ELIZABETH WINTER
Se a Tailândia foi um sonho dourado e sedoso, o Vietnã nos atingiu como um despertador barulhento, vibrante e com cheiro de escapamento misturado a coentro.
Aterrissamos em Hanói sob uma garoa fina que transformava a cidade em uma pintura aquarela cinzenta e verde. A viagem do aeroporto até o Old Quarter foi uma experiência de quase morte a cada trinta segundos. O conceito de "faixa de trânsito" aqui parecia ser apenas uma sugestão artística, não uma regra.
Eram rios de motocicletas, carregando famílias inteiras, porcos vivos, geladeiras e pilhas de caixas que desafiavam a gravidade, tudo fluindo em uma cacofonia de buzinas.
Segurei a mão de Alex no banco de trás do táxi, esperando ver aquele vinco de preocupação na testa dele, aquele que aparecia sempre que algo não seguia o protocolo de segurança padrão.
Mas ele estava sorrindo. Ele estava com o rosto colado na janela, observando a confusão com a fascinação de uma criança.
— Olha aquilo, Lizzy! — Ele apontou para uma senhora em uma bicicleta carregando o que parecia ser um jardim inteiro de flores na garupa. — O equilíbrio dela é insano.
Quando o táxi parou, não foi na frente de um hotel boutique com porteiro e ar condicionado central. Foi na entrada de um beco estreito onde o carro não passava.
— É aqui? — Alex perguntou, pegando sua mochila. Sim, ele tinha abraçado a vida de mochileiro e abriu mão de malas, aceitando que se houvesse algo urgente poderíamos comprar.
— O endereço diz que sim. — Verifiquei o aplicativo. — The Red Dragon Homestay. Fica... lá dentro.
Apontei para a viela escura, onde fios elétricos formavam ninhos de pássaros gigantescos sobre nossas cabeças.
— Excelente. — Alex disse, sem um pingo de sarcasmo. — Vamos lá.
O "hotel" era, na verdade, um prédio estreito e alto, uma daquelas famosas "casas tubo" de Hanói, espremido entre uma loja de ferragens e uma de seda. Não havia elevador. Nosso quarto ficava no quarto andar. A escada era íngreme o suficiente para ser considerada um exercício de crossfit.
O quarto em si era... modesto. Havia uma cama de casal com um mosquiteiro, um ventilador de teto que girava com um "clic-clac" rítmico e uma janela pequena que dava para a parede do prédio vizinho, a meio metro de distância. O banheiro era um cubículo onde o chuveiro ficava literalmente em cima da privada.
Sentei na cama, testando a firmeza do colchão e olhei para Alex, esperando o veredito. O Alexander Hampton de Nova York, certamente teria algo a dizer.
Ele largou a mochila no chão, limpou o suor da testa e olhou ao redor.
— Autêntico. — ele decretou, abrindo um sorriso genuíno. — E tem ar condicionado, o que é um luxo.
Soltei uma gargalhada, aliviada e encantada.
— Quem é você e o que fez com o meu marido fresco?
— Mandei ele para Manhattan. — Alex veio até mim, puxando-me para um abraço suado e apertado. — O marido que está aqui quer tomar um banho rápido naquele cubículo e sair para explorar. Temos um tour agendado, não é?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!