, um impacto.
Fui puxada com brutalidade para o lado, a cadeira de rodas tombando descontroladamente, enquanto meu corpo era lançado contra o chão frio. O impacto foi imediato, uma dor aguda rasgando minha coluna, enviando ondas de choque por todo o meu corpo. O ar escapou dos meus pulmões em um soluço doloroso, enquanto minha visão se embaralhava por segundos intermináveis.
O som do impacto foi terrível. O corpo de Magnus voou no ar antes de colidir com o chão. O baque surdo da queda foi a coisa mais horrível que já ouvi. Ele não se mexia. Não respirava.
Meu coração parou.
Virei a cabeça, piscando para afastar a tontura, e então vi.
Magnus estava no chão.
Sangue. Sangue por toda parte.
Seu corpo jazia a poucos metros de mim, imóvel, enquanto o carro parava logo à frente, amassado pela força da colisão.
Minhas mãos tremiam violentamente enquanto tentava processar a cena diante de mim.
O pânico me dominou.
"MAGNUS!"
Minha voz saiu em um grito desesperado, mas meu cérebro não conseguia aceitar o que estava acontecendo.
E então, a porta do carro bateu.
Ele saiu.
Ensanguentado. O olhar insano e tomado pelo ódio.
Peter.
Ele segurava um punhal na mão direita, os olhos injetados de loucura fixos em mim.
Meu corpo estava em choque.
Ele deu um passo.
Depois outro.
Vindo diretamente para mim.
Eu não conseguia respirar.
Eu não conseguia me mover.
E então ouvi o rugido de Leonardo.
Leonardo
O medo já estava me consumindo antes mesmo de eu ouvir o grito de Amber.
Subi as escadas do estacionamento quase correndo, os exames já em minhas mãos, me odiando por tê-la deixado sozinha por um minuto.
Minha visão escureceu.
Minha raiva não tinha limite.
Meus socos se tornaram selvagens.
Peter cuspiu sangue, mas não parava de rir.
"Eu quase consegui," ele murmurou, os dentes manchados de vermelho.
"Eu vou te matar."
Minha voz não parecia mais minha.
Levantei o punho para acabar com isso de uma vez.
Mas então, uma voz me chamou.
"Leo!"
Amber.
Sua voz era desesperada.
"Para. Por favor!"
Minhas mãos estavam tremendo.
Peter estava quase inconsciente abaixo de mim.
"Leonardo," ela sussurrou.
"Acabou."
Eu respirei fundo.
O ar parecia pesar mil vezes mais do que antes.
Meus olhos encontraram os dela.
Ela estava chorando.
Magnus precisava de ajuda.
Eu soltei Peter, deixando seu corpo desabar no chão.
Então, me virei e corri até Amber.
Eu podia ver os enfermeiros correndo na direção do meu amigo, enquanto eu pegava minha esposa no colo.
"Ajudem o Magnus." ela gritou enquanto corríamos junto com os enfermeiros para dentro do hospital.
***
Estamos na reta final. Espero que estejam gostando.
Não deixem de me contar o que acham que vai acontecer.
@autorabarbaralabaig

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