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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 177

Cap.176

Pov Adon

Depois da sala de observação, segui com Alex até a mansão dos Felix.

Nada foi dito no caminho. Não precisava. Naquele momento, tudo o que eu precisava era de um lugar seguro e apropriado para ouvir o que eu precisava saber sobre toda essa rivalidade.

No escritório, o ar parecia solidificado, como se as verdades recém-ditas tivessem evaporado e agora nos obrigassem a respirar culpa e ruína a cada inspiração.

Continuei de pé. Minhas pernas simplesmente se recusavam a obedecer ao comando de sentar.

— Você pediu urgência — disse ele, sem se virar. — O que foi, Adon? O que justifica marcar isso a essa hora?

Fechei a porta atrás de mim com cuidado excessivo.

— Não acha que já passou da hora de abrir o jogo? Parece que estou brincando de cão e gato em uma caça que não vai trazer benefício algum. E quer saber? Eu só estou perdendo. O que você está escondendo? — perguntei.

Ele se virou devagar.

Não parecia surpreso. Nem irritado. Apenas… sério como sempre, se tratando do Don.

— Abrir qual jogo?

Caminhei até a mesa e parei diante dele. Apoiei as mãos no tampo polido, encarando-o de forma rígida.

— Por que tudo isso aconteceu? Omar… desde o início ele estava escondendo Simone de você. Não era um mal-entendido. Desde sempre ele soube que ela estava viva, mas… por que ele fez isso? O que há entre vocês? Entre Selene, Simone, eu, você, os mortos… as mentiras.

Minha voz saiu firme, mas eu me sentia quebrado e de mãos atadas. Selene não saía da minha cabeça.

— Você já sabe como as coisas foram. Nem mesmo eu sabia que ela estava viva. Que verdade você quer?

— Chega de versões convenientes. Eu quero a origem.

Alex me observou por longos segundos. Depois respirou fundo e sentou-se na poltrona de couro, como alguém que finalmente aceita o peso da própria culpa.

— Eu imaginava que esse dia chegaria — disse. — Só não pensei que seria tão tarde. Você nunca se perguntou como foi o início de toda a rivalidade… sempre aceitando tudo o que presenciou, sem se perguntar se algo havia acontecido antes. Estou até surpreso.

— Começa — exigi. — Agora!

Ele cruzou as mãos, apoiando os cotovelos na mesa.

— Eu te acompanho desde os seus cinco anos, Adon.

A frase me atingiu com força suficiente para me fazer prender a respiração. Eu pensei que… ele tinha me conhecido quando fui adotado.

— Desde o dia em que você foi entregue a um orfanato. Você sabe… a maioria dos mafiosos tem esse costume. Suas crianças ficam escondidas até alcançar a maioridade e vivem como rejeitadas, sem identidade ou origem.

— Isso não é novidade — respondi. — Mafiosos fazem isso o tempo todo. Renunciam às próprias crias antes de ascender ao poder. Criam-nas longe, a fim de mantê-las seguras.

Alex assentiu lentamente.

— Sim. A maioria dos que estão prestes a se tornar líderes faz exatamente isso. É um sacrifício estratégico. Um preço para manter os filhos vivos. Comigo foi um pouco diferente em relação aos meus filhos homens — e teria sido diferente com Simone. Para que ela fosse criada, eu abri mão de Samilly. Ela não queria viver ao meu lado, ainda mais sabendo o que eu fazia… ainda mais quando soube que Omar teve um filho.

— Ele não esperava que alguém me adotasse?

— Não — Alex balançou a cabeça. — Nem ele. Nem eu. Muito menos esperava que quem te adotasse fosse a última pessoa nesta terra que não deveria fazê-lo.

Meu coração começou a bater mais rápido.

— E foi aí que tudo deu errado.

Alex fechou os olhos por um instante, como se revivesse algo que preferia esquecer.

— Eu não sabia que Samilly pretendia te adotar. Ela não sabia quem você era e simplesmente te levou para casa. Mas você era uma criança monitorada. Omar não aceitou que alguém tivesse adotado seu filho. E quando descobriu quem foi, pensou que eu tinha ligação com aquilo, mesmo que Samilly tenha te escolhido por conta própria.

O que Alex tinha acabado de me dizer não eram apenas revelações. Cada frase rachava os alicerces de tudo o que eu acreditava ser.

Só uma coisa não tinha mudado em tudo isso: eu ainda era o culpado pela morte da minha mãe adotiva. A pessoa que me criou com um amor de mãe que eu nunca tive… mas fui eu quem causou a morte dela.

Se Alex a amava, então por que continuou me tratando como filho?

Aquilo estava óbvio. Omar, todos esses anos… sempre quis me levar de volta para o lado dele. E aquele papo paternal, a briga com Alex por me querer de volta?

— Então eu só era um objeto? Eu sempre te vi como pai… você nunca me escondeu que Omar era meu pai, e até me deixou escolher se eu queria ir com ele, mas… tudo isso? Porque queria um cão fiel? — minha voz soou rouca, uma mistura de desespero e acusação. — Nisso tudo, eu era um prêmio voluntário de guerra? Um troféu para ser exibido ou usado como moeda? Omar matou sua família e você me manteve preso a você para se vingar dele durante todos esses anos?

Alex não respondeu imediatamente. Ele se levantou, a postura imponente, mas algo em seus olhos se contraiu, como se minhas palavras fossem pequenos cortes.

Em vez de raiva, vi uma centelha de… dor.

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