ELIZABETH WINTER
— Temos que descobrir o que essa chave abre.
— Você tem certeza? — perguntei. Alex levantou os olhos para mim.
— Se formos para a polícia sem saber o que é isso... — Ele tocou o bolso onde guardara o envelope vermelho. — Podemos estar entregando aquele garoto para a morte.
Assenti, sentindo um calafrio percorrer minha espinha. Eu tinha pedido aventura, não tinha? Bem, o destino tinha um senso de humor peculiar e acabara de me entregar um filme de espionagem da vida real.
— Tudo bem. — Respirei fundo, canalizando a Elizabeth Winter que topava qualquer coisa. — Vamos lá.
Arrumamos nossas coisas, colocamos nossos documentos, cartões e celulares nos bolsos. Troquei as sandálias por tênis confortáveis e prendi o cabelo em um rabo de cavalo alto. Alex vestiu uma camiseta preta limpa, cobrindo o curativo, e jogou a jaqueta por cima.
Saímos do quarto. Descemos as escadas na ponta dos pés, evitando os degraus que rangiam, como dois adolescentes fugindo de casa, exceto que o perigo não era nossos pais, mas a máfia vietnamita.
A rua estava mais calma agora e a umidade da noite grudava na pele instantaneamente.
— É aquele ali. — Alex murmurou, inclinando a cabeça na direção oposta.
O prédio amarelo.
À luz do dia, ele devia ser charmoso, uma relíquia colonial francesa com sua pintura descascada e persianas verdes. Agora, sob a luz alaranjada dos postes de rua, parecia uma caveira sorridente. As janelas escuras eram órbitas vazias, e as varandas de ferro forjado pareciam grades de uma prisão.
Atravessamos a rua. Alex segurava minha mão com força, seu polegar acariciando meu pulso em um ritmo constante.
A entrada do prédio não tinha porta, apenas um portão de ferro que estava entreaberto. Acima, uma placa de madeira gasta dizia: Nhà Khách Hoa Sen — Pousada Lótus.
— Pronta? — Alex sussurrou, parando na entrada.
— Se eu disser não, voltamos para nossa hospedagem?
— Acho que não é possível.
— Então estou pronta.
Entramos.
O saguão era pequeno, abarrotado de móveis de madeira escura e vasos de plantas que pareciam estar ali desde a guerra. Havia um balcão de recepção no canto, onde uma pequena televisão transmitia um programa de culinária sem som. Atrás do balcão, um homem idoso dormia em uma cadeira reclinável, a boca aberta, emitindo um ronco suave e rítmico.
Alex colocou o dedo nos lábios, pedindo silêncio.
Passamos pelo recepcionista como fantasmas. O piso de ladrilho hidráulico era a nossa salvação, silencioso sob a borracha dos meus tênis. A escadaria ficava ao fundo, uma espiral que subia para a escuridão.
Começamos a subir.
Primeiro andar. O cheiro de incenso era forte aqui, misturado com o aroma de sopa de peixe. Havia sapatos deixados do lado de fora de algumas portas.
Segundo andar. O silêncio era interrompido apenas pela respiração um pouco mais pesada de Alex. Eu sabia que o ombro dele devia estar latejando, mas ele não reclamava. Subia na frente, testando cada degrau antes de deixar eu pisar, era como meu escudo humano pessoal.
Terceiro andar.
Paramos no patamar. O corredor era estreito, iluminado por uma única lâmpada fraca no teto que piscava intermitentemente. Havia quatro portas.
E, no final do corredor: 304.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!