Leonardo
O mundo escureceu.
Minha mente simplesmente parou quando ouvi aquelas palavras. Tudo ao meu redor desapareceu, e a única coisa que ficou foi aquela frase do médico martelando em meus ouvidos.
"Sinto muito."
Meu peito explodiu em desespero. Minhas pernas fraquejaram, minha garganta queimava, minha respiração estava tão errática que meus pulmões pareciam prestes a ceder.
Não.
Deus, não.
Não pode ser.
Meus olhos estavam fixos no médico, mas eu não enxergava nada além do vazio. Tudo dentro de mim gritava, implorava para que aquilo fosse um pesadelo do qual eu pudesse acordar.
Minha filha… Minha bebê…
Foi quando o médico suspirou e continuou:
"Me desculpe por fazê-lo passar por esse momento. Mas, senhor Martinucci, essas são as fases críticas que mencionei. Bebês prematuros costumam ter intercorrências como essa. Mas Sophie já estabilizou."
O mundo parou mais uma vez.
Meu olhar, antes morto, de repente se focou nele. Meu coração falhou um batimento.
"O quê?" Minha voz saiu rouca, quase irreconhecível.
O médico me encarou com seriedade e repetiu: "Ela já estabilizou."
Pisquei algumas vezes, tentando entender.
"Então ela… não morreu?" As palavras saíram entrecortadas, como se meu próprio cérebro não acreditasse no que estava dizendo.
"Não. Foi apenas um susto," ele afirmou, sua voz calma. "Mas isso pode acontecer outras vezes. Elas ainda estão aprendendo a viver sem o suporte da mãe. O corpo delas não está pronto para a vida extrauterina, e é por isso que precisam de constante observação."
Foi como se algo dentro de mim quebrasse de vez.
Caí no chão de joelhos, meus braços caindo ao lado do corpo, minha cabeça pendendo para frente enquanto um soluço rasgava minha garganta. Eu tremia inteiro. O alívio foi tão intenso que doía. Um nó de desespero que vinha se formando em meu peito há horas finalmente começou a se desfazer.
Eu quase a perdi.
Por Deus, eu quase a perdi.
"Senhor Martinucci, eu posso medicá-lo para acalmá-lo," o médico ofereceu.
Minha cabeça se ergueu bruscamente.
"Não," minha voz saiu firme, apesar do caos dentro de mim. "Eu não quero nada. Eu preciso estar alerta. Preciso estar aqui. Elas precisam de mim."
Ele me olhou por um momento, então assentiu.
"Entendo. Sei que é muita coisa para processar, mas tente manter a calma. Elas precisam de um ambiente tranquilo para se recuperarem."
Assenti vagamente, minha mente ainda no inferno pelo qual eu havia passado nos últimos minutos.
Foi quando algo dentro de mim gritou outra vez.
Tentei sorrir, mas o nó na minha garganta estava grande demais.
"Elas são tão pequenas, B…" Minha voz saiu carregada de dor. "Mas são tão fortes. Como você."
Meus olhos se encheram de lágrimas, mas eu continuei falando.
"Elas precisam de você, amor. Elas precisam da mãe. Bella e Louis também precisam de você. Eu…" Minha voz falhou completamente. "Eu preciso de você."
Abaixei a cabeça, apertando os olhos com força.
"Eu não consigo cuidar dos nossos filhos sem você. Eu não sei como viver sem você, Amber."
As lágrimas caíram pelo meu rosto, quentes e desesperadas.
"Eu daria qualquer coisa para ser eu no seu lugar. Para ser eu lutando por cada respiração. Você não merecia isso. Elas não mereciam isso. E eu não consegui protegê-las."
Minha mão deslizou pelo rosto dela, meus dedos trêmulos acariciando sua pele fria.
"Mas você precisa ficar bem," sussurrei, implorando, quase suplicando. "Porque se algo acontecer com você… Eu não vou suportar. Nossos pequenos não podem perder você."
Fiquei ali, segurando-a, sem saber se ela podia me ouvir.
Sem saber se ela voltaria para mim.
Sem saber se o destino me arrancaria a mulher que eu mais amo.
Agarrei sua mão com mais força, fechando os olhos, e murmurei uma oração silenciosa.
E esperei por um milagre.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Os Gêmeos inesperados do CEO