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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 169

Cap.168

Ela saiu às pressas para a rua escura, olhou ao redor e não viu ninguém.

Com dedos trêmulos, discou para Axel.

— Axel! É a Katleia. A Maju… ela desapareceu. Saiu. Acho que foi procurar a Selene, mas… esse bairro não é seguro e ela não conhece nada aqui.

— MAS QUE PORRA! — a voz de Axel explodiu do outro lado da linha, uma mistura de fúria e preocupação. — Mais uma? Vocês não conseguem manter ninguém dentro de casa?!

— Ela se sente culpada! E não faz muito tempo que saiu, ela ainda deve estar pelo bairro! — Katleia explicou, a voz falhando.

— Tá bom. Tá bom. Eu procuro. Fica aí e não desaparece também. — Axel desligou bruscamente.

— O que aconteceu? — perguntou Átila. Os três irmãos ainda estavam acordados; nenhum deles conseguira pregar os olhos, estacionados nos limites da cidade após uma busca cansativa.

— A novata desapareceu.

— Está falando da sua futura esposa? — Átila comentou, em tom sério.

— Não é minha futura esposa, que saco! Eu vou procurar ela. Vocês podem ficar por aí. — Axel disse, saindo às pressas.

— O que acha? — William perguntou a Adon.

— Sobre o quê?

— Axel e essa menina…

— Duvido muito. Conhecendo o Axel… ele não vira isca facilmente, não depois do que aconteceu no passado.

— Ah… a traição… — William se arrepiou só de lembrar.

— Até hoje ninguém tem coragem de entrar naquele quarto, mesmo depois de ter sido transformado numa sala de jogos secundária. Aquele desgraçado devia ter pegado leve — Adon comentou, apertando os olhos e massageando as têmporas.

— Apesar de eu não acreditar muito que ele vá se apegar àquela menina, ainda acredito em reabilitação. Axel perdeu completamente a humanidade. É sempre mais difícil limpar a bagunça que ele faz. Mesmo os caras mais experientes, acostumados com esse tipo de serviço, não conseguem lidar.

— Por isso deixamos ele de fora de qualquer tipo de operação… melhor observar do que dar trabalho e acabar chamando atenção.

Axel, por sua vez, já estava chegando ao bairro onde as meninas moravam.

A madrugada ali era diferente. As luzes dos postes criavam poças de claridade isoladas entre oceanos de sombra.

Maju caminhava rápido, os braços cruzados contra o frio, o medo crescendo a cada esquina.

A determinação inicial dava lugar ao pânico. Ela não conhecia aquelas ruas. Não sabia para onde ir. Em um instante, o arrependimento veio.

Em um momento de desorientação, virou para um beco, pensando ser um atalho. Mal entrou, percebeu o erro. Era estreito, escuro, cheio de lixo, e a saída ficava ainda mais distante, embora ela conseguisse ver a rua ao fundo.

— Não… — sussurrou, dando meia-volta.

Mas já era tarde.

Três figuras se destacaram da escuridão, bloqueando a entrada do beco.

Eram homens jovens, com ar desleixado e olhos que brilhavam com diversão perversa ao vê-la.

— Olha só o que a noite trouxe — um deles disse, com um sorriso que mostrava dentes amarelados.

— Tá perdida, princesinha? — outro perguntou, aproximando-se.

Maju recuou até bater com as costas em alguém que nem tinha visto chegar. O pânico a engoliu. As lágrimas começaram a rolar.

— Por favor… eu só quero ir embora — chorou, a voz um fio de terror.

— Ah, não chora, gatinha — o primeiro disse, fingindo uma voz melosa. — Chora tão fofo assim… parte o coração da gente. Tá fazendo a gente ficar com pena.

Ela tentou se esquivar, correr para o lado, mas eles foram mais rápidos.

Um deles agarrou seu braço com força. O cheiro de álcool e sujeira a envolveu.

Maju gritou.

— Segura ela! — um deles ordenou, rindo.

