ELIZABETH WINTER
O som foi uma agressão. Um alarme de celular, estridente e insistente, cortando a névoa quente e confortável do sono.
Eu gemi, tentando me enterrar mais fundo. Mais fundo em quê? Ah, sim. O peito nu de Alexander. Ele se mexeu embaixo de mim, um gemido baixo de protesto vibrando em meu ouvido. O alarme, percebi, era meu.
— Merda — murmurei, minha voz rouca e quase irreconhecível.
— Desligue isso. — Alex rosnou
Com um esforço enorme, estendi o braço para o criado-mudo dele, onde meu telefone estava carregando. 5:00 AM. A realidade bateu forte.
Segunda-feira.
Me arrastei para fora dos braços dele. O ar frio do quarto me atingiu, fazendo meus mamilos endurecerem instantaneamente. Deixei Alex resmungando na cama e fui para o quarto de hóspedes me arrumar, afinal, meu jato estava esperando.
Tomei um banho rápido, o vapor quente mal conseguindo acordar meus sentidos. Voos de quatorze horas exigiam conforto. Peguei minha calça jogger cinza, um moletom combinando e tênis brancos. A única coisa que sugeria quem eu era era a bolsa Birkin que eu usaria para carregar meu laptop.
Quando voltei para a cozinha, o cheiro de café fresco me alcançou.
Alexander estava lá. Pensei que tinha voltado a dormir, mas estava de pé no balcão, só de cueca, com seu cabelo uma bagunça sexy, e ele estava fazendo o café bom.
Terminou de despejar a água e o vapor subiu em espirais. Ele serviu o líquido escuro na minha caneca e a entregou para mim.
— Você não precisava fazer isso — eu disse baixinho.
— Você ia reclamar do Nespresso — ele estava certo.
— Meu motorista chega em dez minutos.
— Cancele.
— O quê?
— Eu te levo.
[...]
O trajeto até o aeroporto particular foi feito envolto em um silêncio lamentável. O rádio estava desligado. O sol ainda não tinha nascido, e a cidade estava adormecida.
Chegamos ao hangar privado. Meu jato estava lá, iluminado na escuridão, parecendo uma grande e solitária besta de metal. A tripulação já estava a postos.
Era isso.
Eu me virei para ele. Eu precisava manter isso leve. Se eu não mantivesse leve, eu poderia fazer algo estúpido, como implorar para ele vir comigo, ou cancelar Hong Kong e voltar para a cama dele.
— Bem... — comecei, forçando um sorriso. — Obrigada pela hospitalidade, Hampton. Nos vemos logo.
Eu me inclinei para um beijo rápido na bochecha, mas ele não me deixou chegar à bochecha. Ele virou a cabeça no último segundo, e sua boca encontrou a minha. Sua mão, mais rápida do que eu podia processar, agarrou minha cintura, puxando-me para fora do meu assento, através do console central.
Pousei em seu colo e ele me beijou fervorosamente.
Sua língua mergulhou na minha boca, e eu derreti. Minhas mãos, por conta própria, subiram e agarraram seu rosto, meus dedos se enroscando em seu cabelo. Eu o beijei de volta com a mesma intensidade.
Eu podia sentir o quão duro ele estava, mesmo através da minha calça de moletom e adoraria poder ajudá-lo com isso.
— Volte logo — ele murmurou contra meus lábios, soando necessitado.
Meu coração deu uma guinada dolorosa.
Assenti e o beijei mais uma vez, com força, e então me afastei, saindo do carro antes que eu mudasse de ideia.
Eu caminhei em direção ao meu avião, sem olhar para trás, mas podia sentir os olhos dele em mim a cada passo.
ALEXANDER HAMPTON
Eu a observei ir. Observei-a subir os degraus do jato, até sua figura pequena em um moletom cinza, desaparecer na escuridão da cabine.
A porta se fechou.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!