Leonardo
As portas da sala de emergência se abriram bruscamente, e médicos e enfermeiros se moveram rapidamente ao nosso redor.
Amber não parava de chorar.
Seu corpo tremia em meus braços, e sua respiração vinha rápida e entrecortada, quase um soluço constante.
"Precisamos colocá-la na maca," uma enfermeira avisou, trazendo um tom de urgência para minha mente já em frangalhos.
Deitei Amber com o máximo de cuidado possível, mas ela agarrou minha mão com uma força que eu nem sabia que ela ainda tinha.
"Leo..." Sua voz era quebradiça, o desespero puro em cada sílaba. "Magnus... Ele salvou minha vida!"
Ela soluçou, apertando meu pulso com mais força.
"Eu sei, amor," murmurei, deslizando os dedos pelo seu rosto suado. "Eu sei."
Os médicos trabalhavam rápido, verificando seus sinais vitais, checando seus batimentos cardíacos, mas ela não ligava para si mesma.
"Ele me protegeu!" Ela chorava. "Ele... me tirou da frente do carro! Como eu... Como eu vou agradecê-lo?"
Minha garganta se fechou.
"Magnus vai ficar bem," tentei dizer, mas eu mesmo não sabia se acreditava.
Havia tanto sangue.
"Amber, você precisa se acalmar," pedi, sentindo minha própria respiração irregular.
Mas ela não parava.
Os olhos estavam fixos no teto, mas era como se não enxergasse nada.
"Eu nunca vou conseguir agradecer o suficiente," ela continuava, repetindo sem parar, presa no próprio trauma.
Uma médica se aproximou, um olhar preocupado no rosto.
"Ela está em choque," disse baixo para mim. "Se não se acalmar logo, pode prejudicar ainda mais o estado dela e dos bebês."
"Eu estou tentando," respondi, sentindo o pânico tomar conta de mim.
"Teremos que administrar um calmante leve," ela completou.
Fechei os olhos por um instante. Eu odiava essa ideia, mas não via outra saída.
"Faça o que for preciso," cedi, minha voz baixa e tensa.
Minutos depois, vi quando os ombros de Amber finalmente relaxaram, seu peito subindo e descendo mais devagar.
A expressão de puro pânico deu lugar a um torpor silencioso, e então ela dormiu.
Meu coração se apertou.
"Ela está bem?" Minha voz soou mais urgente do que eu pretendia.
"Sim," a médica garantiu. "Foi apenas um susto muito grande. Os sinais vitais estão normais, e as bebês também estão bem."
Fechei os olhos por um instante, permitindo que um pequeno peso saísse do meu peito.
"Obrigado," murmurei.
"Mas ainda precisamos examiná-la melhor," a médica continuou. "Você mencionou no carro que ela estava sentindo cólicas fortes e enjoos, certo?"
"Sim," assenti. "Ela estava muito pálida quando acordou. E mal conseguia ficar de pé."
"Ainda não podemos afirmar nada," a médica explicou. "Vamos esperar que ela acorde e faremos uma avaliação completa."
"Ok," murmurei.
Foi quando um enfermeiro entrou na sala e se dirigiu a mim.
"Senhor Martinucci, há policiais esperando por você na recepção."
Minha mandíbula se contraiu instantaneamente.
Já esperava por isso.
Com um último olhar para Amber adormecida, me forcei a soltar sua mão e me levantei.
"Eu volto logo," sussurrei para ela, mesmo sabendo que não poderia me ouvir.
Eu estava prestes a sair da sala quando a médica me chamou novamente.
"Sr. Martinucci..."
Virei-me.
Ela hesitou por um instante antes de dizer:
"Magnus está nas mãos dos melhores cirurgiões do hospital. Sei que ele significa muito para você."
Meu peito se apertou ainda mais, mas assenti.
"Me avise assim que tiver qualquer notícia."
"Eu aviso."
Respirei fundo e segui o enfermeiro para o local indicado.
Os dois policiais estavam parados perto da recepção, as expressões fechadas. Assim que me viram, caminharam até mim.
"Senhor Martinucci," o mais velho dos dois começou, erguendo um pequeno caderno de anotações. "Precisamos que esclareça alguns pontos sobre o ocorrido."
Assenti, cruzando os braços.
"Como ele está?" Perguntei direto ao ponto.
Ele suspirou.
"Magnus ainda está em cirurgia," explicou. "O estado é grave. Os danos internos são severos, e os médicos estão fazendo tudo o que podem."
Meu peito se apertou.
"Ele vai sobreviver?"
"Faremos o possível."
Minha mão se fechou em punho, os nós dos dedos brancos pelo aperto.
Magnus sempre foi nossa fortaleza, nosso escudo, aquele que nunca hesitou em se colocar na linha de frente. Ele não pensou duas vezes antes de arriscar a própria vida pela minha mulher. E agora estava ali, lutando entre a vida e a morte.
Ele não podia partir.
Eu não estava pronto para essa despedida.
O pensamento me atingiu como um soco no estômago. A ideia de que eu poderia nunca mais vê-lo me rasgava por dentro.
Ele precisava sobreviver.
Ele ia sobreviver.
E quando voltasse, eu não permitiria que ele arriscasse sua vida daquele jeito novamente.
Magnus não precisaria mais se preocupar com nada. Eu o colocaria em um cargo seguro, onde nunca mais precisasse se colocar entre uma bala e um alvo. Ele teria estabilidade. Eu garantiria que ele e Gabriela tivessem tudo.
Parte das minhas ações. Um futuro blindado. Uma vida sem riscos.
Porque depois do que ele fez por Amber, eu passaria o resto da minha vida agradecendo.
Tentei controlar minha respiração antes de perguntar:
"E Peter?"
O médico hesitou antes de responder.
"Está em estado grave. Traumatismo craniano severo."
Eu deveria me sentir satisfeito com isso.
Mas não sentia nada.
Apenas um vazio imenso e um ódio que não diminuía.
Peter ainda estava vivo.
E enquanto ele estivesse vivo… eu não teria paz.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Os Gêmeos inesperados do CEO