Foi então que uma nova sombra preencheu a entrada do beco. Era larga, silenciosa, e carregava um longo objeto metálico relaxadamente sobre o ombro.

— Ah… — a voz surgiu, grave, cansada, carregada de uma ameaça tão palpável que o ar pareceu congelar. — Até que enfim te encontrei. Você não acha que está um pouco tarde?

Os três homens se viraram. A luz fraca do poste iluminou parcialmente o recém-chegado: Axel, com um bastão de beisebol de ferro e uma expressão de tédio mortal no rosto.

Um dos agressores empalideceu.

— É… é aquele cara… aquele que matou os homens do Omar no beco da Zona Leste… massacrou geral com um bastão…

O olhar de Axel passou lentamente de um para o outro. Ele não disse nada. Apenas esperou.

Foi o bastante.

— CORRE! — um deles gritou.

Os três dispararam para o outro lado do beco e desapareceram na escuridão.

Maju escorregou até sentar no chão frio, tremendo. Olhava para Axel não como um salvador, mas como uma força da natureza — algo temido até pelos predadores das ruas. Seu choro era silencioso, convulsivo.

Axel se aproximou, guardando o bastão em um suporte nas costas que ela nem tinha notado. Ajoelhou-se à sua frente, mantendo certa distância.

— Tá machucada? — sua voz era diferente agora. Ainda grave, mas sem a frieza de antes.

— Vou te levar de volta. Vamos. — ordenou.

Maju correu para acompanhá-lo, segurando seu braço para não ficar para trás.

Axel estranhou a proximidade, mesmo sabendo que era apenas medo.

Assim que saíram do beco, havia outro carro estacionado atrás do seu. William estava encostado no capô.

Axel colocou Maju no banco do passageiro e foi até ele.

— O que faz aqui?

— Você sabe… eu sou o responsável por evitar escândalos. Apesar de ser um advogado renomado, não quero ter que justificar pilhas de carne moída irreconhecível.

— Ok… mas não matei ninguém dessa vez. Eles foram mais rápidos. Parece que, infelizmente, eu criei uma fama por aqui.

— Quem será que criou, né? — William comprimiu os lábios, desviando o olhar.

Axel apontou o dedo, irritado.

— Você… você está espalhando meu perfil por aí?

— Não… só digo que, se eles virem um homem com um bastão de ferro, devem correr. Ou, se preferirem, podem ficar para serem torturados até virar carne moída viva.

— Vocês só sabem acabar com a minha diversão…

— Você tem outro problema agora.

— Ela não é um problema. Eu só tenho que entregá-la.

— Mas ela é sua propriedade, e existem regras. Maju não vai poder andar solta por aí por muito tempo. Você vai ter que reivindicá-la. A máfia mantém atenção dobrada, porque essas mercadorias têm língua.

— Porra! O que você quer que eu faça com uma menina de dezessete anos?

— Ahn, ahn… — William tossiu de forma teatral. — Ué? Adota, cria e, quando crescer… você devora? — brincou, rindo. — Vai dizer que não? Essa é a coisa mais comum entre a gente.

O rosto de Axel se fechou numa máscara de desprezo.

— Não me compare a essa imundície — sua voz saiu baixa, afiada. — Eu me recuso a apodrecer junto. Nem eu, nem meus irmãos. Jamais.

— Meninas crescem e se tornam mulheres, e esse contrato é vitalício. Não me faça limpar sua barra nisso também — William rebateu, agora sério, com a mesma autoridade fria de Adon.

A noite ainda estava lá, mas o caminho de volta parecia, para Axel, mais perigoso do que qualquer beco. O verdadeiro risco, ele percebia agora, não estava apenas nas ruas, mas nos cantos escuros do próprio coração.

Enquanto isso, William seguiu atrás, o telefone no suporte do carro.

— Conselheiro Willy… — murmurou, com o olhar duro na estrada. — Está na hora de dividir o fardo. Você já sabe o que está acontecendo com o grupo Felix. Omar está um passo à frente.

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