ELIZABETH WINTER
As portas duplas do Grand Ballroom do Plaza Hotel eram imensas, brancas e douradas, parecendo os portões do próprio Olimpo. Atrás delas, eu podia ouvir o zumbido abafado de quinhentas pessoas, a nata da sociedade nova-iorquina, parceiros de negócios do meu pai, amigos da minha mãe e curiosos que queriam ver se a "herdeira rebelde" realmente ia se casar.
Mas, curiosamente, o meu mundo tinha encolhido.
Toda a grandiosidade, o brilho dos lustres de cristal que eu sabia que estavam lá dentro, as milhares de peônias brancas e rosa pálido que minha mãe importou... tudo isso parecia cenário de fundo. A única coisa nítida, era a mão do meu pai segurando a minha e a certeza de que Alexander estava do outro lado.
— Respire, Lizzy. — Meu pai sussurrou, dando um tapinha na minha mão pousada em seu braço. — Não me faça cair. Esses sapatos novos são escorregadios.
Soltei uma risada nervosa.
— Eu seguro você, pai.
A música começou. Não a marcha nupcial tradicional de Wagner, porque eu tinha vetado. Em vez disso, a Orquestra Filarmônica começou a tocar uma versão instrumental, suave e crescente, de "La Vie en Rose".
As portas se abriram lentamente.
Caminhamos pelo corredor. Havia rostos conhecidos por toda parte, sorrindo, alguns chorando, mas eu mal os via.
Meus olhos buscaram o altar.
E lá estava ele.
Alexander Hampton.
Ele não estava sorrindo. Mas estava me olhando com uma intensidade tão feroz, tão cheia de adoração e fome, que senti meus joelhos fraquejarem.
Chegamos ao altar. Meu pai beijou minha mão e a colocou na de Alex.
— Cuide dela, filho. — William Winter disse, com a voz grossa de emoção.
— Com a minha vida, senhor. — Alex respondeu, sem tirar os olhos de mim.
Subimos os degraus. O celebrante, um juiz amigo da família, começou a falar sobre amor e compromisso.
Alex segurou minhas duas mãos. Seus polegares acariciavam a pele macia das minhas palmas, roçando levemente na borda dos braceletes gastos.
— Vocês prepararam seus próprios votos. — O juiz anunciou. — Alexander?
Alex respirou fundo. Ele não puxou nenhum papel do bolso. Apenas olhou nos meus olhos e falou, alto o bastante para que todos ouvissem, mas direcionado apenas a mim.
— Elizabeth... — Ele começou, e vi o pomo de adão dele subir e descer. — Há dois anos, eu achava que sabia quem eu era. Mas então você entrou na minha vida. Ou melhor, você invadiu minha vida com a força de um furacão, virou minhas mesas, desafiou minha paciência e no fim me arrastou para o outro lado do mundo. — Risos suaves ecoaram pelo salão. — Com você, eu aprendi que segurança não é um lugar, é uma pessoa. Eu aprendi que meu lar não tem quatro paredes, ele tem olhos castanhos e um sorriso teimoso.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!