ELIZABETH WINTER
Alex pegou o primeiro caderno. Abriu aleatoriamente. As páginas estavam cobertas de uma caligrafia meticulosa, em vietnamita, com datas e nomes. Muitos nomes.
— É um diário. Ou um registro.
Peguei a pasta de documentos. Estavam em inglês e francês, além de vietnamita. Meus olhos correram pelas linhas, tentando entender a linguagem burocrática.
— "Projeto Lótus Negro"... — li em voz alta. — "Expropriação de terras"... "Relatórios de corrupção"... parecem provas.
— Provas de quê?
Folheei as páginas, sentindo o sangue gelar. Havia fotos de homens em reuniões, mapas de terrenos, cópias de transações bancárias.
— O avô desse menino... ele estava documentando um escândalo de corrupção envolvendo terras e... — Parei em uma foto anexada a um relatório. — Alex. Olha esse homem.
Apontei para a foto granulada de um homem de terno apertando a mão de um oficial militar.
— Eu reconheço ele. Foi o cara que nos perseguiu no beco. O que segurava o pau.
— Ele não é um bandido comum. — Li a legenda da foto. — "Leitor de Sindicato Imobiliário". Eles estão limpando áreas antigas da cidade para construir arranha-céus ilegais. E isso são as provas de quem estava sendo subornado para permitir isso.
— Se essas provas vierem a público, muita gente poderosa vai para a cadeia.
— E o garoto era a única ponta solta. E agora, nós somos a segunda.
De repente, um som veio do corredor.
Não eram passos sorrateiros dessa vez. Eram vozes. Vozes altas, agressivas, discutindo em vietnamita. E o som de portas sendo batidas.
— Eles estão aqui. — Alex sussurrou, levantando-se num pulo e apagando a luz da mesa, mergulhando o quarto na escuridão novamente.
A luz do corredor filtrava por baixo da porta. Vimos sombras se moverem rapidamente.
— 301... Không phải ở đây! (301... Não é aqui!) — Uma voz grossa gritou.
— 302! Mở cửa ra! (302! Abre a porta!)
Ouvimos o som de uma porta sendo arrombada a dois quartos de distância, seguido de gritos de protesto de algum hóspede infeliz.
— Eles estão checando quarto por quarto. — Sussurrei. — Alex, eles sabem que estamos neste andar. Eles nos seguiram ou alguém nos viu entrar.
Alex olhou ao redor do quarto freneticamente. Não havia saída. A porta era a única entrada. A janela...
Ele correu para a janela e abriu as persianas verdes.
— Lizzy, vem cá.
Fui até ele. A varanda era pequena, decorada com o tal gradeado de flores de ferro. Olhamos para baixo. Três andares. Uma queda mortal para o concreto da rua.
— Não dá para pular.
— Não para a rua. — Alex apontou para a direita.
A varanda do quarto vizinho, o 303, ficava a cerca de um metro e meio de distância. Não era longe, mas o espaço entre elas era um abismo escuro.
— Você quer pular para a outra varanda? — perguntei, incrédula.
— É a única chance. Se ficarmos aqui, estamos encurralados. E se eles encontrarem esses documentos com a gente...
— Eles nos matam. — Completei.
Um som alto veio da porta ao lado. Quarto 303. Ouvimos madeira rachando e vozes furiosas.
— Eles estão no 303. — Alex disse. — O nosso é o próximo.
— Se pularmos para a varanda do 303, vamos dar de cara com eles! — argumentei.
— Não. — Alex olhou para cima. — Não vamos para o lado. Vamos para cima.
Olhei para cima. Acima da nossa varanda, havia o beiral do telhado. Era uma estrutura de concreto saliente, com uma calha de metal antiga correndo ao longo dela.
— Você quer subir para o telhado? Alex, seu ombro...
— Eu consigo. — Ele garantiu, pegou a caixa de metal, tirou os documentos e os cadernos, e enfiou tudo dentro da jaqueta, fechando o zíper até o pescoço. — Te dou pezinho. Você sobe, agarra a calha e se puxa.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!