ALEXANDER HAMPTON
Acordamos duas horas depois, não uma, com o céu lá fora tingido de um roxo profundo e as luzes da cidade começando a piscar como vaga-lumes.
Lizzy estava animada demais. Ela pulou da cama, trocou a roupa de viagem por um vestido de algodão e sandálias, me arrastou para fora do quarto antes que eu pudesse sequer processar em que fuso horário eu estava.
— Vamos, Alex! A noite é uma criança e eu estou faminta!
Nossa primeira missão: transporte.
Saímos do hotel e fomos imediatamente abordados por um exército de Tuk-Tuks. Eram triciclos motorizados, coloridos com neon, tocando música pop tailandesa no volume máximo.
— Aquele! — Lizzy apontou para um Tuk-Tuk que parecia uma discoteca sobre rodas, cheio de luzes azuis piscantes. O motorista, um senhor com um sorriso de poucos dentes e óculos escuros à noite, nos acenou.
— Lizzy, isso parece seguro? — perguntei, cético, olhando para a estrutura aberta que basicamente dizia "morte certa no trânsito".
— Deixa de ser velho, Hampton! É cultural! — Ela já estava subindo.
Suspirei e entrei ao lado dela. O espaço era pequeno, o que significava que ficamos colados, coxa com coxa. Isso não era tão ruim.
— Para o mercado noturno de Yaowarat, por favor! — Lizzy pediu, mostrando o mapa no celular.
O motorista assentiu, gritou algo animado e... acelerou.
Quando digo acelerou, eu quero dizer que ele decolou.
O Tuk-Tuk arrancou cantando pneu, jogando nossas cabeças para trás. Lizzy soltou uma gargalhada alta e agarrou meu braço. Eu agarrei a barra de metal do teto com tanta força que meus nós dos dedos ficaram brancos.
— ELE ACHA QUE ESTÁ GRAVANDO VELOZES E FURIOSOS! — Gritei sobre o barulho do motor, enquanto costurávamos entre carros, ônibus e motos.
O vento quente batia nos nossos rostos. As luzes de Bangkok passavam como borrões coloridos. Era uma loucura sensorial. O motorista buzinava para tudo e todos, rindo.
— ISSO É INCRÍVEL! — Lizzy gritou de volta, o cabelo voando na minha cara. Ela estava radiante e os olhos brilhavam com a adrenalina. — OLHA AQUELE TEMPLO! OLHA AQUELAS LUZES!
Em uma curva fechada, o Tuk-Tuk inclinou perigosamente. Eu instintivamente passei o braço pelos ombros dela, protegendo-a, e ela se aconchegou em mim, rindo histericamente.
— Se morrermos aqui, pelo menos morremos juntos! — ela disse.
— Eu prefiro viver para comer o Pad Thai, obrigado! — retruquei, mas estava rindo também. Era impossível não rir. A alegria dela era contagiante e eu me sentia vivo como nunca.
Chegamos ao bairro de Chinatown (Yaowarat) vivos, embora com o cabelo em pé. Paguei o motorista e dei uma gorjeta generosa pela "emoção extra".
— Ok, primeira atividade concluída. — falei, ajeitando a camisa. — Qual a próxima?
Lizzy olhou ao redor. A rua estava abarrotada. Letreiros de neon gigantes com caracteres chineses e tailandeses iluminavam a noite. O cheiro misturava alho frito, durian, incenso e frutos do mar grelhados. Havia multidões de pessoas, turistas e locais, se cotovelando.
— Massagem. — Lizzy decretou, apontando para uma fileira de cadeiras reclináveis colocadas literalmente na calçada, onde massagistas trabalhavam nos pés de turistas exaustos. — Meus pés incharam no avião e eu preciso relaxar depois daquela corrida de Fórmula 1.
— Massagem na calçada? Com todo mundo passando?
— É a experiência completa, Alexander. Vamos logo.
Ela me puxou e sentamos em duas cadeiras lado a lado. Uma senhora pequena e forte pegou meu pé. Assim que ela pressionou o arco do meu pé, eu dei um chute involuntário no ar e soltei um som que foi metade risada, metade grito.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!