Augustus Bernard
Sempre soube que meu destino estava traçado dentro da família Bernard. Meu pai, Arthur, queria que eu seguisse seus passos, controlando os negócios, mantendo a reputação impecável da família e, principalmente, obedecendo às suas ordens sem questionar.
Mas ele nunca soube quem eu realmente era.
Nunca soube do peso que carreguei durante anos, amando alguém que, aos olhos da nossa família, nunca poderia ser minha.
Marina Bernard.
Minha prima. Minha melhor amiga. Meu primeiro e único amor.
Fomos criados juntos, como irmãos. Crescemos compartilhando segredos, medos e sonhos. Mas, em algum momento, esse amor inocente se transformou em algo mais profundo, algo que nos consumia por dentro.
E quando minha família descobriu, foi como se o inferno tivesse se instaurado.
"Isso é errado!"
"Vocês são sangue do mesmo sangue!"
"Você vai destruir a família com essa loucura!"
Essas foram algumas das palavras que ouvi, sempre carregadas de desprezo e nojo. Fui afastado dela, enviado para viagens intermináveis de negócios, como se a distância pudesse apagar o que sentíamos um pelo outro. Mas o amor verdadeiro não se apaga.
Durante muito tempo, lutei sozinho, tentando encontrar uma saída para estar ao lado de Marina. Mas era como se todas as portas estivessem fechadas para nós. Minha família nos tratava como pecadores, como se nosso amor fosse uma aberração.
E então, eu conheci Heloisa. Era para ser a união entre as famílias, isso implantado pelo meu pai, com o pai dela. Um acordo comercial e com isso minha família se livraria de mim como vergonha.
Porém, ela foi bem mais corajosa, me deixando sozinho na palhaçada que foi nosso "noivado". Meses mais tarde me vi ao lado dela novamente quando meu pai me expulsou de casa, ela estava ferida e escondendo um segredo, estava grávida de seu grande amor Vittorio.
Vittorio não me julgou. Não me olhou como se eu fosse um monstro. Pelo contrário, quando soube da minha história, ele apenas disse:
"Se você ama de verdade, lute. O mundo não pode decidir por você."
E aquelas palavras ficaram marcadas em mim.
Eu ainda não consegui vencer essa batalha. Continuo preso às correntes da minha família, vivendo sob suas regras, fingindo que Marina é apenas minha prima, quando, na verdade, ela é o amor da minha vida.
Mas ver Vittorio lutar por Heloísa reacende algo dentro de mim.
Se ele está disposto a enfrentar tudo para ficar com ela, então eu estarei ao seu lado. Porque sei exatamente o que é amar alguém e ser impedido de viver esse amor.
E, talvez, ao ajudá-lo a vencer essa guerra, eu encontre forças para lutar pela minha própria felicidade.
Nos últimos meses, minha vida tem sido um jogo perigoso. De um lado, meu pai, tentando me moldar à sua imagem, me fazendo carregar o peso de um sobrenome que nunca escolhi. Do outro, a culpa de não poder estar ao lado de Marina, de não poder viver esse amor sem ser julgado.
Mas agora, vejo a luta de Vittorio por Heloísa e algo dentro de mim desperta. Um desejo profundo de ver pelo menos um de nós vencer essa guerra contra as correntes do destino.
— Você está mesmo decidido a ficar ao lado dela? — pergunto a Vittorio enquanto tomamos um café em uma cafeteria discreta de Nova Iorque.
Ele solta um suspiro pesado, passando a mão pelos cabelos escuros. Seu olhar carrega exaustão, mas também uma determinação feroz.
— Não há nada que me faça desistir, Augustus.
Balanço a cabeça, impressionado.
— Sabe que está declarando guerra contra o senhor Hugo, certo?
Ele solta uma risada seca.
— Hugo pode me odiar, pode me culpar, pode até tentar me afastar dela… Mas eu não vou a lugar nenhum. Não agora. Não depois de tudo.
O silêncio se instala entre nós, mas é um silêncio de entendimento. Eu sei o que é isso. Eu sei o que é amar e estar disposto a enfrentar o mundo por esse amor.
Ela arqueou a sobrancelha, inclinando-se ligeiramente em minha direção.
— Então você é um daqueles caras atormentados por um grande amor? — Sua voz carregava um toque de diversão, mas também um quê de verdade.
Soltei uma risada seca.
— Algo assim.
— Você parece do tipo que prefere sofrer a lutar. — Ela tomou um gole da própria bebida e me observou com atenção. — Mas acho que está começando a mudar.
Eu a encarei por um instante. Talvez ela estivesse certa. Talvez, pela primeira vez em anos, eu estivesse começando a enxergar uma possibilidade real de romper as correntes que me prendiam.
— E se eu estiver? — perguntei, mais para mim mesmo do que para ela.
— Então é melhor que esteja preparado. Porque lutar por algo que realmente se quer pode ser muito mais difícil do que simplesmente aceitar a dor.
Ela sorriu, mas havia um aviso velado em suas palavras. Um aviso que, de certa forma, eu já conhecia. Porque lutar por Marina significava enfrentar minha família. Significava desafiar tudo o que sempre me foi imposto.
E, pela primeira vez, essa ideia não parecia tão impossível.
Terminei minha bebida e deixei algumas notas sobre o balcão antes de me levantar.
— Boa noite — murmurei, antes de sair do bar.
A cidade continuava viva ao meu redor, indiferente aos meus dilemas. Mas eu não me sentia mais o mesmo homem que entrou naquele lugar minutos atrás.
Talvez fosse a conversa com Vittorio. Talvez fosse a frase daquela estranha no bar.
Ou talvez, só talvez, estivesse na hora de finalmente lutar pelo que sempre foi meu.

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