ELIZABETH WINTER
Paris amanheceu com uma luz cinzenta e elegante filtrando pelas cortinas pesadas do Plaza Athénée, o cheiro de café fresco chegando com o serviço de quarto e o peso reconfortante do braço de Alex sobre a minha cintura.
Acordamos tarde. Um luxo que não tínhamos há dias. Comemos croissants na cama, sujando os lençóis de alta contagem de fios com farelos amanteigados, e rimos disso.
— Qual era mesmo o plano de hoje? — Ele perguntou, terminando seu café.
— Louvre. — decretei. — Preciso ver a Vitória de Samotrácia. E depois, precisamos resolver um problema.
— Que problema?
— Nossas mochilas. — Apontei para os dois volumes de trekking no canto do quarto, que pareciam alienígenas no cenário rococó. — Elas estão cheias. E nós temos dois trajes cerimoniais vietnamitas volumosos de seda e um monte de lembranças.
Alex jogou a cabeça para trás no travesseiro.
— Você quer comprar uma mala. Achei que éramos mochileiros, Lizzy. Mochileiros não andam com malas de rodinha.
— Nós somos mochileiros de luxo, Alexander. Somos "glampackers". E eu não vou amassar meu Áo Dài enfiando-o no fundo de uma mochila junto com meias sujas.
— "Glampackers". — Ele testou a palavra. — Ok. Louvre, comida, mala. Vamos nessa.
[...]
O Museu do Louvre estava, previsivelmente lotado. Mas era uma lotação organizada, civilizado e perfumado, muito diferente das ruas de Hanói.
Caminhamos de mãos dadas pela pirâmide de vidro, o sol finalmente rompendo as nuvens e criando padrões geométricos no chão. Alex, com sua altura e ombros largos, abria caminho na multidão para mim como um quebra-gelo humano.
Ele continuou em frente enquanto entrávamos na ala Denon.
A sala da La Gioconda era um zoológico. Centenas de telefones levantados, paus de selfie e turistas se cotovelando.
— Não estou vendo nada. — resmunguei, ficando na ponta dos pés. — Só vejo a careca daquele senhor.
Senti as mãos de Alex na minha cintura.
— Segure-se. — Ele avisou.
Sem esforço, ele me levantou um pouco, o suficiente para que eu visse, por cima do mar de cabeças, o pequeno quadro protegido por vidro à prova de balas.
Lá estava ela. O sorriso enigmático e o olhar que te seguia.
— Sabe... — Alex comentou perto do meu ouvido, enquanto me mantinha firme. — O sorriso dela me lembra o seu.
Virei o rosto para olhá-lo, indignada.
— O meu?
— É. Parece o sorriso de alguém que sabe onde o corpo está enterrado, mas não vai contar para a polícia. — Ele riu. — O sorriso de Monalizzy.
Dei uma cotovelada nas costelas dele e ele me colocou no chão.
— Você é um idiota inculto, Hampton. Óbvio que ela está sorrindo porque sabe que é a mulher mais famosa do mundo.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!