Vittorio Bianchi
Retorno ao quarto e encontro a Heloísa um pouco ansiosa.
— O que o papai queria? — pergunta.
— Saber se sei o porque discutiu com o Augustus ontem.
— Eu não discuti com ele, apenas ele achou que estava sobrando e foi curtir.
— Como assim ele estava sobrando?
— Ele também sabe que esse bebê é nosso, passa das mãos na barriga.
Sento-me na beira da cama, observando Heloísa enquanto ela alisa a própria barriga. A suavidade do gesto me faz sorrir, mas sei que há muito mais acontecendo dentro dela do que apenas carinho pelo bebê.
— Então… Augustus sabe de nós dois — comento, tentando não parecer tão satisfeito com essa informação, embora no fundo eu esteja.
Ela assente, mordendo o lábio.
— Ele percebeu sozinho.
— E seu pai?
Heloísa suspira e desvia o olhar.
— Ainda não.
Meu peito aperta. Não que eu esperasse que ela já tivesse falado, mas a incerteza me incomoda.
— Você está preparada para isso? Para contar a ele?
Ela solta um riso nervoso e balança a cabeça.
— Ainda não, Vittorio. Mas em breve… Eu não posso mais esconder algo tão importante.
— Está com medo da reação dele?
— Estou. Você conhece meu pai. Ele é um homem rígido, gosta de ter o controle de tudo. Não vai aceitar bem que eu escondi algo assim dele por tanto tempo.
Seguro sua mão e a aperto levemente.
— Você não precisa fazer isso sozinha.
Ela ergue o olhar para mim, e vejo um brilho de dúvida misturado à gratidão.
— Sei disso. Mas, ao mesmo tempo, sinto que preciso encontrar as palavras certas, o momento certo.
— Às vezes, Heloísa, não existe um momento certo. Só precisamos fazer.
Ela suspira novamente e encosta a cabeça no meu ombro.
— Me dá só mais um tempo. Vittorio.
Passo um braço ao redor dela, sentindo o calor do seu corpo junto ao meu.
— Você… — sua voz falha, e ela solta uma risada nervosa, balançando a cabeça. — Você nunca tinha dito isso antes.
Levanto o olhar para ela, ainda com as mãos pousadas sobre sua barriga, sentindo o calor que vem dela e do nosso filho.
— Eu já sentia, mas agora… agora parece mais real. — Minha voz sai mais rouca do que eu pretendia. — Eu amo esse bebê, Helô. Amo vocês dois.
Ela leva a mão até a boca, e vejo seus olhos marejarem.
— Eu sabia que você amava, mas… ouvir você dizer isso… Saber que você não ficou na Itália por conta da Liliane, me deixou insegura…
Ela não completa a frase. Em vez disso, desliza a mão até meu rosto, seus dedos traçando meu maxilar antes de me puxar para um beijo. É diferente dos outros. Não há pressa, não há urgência. Apenas sentimento. Apenas nós.
Quando nos afastamos, ela sorri, e uma lágrima solitária escorre por sua bochecha.
— Você vai ser um pai incrível, Vittorio. Nosso filho vai ter muita sorte.
Beijo a ponta do seu nariz, depois sua testa.
— Vou dar o meu melhor. Afinal, treinei cuidando a vida inteira cuidando da mãe dele.
Heloísa sorri e cobre minha mão com a dela sobre sua barriga.
— Ele já sabe que é amado. É eu tinha esquecido que você é velho. — ela me provoca.
Aquele momento, aquela manhã, sela algo entre nós. Algo que vai muito além do desejo, muito além da paixão. Estamos construindo uma família. E nada mais importa.
Momentos depois ela tem que voltar para seu quarto, mas sei que nossa vida mudou e não vou deixar que o Augustus ocupe o lugar que é meu por direito e vou falar sobre isso com o Hugo. Ele não poderá obrigar sua filha a casar com alguém apenas para que seu neto nasça com o pai do lado, e se ele está disposto a isso eu serei essa pessoa. Pois sou o verdadeiro pai.

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