Leonardo
O caos havia se instalado.
A mansão Martinucci, que sempre foi um santuário protegido por segurança de ponta, agora parecia um campo de guerra. Homens de terno circulavam pelo espaço, os celulares tocavam sem parar, as vozes se sobrepunham enquanto os seguranças analisavam câmeras, ligavam para contatos e tentavam traçar um rastro de Uria.
Mas não havia rastro.
Eu estava no centro de tudo isso, sentindo como se estivesse preso em um pesadelo do qual não conseguia acordar.
Bella havia sido levada.
Minha filha. Meu bebê.
E eu não fazia ideia de onde ela estava.
"Senhor Martinucci, estamos rastreando os veículos próximos à área no horário do desaparecimento," um dos agentes falou, se aproximando. "Até agora, não identificamos nenhuma movimentação suspeita nos registros oficiais."
Meu sangue ferveu.
"Então ela simplesmente evaporou com a minha filha?" minha voz saiu cortante, carregada de fúria e desespero.
O homem abriu a boca, mas hesitou. Ele sabia que não havia resposta suficiente para me acalmar.
Magnus estava ao meu lado, seu rosto sério, a mandíbula travada. Ele já conseguia se mover bem, mesmo com a perna ainda em recuperação. Seus olhos vasculhavam os monitores instalados na sala de segurança.
"Se ela desapareceu, é porque teve ajuda," ele murmurou. "Ninguém atravessa uma barreira de segurança como a nossa sem planejamento."
Ele estava certo.
Uria sabia exatamente o que estava fazendo.
Minha cabeça girava. A cada minuto que passava, Bella podia estar sendo levada para mais longe. A cada segundo que perdíamos, as chances de encontrá-la diminuíam.
Fechei os olhos por um momento, tentando acalmar minha respiração. Mas quando ouvi o choro baixo vindo do andar de cima, senti um nó se formar no meu peito.
Amber.
Ela não parava de chorar desde que recuperou a consciência.
Subi as escadas com pressa, empurrando a porta do quarto e encontrando-a sentada na cama, as mãos no rosto, os ombros tremendo. Nonna estava ao seu lado, segurando sua mão, tentando acalmá-la.
"Amber…" minha voz falhou.
Ela ergueu o rosto, seus olhos estavam vermelhos e inchados, sua pele pálida.
"Eu deixei ela ir," sua voz saiu em um sussurro, carregado de culpa e dor. "Eu confiei nela, e ela levou nossa filha."
Meu peito apertou.
"Isso não é sua culpa." Me aproximei e sentei na beira da cama, segurando seu rosto entre as mãos. "Isso é culpa daquela mulher. Ela nos enganou."
Amber balançou a cabeça, os olhos se enchendo de novas lágrimas.
"Eu deveria ter visto… eu deveria ter sentido que algo estava errado," soluçou, sua respiração ficando curta.
Nonna segurou seu ombro com firmeza, sua expressão forte, mas o olhar carregado de preocupação.
"Você não tem culpa, minha querida," a voz da matriarca saiu firme. "Se alguém merece ser culpada por isso, é aquela mulher. Mas nós vamos encontrar Bella. Vamos trazê-la de volta para casa."
A sala ficou em silêncio.
Senti meu coração martelar contra as costelas, minhas mãos se fechando em punhos ao lado do corpo.
"Rastreamento," rosnei. "Quero saber quem autorizou esse voo, quem estava a bordo. Quero tudo."
Magnus cruzou os braços, sua expressão ainda mais sombria.
"E se ela tiver contatos em lugares que a gente não pode alcançar?"
Meu maxilar trincou.
"Então eu derrubo qualquer barreira que for necessária," minha voz saiu baixa, perigosa. "Eu vou trazer minha filha de volta, Magnus. Nem que eu tenha que dizimar qualquer um que entre em meu caminho."
Ele assentiu, e eu vi em seus olhos que ele acreditava em mim.
A madrugada caiu sobre a casa, mas ninguém dormiu.
Amber finalmente cedeu ao cansaço depois que os médicos aplicaram um sedativo leve para que ela pudesse descansar. Nonna permaneceu no andar de baixo, organizando novas buscas e telefonemas.
E eu fiquei ali.
Sentado no escuro do escritório, olhando para a tela do computador, atualizando os rastreamentos a cada segundo.
Cada músculo do meu corpo estava tensionado, meus olhos ardiam, mas eu não me permitia fraquejar.
"Deveria descansar." Minha nonna falou.
"Não, até achar minha filha."

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