ALEXANDER HAMPTON
Os dias se passaram e uma rotina estranha se formou.
Nós bebíamos café em lados opostos da ilha de mármore. Então, eu ia para o Fox&Maple e ela "se resolvia". Isso, eu descobri, envolvia algumas idas à academia, longos almoços com pessoas que pareciam ter saído de capas de revistas, e... ligações.
Ligações misteriosas e intermináveis.
Algumas vezes eu a via no café. Às vezes ela passava, andando pela rua, ao telefone pu com a amiga que mora na cidade.
As noites eram a verdadeira tortura.
Eu voltava para casa por volta das sete. Ela estaria lá. Às vezes, ela cozinhava uma comida irritantemente boa. Às vezes, ela pedia comida.
Nós comíamos, fazendo uma conversa fiada e dolorosa.
— Como foi o trabalho? — ela perguntava, parecendo uma esposa entediada.
— Ocupado. E o seu dia?
— Produtivo.
Depois disso, geralmente trocamos amassos na sala, mas ainda não deixei passar disso. Não que eu não queira, mas é divertido ver a frustração dela cada vez que dou boa noite. Embora, eu provavelmente sofra mais que ela com isso.
Chegou a sexta-feira. Eu saí do meu escritório às oito da noite. Ela estava deitada de bruços no tapete da sala, de pijama, desta vez, um conjunto vermelho-sangue, desenhando em um caderno.
— O que você está fazendo? — perguntei.
— Desenhando uma estratégia para reestruturar a cadeia de suprimentos asiática do meu pai. É chato como o inferno. — ela disse, sem levantar os olhos. — Podemos nos beijar? Estou entediada.
Essa mulher é realmente uma figura.
— Que tal assistir a um filme?
Ela se sentou, com os olhos brilhando.
— Aceito. "Explosão Global 4: O Acerto de Contas" acabou de sair. Ouvi dizer que eles explodem o Vaticano.
— Absolutamente não. Eu estava pensando em "A Logística do Concreto: Uma Análise Brutalista". Ganhou prêmios.
Lizzy me encarou como se eu tivesse sugerido que assistíssemos à tinta secar.
— Você está brincando.
— É fascinante.
— Não. Vamos assistir ao meu.
— Vamos assistir ao meu.
Ficamos nos encarando.
— Certo. — ela disse, levantando-se. — Só tem um jeito de resolver isso.
— E qual seria?
— Pedra, papel, tesoura. Melhor de três.
Eu quase ri.
— Você quer decidir com... pedra, papel, tesoura?
— É um sistema justo. A menos que você esteja com medo de perder para mim.
Eu estreitei meus olhos. Eu era um homem de lógica. Eu podia vencer isso. Eu a analisei. Ela é impulsiva. Ela vai jogar "tesoura". Eu jogarei "pedra".
— Certo. Melhor de três.
Nós ficamos de frente um para o outro na sala de estar.
— Um... dois... três... JÁ!
Eu joguei "pedra".
Ela jogou "papel".
Merda.
— Um a zero para mim. — ela cantarolou.
— De novo. — falei, irritado. — Um... dois... três... JÁ!
Eu joguei "pedra" de novo. Lógica. As pessoas não esperam a mesma jogada.
Ela jogou "papel" de novo.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!