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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 138

Cap.137

— Que se foda. Eu não quero saber de audiência nenhuma. Ignora isso e essa merda some.

— Como ela descobriu sua identidade assim? — Axel perguntou, até se recordar de que Átila tinha usado seu e-mail também, além da conta de Adon. Ele pegou o celular às pressas. — Cacete! Esqueci que você tinha usado nossos e-mails oficiais. Será que ela sabe que somos os Felix?

— Não. Não tem nada sobre o sobrenome Felix — Átila suspirou.

— Que merda… olha onde você me enfiou. Se Adon souber… — Axel passou a mão no rosto. — Você enfiou ele num escândalo, e ele é o presidente do Grupo Felix.

— Era, não é? — Átila rebateu. — Ele está ferrando o grupo há dias. As ações estão caindo gradativamente, e você sabe que Alex é bom como don, mas não consegue manter a instabilidade estratégica que Adon consegue no Grupo Felix.

Alex precisa cuidar dos negócios da cidade e manter a ordem. Ele não tem tempo para a empresa enquanto dribla e controla o tráfico na cidade para não chamar atenção da segurança pública e privada.

— OK… — Axel respirou fundo. — Já estamos enfrentando problemas demais. Eu vou estudar o caso e ver como resolver isso sem precisar aparecer em audiência ou em público.

— Bom… o diploma de Direito é seu. Cuide disso — Átila disse, em um tom de ordem sutil que fez Axel quase engasgar.

— Eu não precisaria se você não fosse um desgraçado fora da lei! — Axel explodiu. — Olha o que eu estou dizendo: você é um stalker desgraçado.

— Veja pelo lado bom — Átila respondeu, frio. — Supostamente, podemos conhecer essa Kat-X.

— Vai se fuder! — Axel surtou. — É só uma subautora ganhando destaque, e você quer atacar porque acha que ela roubou seu lugar! Ela está na frente de você e de mais duzentos autores, seu infeliz!

Axel já estava à beira de um colapso dentro do carro, enquanto Átila se mantinha em uma calma monstruosa, calculando silenciosamente o que faria quando conhecesse Kat-X pessoalmente.

Enquanto isso…

A manhã chegou trazendo um cansaço pesado.

As três jovens haviam adormecido no mesmo quarto, entrelaçadas em um colo coletivo de consolo, vestindo tristeza e raiva como um cobertor. Selene, no meio, finalmente dormira um sono exausto e sem sonhos.

O toque estridente do celular cortou o silêncio.

Selene se mexeu, confusa, afundada no calor dos corpos das amigas. Katleia e Gildete também despertaram, desorientadas.

— Quem é… a essa hora? — Gildete murmurou, esfregando os olhos.

Selene pegou o celular. O número era desconhecido. Um frio instintivo percorreu sua espinha.

— Alô? — a voz saiu rouca pelo sono.

Do outro lado, uma voz profissional e neutra respondeu:

— Bom dia. Falo do Hospital Santa Clara. Estamos procurando um responsável pela paciente Guilhermina. Ela foi internada e listou este número como contato de emergência. A senhora pode se identificar?

O mundo de Selene desfocou.

Guilhermina.

Mima.

Hospital.

— Eu… sim. Sou uma amiga. O que aconteceu? Ela está bem? — sua voz subiu, trêmula.

— A paciente está estável, mas precisamos de informações. Ela foi encontrada em estado de abandono e sofreu agressões. A senhora pode vir ao hospital?

— Já estamos indo! — Selene respondeu, levantando-se da cama com o coração disparado.

Gildete e Katleia, alarmadas pela expressão dela, já estavam de pé.

— Quem era? — Katleia perguntou, enquanto se vestiam às pressas.

— Hospital. É a Mima. Ela foi agredida. Está internada.

— Quem é vivo sempre aparece — Gildete comentou, sem a ironia habitual. Seu rosto estava pálido. — O que será que aconteceu dessa vez?

Correram até o hospital, presas por uma ansiedade silenciosa.

No quarto de internação, a visão foi um choque.

— O que aconteceu com ela?

A médica, uma mulher de meia-idade de olhos cansados, consultou o prontuário.

— A paciente deu entrada com desidratação severa, desnutrição e múltiplas contusões compatíveis com agressão física. Parece ter ficado presa em algum lugar por um período prolongado, sem comida ou água adequadas. Os ferimentos não são recentes — têm alguns dias. Ela está se recuperando, mas o trauma é tanto físico quanto psicológico.

— Quem fez isso não queria matar rápido… queria fazê-la sofrer.

Cada palavra atingiu Selene como um soco.

Ela virou-se para as amigas, o rosto uma máscara de fúria glacial.

— Fiquem com ela. Eu já volto.

— Selene, não! — Katleia tentou segurá-la, mas já era tarde.

Selene avançava pelo corredor como um vendaval.

Não pegou táxi. Foi de metrô, cada sacolejo alimentando sua raiva.

Chegou ao Grupo Felix ignorando os olhares chocados no saguão. Sua antiga identificação ainda funcionou na catraca.

Ela era um fantasma furioso retornando ao local do próprio assassinato profissional.

Cíntia levantou-se atrapalhada ao vê-la avançar rumo à sala presidencial.

— Selene! Você não pode… o senhor Alex está em reunião…

— Poupe-me, Cíntia — Selene cortou, sem diminuir o passo. — Onde ele está? Na sala do Adon?

— Sim, mas—

Selene não ouviu o resto.

Chegou à pesada porta de madeira do escritório presidencial e, sem bater, empurrou-a com força, fazendo-a bater contra a parede com um baque seco.

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