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Proibida para Mim: Apaixonado pela filha do meu amigo romance Capítulo 107

Aurora Rossi

Seis meses.

Seis estações curtas de uvas amadurecendo e corações tentando esquecer.

Desde que Lorenzo partiu para Nova Iorque, meu coração parece encolher um pouco mais a cada dia. A saudade dele não é só ausência — é presença demais em tudo. No cheiro do parreiral ao entardecer. Nos degraus da varanda onde ele costumava desenhar. Nas páginas em branco do meu caderno, onde antes cabiam nossas conversas silenciosas.

Todas as noites, antes de dormir, envio uma mensagem. Às vezes um texto longo, às vezes só um “penso em você”. Sei que ele lê. O aplicativo me mostra aquele maldito “visualizado”. Mas as respostas... vêm com menos frequência. Mais curtas. Mais frias. Como se ele estivesse congelando, pouco a pouco, do outro lado do oceano.

Hoje, no impulso de sentir algo dele, qualquer coisa, abri o perfil dele nas redes sociais.

Fazia semanas que eu evitava. Como se olhar fosse tornar tudo mais real.

A primeira foto que apareceu foi como um soco:

Ele estava sorrindo, o rosto iluminado, taça de vinho na mão. E ao lado dele... uma garota.

Loira. Linda. Delicada de um jeito quase cinematográfico. O tipo de beleza que parece encaixar perfeitamente em um cenário de Nova Iorque. Eles estavam perto. Muito perto. Os olhos dele não estavam nos dela, mas havia algo ali. Intimidade demais. Familiaridade demais.

E eu... eu congelei.

Senti meu peito se apertar como se estivesse caindo de algum lugar alto e invisível. Uma parte de mim tentou ser racional — pode ser só uma amiga, uma colega da faculdade. Mas outra parte, a que ainda usava a fita vermelha no pulso, sabia. Lorenzo estava seguindo em frente. Sem mim.

Meus dedos tremiam quando disquei o número dele.

Toque. Toque. Toque.

Nada.

Tentei de novo. Mais uma vez. Cada vez com menos esperança.

Naquela noite, não dormi. Fiquei sentada na beira da cama com o celular nas mãos, esperando um sinal, uma resposta, qualquer coisa. Mas tudo o que recebi foi silêncio.

Na manhã seguinte, o sol entrou pela janela, mas nada em mim parecia despertar. Com os olhos ainda ardendo do choro mal contido, tentei ligar mais uma vez.

Chamou. Chamou.

E então... alguém atendeu.

— Alô?

A voz era suave. Quase musical. Um leve sotaque francês.

— Lorenzo? — minha voz saiu baixa, quebrada.

Do outro lado, silêncio por um segundo, depois:

— Ah... não. Desculpa. É a Camille. Ele... ele está no banho.

O mundo parou por um instante. Camille. O nome da legenda. A garota da foto. Ela.

— Ah... certo. — tentei manter a compostura, mas algo dentro de mim cedeu. — Pode dizer que liguei?

— Claro. Quem gostaria que eu diga que ligou?

O nó na garganta apertou.

— Aurora.

— Ah. Aurora... — ela hesitou, como se reconhecesse o nome. — Eu... vou avisar, tá bem?

Desliguei antes de ouvir mais.

Fiquei ali, encarando o vazio do quarto, como se tudo tivesse ficado mais frio de repente. Não chorei. Não gritei. Só... permaneci.

Talvez eu tivesse entendido errado. Talvez ele ainda pensasse em mim.

Mas bastou a primeira aula de desenho ao vivo para que o sussurro se calasse. O professor, um italiano de voz grave e olhar técnico, parou atrás de mim por longos minutos em silêncio enquanto eu desenhava.

— Chi sei tu? — ele perguntou, em voz baixa. — Isso... isso é raro. Você vê com a alma.

Fui chamada para uma exposição interna no segundo mês. A mais jovem da turma. “Prodígio”, eles começaram a dizer. Mas eu não ligava para os títulos. Tudo o que queria era me expressar — pintar a dor, o recomeço, a liberdade que vinha depois da perda.

A fita vermelha ainda estava comigo. Não mais no pulso, mas presa na alça do meu estojo de pincéis. Um lembrete, não mais uma âncora.

Nos meus quadros, às vezes ele surgia.

Um traço do queixo dele, um toque de vinho na paleta, um céu como aquele do nosso último pôr do sol juntos. Mas com o tempo... esses traços ficaram mais leves, mais distantes.

E eu?

Eu estava florescendo.

************

Uma noite, sozinha num ateliê cheio de telas ainda secando, olhei para minha última pintura: uma garota em pé numa ponte de Veneza, o cabelo ao vento, pincel em punho.

Ela era eu.

Não mais esperando ninguém.

Não mais perdida entre lembranças.

Ela era começo.

Sorri. E sussurrei para mim mesma:

— Você voltou, Aurora. Inteira.

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