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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 2

ELIZABETH WINTER

2 ANOS DEPOIS...

Estávamos na cabine da primeira classe do jato que nos levaria de volta para casa. Olhei pela janela, mas havia apenas um tapete infinito de nuvens brancas cobrindo o Oceano Atlântico.

Foram um ano e dois meses viajando. Parecia uma eternidade e, ao mesmo tempo, um piscar de olhos.

Olhei para o meu braço esquerdo, descansando no apoio de couro da poltrona. Onde antes havia apenas um relógio de ouro e diamantes, agora havia uma coleção colorida de fitas, cordões, sementes e metais. Doze símbolos. Doze votos. Doze versões de "eu aceito" ditas em línguas diferentes, sob céus diferentes, mas para o mesmo homem.

Alex dormia ao meu lado. O assento dele estava reclinado e o rosto virado para mim. A pele estava bronzeada pelo sol de doze países, havia linhas finas de riso ao redor dos olhos que não existiam antes, e o cabelo estava um pouco mais comprido, mais selvagem.

Estendi a mão e toquei a barba dele, lembrando de onde começamos a etapa seguinte dessa loucura, logo depois do Peru.

Brasil.

Fechei os olhos e o cheiro de terra molhada e floresta densa invadiu minha memória.

A Amazônia tinha sido um mergulho.

Lembro-me de quando o pequeno avião monomotor pousou na pista de terra vermelha perto de Manaus, e o calor nos atingiu como um abraço físico, úmido e pesado. Alex, que tinha acabado de se recuperar do frio dos Andes, sorriu e disse que seus poros finalmente estavam felizes.

Ficamos hospedados em um lodge flutuante no Rio Negro. Para chegar lá, navegamos por horas em águas escuras que espelhavam o céu. Não havia internet, não havia sinal de celular, apenas os sons da selva.

Nossa quarta cerimônia aconteceu em uma clareira, sob a copa de árvores centenárias que pareciam tocar o céu.

Fomos recebidos por uma tribo local que mantinha suas tradições vivas com um orgulho feroz. Não houve vestido de seda ou túnicas reais dessa vez.

Alex vestia uma calça de linho e estava sem camisa. Eu usava um vestido simples de algodão branco. Mas o verdadeiro adorno veio das mãos das mulheres da tribo. Elas pintaram nossos rostos e braços com tinta de urucum e jenipapo, desenhos geométricos que significavam proteção, força e união.

O Pajé, um senhor de idade indefinível com um cocar de penas coloridas, conduziu o ritual. Ele falava em Tupi, uma língua que soava musical e antiga.

— A floresta é uma só — o guia traduziu enquanto o Pajé unia nossas mãos sobre uma cuia com água do rio. — As raízes se entrelaçam por baixo da terra para que as árvores fiquem de pé durante a tempestade. Assim deve ser o amor de vocês. Raízes invisíveis, mas inquebráveis.

Lembro-me de olhar para Alex naquele momento. O rosto pintado de vermelho, o suor brilhando no peito, os olhos fixos nos meus.

Quando dissemos nossos votos, o som se misturou ao barulho da chuva torrencial que começou a cair de repente, lavando o mundo, mas não a tinta em nossa pele. Dançamos na chuva com a tribo, rindo, girando na lama, sentindo uma alegria que eu nunca poderia experimentar em nenhum salão de baile de Manhattan.

Naquela noite, dormimos em uma casa na árvore, ouvindo os sons noturnos da Amazônia.

Casal 2: 129 - Doze casamentos 1

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