Cap.89
POV: Selene
Eu estava determinada a ignorar Adon o dia inteiro, mesmo depois da humilhação com Mima pela manhã. Eu estava exausta e magoada, mas focada em meu trabalho no RH.
No horário de almoço, ouvi um burburinho nos corredores. Eu estava pegando um café quando vi Adon, Axel e Átila passando. Eles estavam falando alto o suficiente para eu ouvir.
— Está decidido. Casa noturna hoje à noite — disse Axel.
— Para tirar o foco do dilema virgem — Átila brincou.
— Bom... não vai ser ruim passar um tempo longe dessas confusões — Adon finalizou, com um suspiro.
Meu corpo congelou. Casa noturna. Eu sabia o que isso significava. Eu sabia quem Adon era e seus costumes. Ele realmente não se importava com nada.
Eu me mantive longe dele o resto do dia. Ele tentou me procurar no meu andar, mas eu me escondi no arquivo. Eu não queria encarar aquele cinismo.
À noite, enquanto eu terminava meu trabalho, meu celular vibrou. Era ele.
Adon: Me espere no meu apartamento. Você prometeu. Quero te ver.
— Você é só um cínico! — esbravejei comigo mesma.
Eu sabia que ele não ia gostar, mas não me importei. Esperei o horário de saída. Vi Adon, Axel e Átila deixando o prédio e entrando em um carro escuro. Peguei um táxi e ordenei ao motorista que os seguisse.
O carro parou em frente a um prédio enorme, iluminado por luzes neon vermelhas. Era uma casa noturna. Não um bar chique, mas um lugar com seguranças gigantes e uma atmosfera de excesso.
Eu senti um frio na barriga, mas o desejo de enfrentar a verdade me impulsionou.
Paguei o táxi e entrei.
O interior era sufocante e opulento. A música alta vibrava no chão. A primeira coisa que notei foram os homens com ternos caros e as mulheres — muitas delas vestidas de forma escandalosa, algumas quase nuas. Meus olhos procuraram por Adon no meio da multidão. Nada.
Eu estava perdida e completamente fora do lugar.
De repente, uma moça alta, com um vestido minúsculo e um sorriso profissional, me encarou curiosa. Ela me analisou de cima a baixo e, para meu choque, pareceu aprovar meu corpo.
— Você está procurando trabalho, querida?
Antes que eu pudesse responder, ela chamou mais duas meninas que estavam perto do bar. As duas vieram, e uma delas comentou casualmente:
— Olha só a florzinha que entrou aqui.
— Ela está procurando trabalho? Pode deixar ela com o responsável do lugar, assim ele vai escalá-la para algum setor.
— Não sei... eu não deixaria ela entrar. Nem parece ter experiência.
— Nenhuma que entra aqui tem. Estamos subindo, e você deve vir também. Adon está nos esperando no andar de cima.
Meu coração acelerou. Adon.
— Esperem! — pedi, com a voz tensa. — Vocês conhecem o Adon?
As três me olharam, avaliando minha roupa simples e meu olhar assustado.
— Conhecemos, mas quem é você? — perguntou a primeira.
Eu desviei o olhar, envergonhada. Como eu explicaria?
— Eu... eu tenho uma dívida com ele — confessei, em voz baixa.
As três riram — alto e sincronizado.
— Uma dívida? Querida, todas nós temos uma dívida com ele, de um jeito ou de outro! — disse a segunda.
— Mas... eu queria ver ele agora... será que eu poderia? É que ele disse que eu deveria ir ao apartamento dele, mas encontrei ele por acaso...
— Apartamento? Desde quando ele levaria alguém ao apartamento dele? — elas se entreolharam, confusas.
A terceira moça riu baixinho.
— O quê? Você pergunta como ele é, mas diz que já ficou com ele?
A morena suspirou, avaliando meu constrangimento extremo.
— Ah, parem. Ela é tão tímida que até parece que nunca fez nada.
Meu rosto queimou. Elas riram, mas havia certa compreensão.
A loira se inclinou e beijou minha bochecha.
— Você é linda. Ingênua por se apaixonar por Adon. Está na sua cara que está com ciúmes. Tem sorte de ter parado aqui e não em um lugar perigoso. Aqui, sendo um lugar grande e luxuoso com o nome do Grupo Felix, todo mundo anda na linha para não causar escândalos.
A sinceridade dela foi um choque frio. O que elas estavam tentando dizer? Mas olhando ao redor, percebi: o Grupo Felix mantinha uma casa de prostituição camuflada como casa de festas VIP. Um negócio ilegal disfarçado.
— Uma coisa que sabemos desse homem é: ele não é para mulheres apaixonadas. Muito menos para mulheres virgens apaixonadas. Adon é um filho da puta sem sentimentos ou coração.
Ela segurou meu rosto com firmeza, séria.
— Quer um conselho? Saia disso antes que você se machuque.
Meu rosto queimou. As lágrimas estavam perto, mas eu me forcei a segurá-las.
— E não estou falando só emocionalmente — ela completou. — Mas também fisicamente. Se ele inventar de te levar pra cama... a hora que ele fica por cima... — ela comprimiu os lábios e balançou a cabeça.
O elevador parou. A porta se abriu para um salão ainda mais luxuoso. Adon estava em uma mesa, bebendo e conversando com Axel e Átila, rodeado por outras mulheres.
Eu entrei no salão carregando o peso daquela verdade terrível:
Eu era apenas mais uma.
E ele era sempre considerado alguém

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!